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Editoria: Clima e Meteorologia
Segunda-feira, 10 fev 2014 - 10h32

À beira do racionamento de água, SP apela para chuva artificial

O calor escaldante e a estiagem prolongada sobre algumas áreas fizeram o reservatório da Cantareira, em São Paulo, atingir o menor nível desde 1974, o que obrigou as autoridades a apelarem para produção de chuva artificial, um método polêmico e de baixa eficácia.

Chuva Artificial
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O sistema Cantareira é formado por quatro represas que abastecem 47% da Grande São Paulo e neste domingo atingiu apenas 19.8% de sua capacidade, colocando mais de 8 milhões de consumidores sob risco de racionamento de água.

Os problemas com o sistema começaram em dezembro de 2013, quando os níveis pluviométricos ficaram muito abaixo do volume histórico. A média para o mês é de 226 milímetros e choveu apenas 62 milímetros. Foi o pior mês de dezembro desde que as medições começaram a ser feitas há 84 anos.

Em janeiro a situação se agravou e as chuvas que chegam a 300 milímetros no mês ficaram em apenas 87,7 milímetros. Em fevereiro a situação não mudou. A média histórica é de 202.6 milímetros e até este domingo (09/02) só choveu 1.3 mm. A meteorologia prevê que essa situação só deve melhorar na segunda quinzena de fevereiro, o que pode resultar em uma situação bastante grave já nos próximos dias.


Chuva artificial
Diante de um quadro bastante preocupante e na tentativa de amenizar a situação, a companhia de águas de São Paulo, a SABESP, solicitou a uma empresa brasileira o uso de uma técnica conhecida como semeadura de nuvens. O objetivo é tentar forçar a precipitação pluviométrica sobre as áreas onde estão localizados os reservatórios do Cantareira. Em outras palavras, estimular a chuva sobre essas represas.

A técnica não é nova e já é usada há bastante tempo no Brasil, com resultados bastante polêmicos, principalmente com relação à eficiência dos resultados apresentados.

O método consiste em bombardear a base ou o topo das nuvens com elementos químicos ou naturais que agem como uma espécie de aglutinante, capazes de juntar as gotículas de água presentes na nuvem. Esse processo se chama semeadura. À medida que as gotas se juntam, se tornam maiores e mais pesadas, até que em um determinado momento precipitam na forma de chuva.

Os elementos químicos mais usados neste processo são o cloreto de sódio (sal de cozinha), o iodeto de prata e o gelo seco. Em São Paulo, o elemento aglutinante será a água potável.

Embora a teoria da chuva artificial esteja correta, diversos climatologistas discordam da eficiência dos resultados e apontam a incerteza do local da chuva induzida como um dos principais entraves. Ou seja, após a nucleação (outro nome para a semeadura), não se pode afirmar com certeza onde a chuva poderá cair. Em alguns casos, pode até chover onde não deveria.

Além disso, o método usado em SP exige que a semeadura ocorra nas nuvens existentes acima dos reservatórios e essas nuvens são artigos bastante raros ultimamente. Assim, a natureza tem que colaborar muito para que o processo funcione adequadamente.

Segundo Majory Imai, diretora da empresa ModClima, que tentará fazer chover sobre os reservatórios, no último dia 5 foi possível produzir chuva artificial a nordeste de Bragança Paulista. Segundo ela, "foi uma chuva pequena, mas já foi um bom sinal".

De acordo com Imai, a empresa tem contrato desde 2001 com a SABESP e não foi requisitada nos anos anteriores devido à grande quantidade de chuvas. Agora, a partir da solicitação, empresa precisou trazer à SP parte da equipe que estava na Bahia, onde realizavam semeaduras sobre as lavouras de soja.
"Montamos uma operação para trabalhar toda nuvem boa que se aproximar do Cantareira. Nesse momento, o céu está muito limpo e é preciso que existam nuvens de bom porte para que o processo dê resultado", disse Imai no domingo à tarde.


Artes: No topo, diagrama mostra como a chuva artificial é produzida. No vídeo, Repórter Eco da TV Cultura mostra um pouco mais sobre os procedimentos. Créditos: Reporte Eco/TV Cultura, Apolo11.com.






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