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Editoria: Invenções e Descobertas
Terça-feira, 06 Fev 2007 - 06h49

Qual o maior rio do mundo? Nilo ou Amazonas ?

Qual o maior rio do mundo, o Amazonas ou o Nilo? Um novo método para medir bacias hidrográficas poderá ajudar a pôr fim nesta dúvida. Mesmo assim, não faltarão apaixonados em defender a extensão dos dois maiores rios do planeta.

Desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, com o apoio da AMBI-Organização Ambiental e Expedições Científicas e do BASA-Banco da Amazônia, o método utiliza o sensoriamento remoto, tecnologia de observação da terra por satélites.

O estudo acompanhou o curso do Nilo desde o delta no Mar Mediterrâneo até o Lago Vitória, em Uganda, e a medida chegou a 5.714 km. A análise preliminar feita sobre as imagens do trecho do rio aponta que pelo menos 900 km devam ser somados ao valor apontado até o Lago Vitória. Assim, o comprimento do Rio Nilo ficaria em torno de 6.614 km, resultado ligeiramente menor, portanto, que a extensão conhecida de 6.670 km. Esta diferença pode estar associada à perda em comprimento provocada pela construção do Lago Nasser gerado pela Represa de Aswan.

Os pesquisadores Paulo Roberto Martini e Valdete Duarte, da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE, responsáveis pelo desenvolvimento da nova metodologia, estão fazendo o mesmo estudo com o rio Amazonas. "A interpretação do Amazonas é mais complexa na medida que seu leito principal é facilmente confundido com cursos alternativos na forma de paranás, meandros e enlaces com outros tributários. Exemplo disto é o que se observa em frente à cidade de Santarém no Pará. Ali corre o Amazonas sensu stricto e o grande meandro que passa por Alenquer", explica Martini.

A pergunta é: qual dos dois cursos é o verdadeiro Amazonas? Aquele que tem maior volume ou aquele que percorre as barrancas de formações geológicas mais antigas e de maior profundidade? "Se for o primeiro, o trecho do rio tem ao redor de 10 quilômetros e, se for o segundo, pode atingir 54 quilômetros", respondem os pesquisadores.

As análises feitas até agora sobre o Amazonas seguindo a nova metodologia apontam duas medidas para o Amazonas. A primeira sai da boca norte margeando a Ilha de Marajó, seguindo pelo meandros de Alenquer e do Rio Ucayalli até chegar no Nevado Quehuicha das Montanhas Chilla, norte de Arequipa no Peru. Chega-se a outra medida pelo mesmo percurso, mas contornando a margem sul de Marajó passando pelo estreito de Breves no Pará. O Rio Amazonas, segundo estas alternativas, mede respectivamente 6.627 km e 6.992 km. As diversas medidas finais obtidas pela nova metodologia, tanto do Nilo como do Amazonas, este cuja extensão oficial é de 6.570 km, serão apresentadas quando prontas aos órgãos competentes que poderão utilizá-las para atualizar as informações sobre os rios.

Antes disto, entretanto, está sendo organizada uma expedição às nascentes do Amazonas para se comprovar a vertente principal do rio nos nevados do altiplano andino. A expedição é responsabilidade da AMBI e conta com pesquisadores da UFAM, UFAC, UNB, ANA, entre outras instituições.

"A base de informação são imagens de satélite georretificadas e a fotointerpretação é suportada por computador através de edição vetorial com ferramenta SPRING, software de geoprocessamento desenvolvido no INPE", explica Martini. Este procedimento está sendo aplicado ao Amazonas e precisa ser também aplicado ao Rio Nilo para garantir que as medidas finais possam ser comparadas sem restrições.

Os pesquisadores do INPE destacam que a grande vantagem no uso das imagens de satélites de sensoriamento remoto e suas tecnologias associadas é que o método se torna universal, podendo ser aplicado a qualquer rio do planeta sem necessidade de percorrer todo o trecho do rio para tomar medidas topográficas.


Fotos: As duas primeiras imagens, que podem ser manipuladas pelo usuário, mostra a cidade do Cairo, no Egito, banhada pelo Rio Nilo e na sequencia a foz do Rio Amazonas, no Pará. A terceira imagem, processada pelo pesquisador Oton Barros, da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE, mostra em relevo as Cataratas de Vitória que se estendem rio abaixo entre os lagos Vitória e Albert, no alto vale do Nilo Branco, em Uganda. Fornecida pela Digital Globe, esta imagem foi captada pelo satélite comercial norte-americano QuickBird.


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