
O planejado veículo espacial da Nasa, o Orion, que também será usado nas missões à Lua só estará pronto para lançamento depois de 2015. Isso faz com que as visitas dos astronautas americanos à ISS fiquem vulneráveis à possibilidade de uma nova Guerra Fria entre Washington e Moscou, depois que tropas russas invadiram a Geórgia, aliada dos EUA.
Sinais de Retaliação
"Se as recentes ações forem um indicador, uma desculpa técnica para bloquear o acesso americano à ISS por razões geopolíticas deverá cair como uma luva para o governo russo", disse Vincent Sabathier, especialista em exploração espacial ligado ao Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.
Em entrevista à AFP, Sabathier disse que não foi apenas a curta guerra da Geórgia que provocou a deterioração das relações entre os dois países. Segundo o especialista, a determinação norte-americana de instalar radares de rastreio na Polônia e na República Tcheca contribuíram para o clima de tensão, uma vez que o governo russo considera a operação uma ameaça ao país.

"Quase imediatamente após a República Tcheca assinar acordo com os americanos, que permitiu a instalação dos radares em seu território, o fluxo de petróleo que flui pelo oleoduto que liga Druzhba à Europa Central foi fortemente reduzido. A Rússia alegou problemas técnicos mas até agora o abastecimento não foi normalizado", disse Sabathier.
Dependência Russa
O final do programa dos ônibus espaciais deixará a Nasa por um período de 5 anos sem cargueiros. Durante esse tempo, se quiser levar astronautas à ISS e trazê-los de volta, terá que pagar à agência espacial russa. Para piorar as coisas uma lei votada em 2000 impede que o governo dos EUA firme contratos com países como a Rússia, que é considerada aliada do Irã e Coréia do Norte, e que segundo os EUA, financiam o terrorismo.
Segundo o senador democrata Bill Nelson, essa lei é um problema sério aos EUA. Nelson, que apóia a contratação do cargueiro russo pela Nasa, diz que sem a Soyuz os EUA não terão mais acesso à ISS já em 2011. Considerando que a Estação de 100 bilhões de dólares foi construída quase que totalmente com dinheiro americano, isso poderá ser um duro golpe nas pretensões espaciais dos EUA.
Nasa Confirma
Em entrevista à AFP, o diretor geral da Nasa, Michael Griffin disse que alguns dias antes da crise da Geórgia já havia manifestado grande preocupação, caso alguma coisa acontecesse e tornasse a Soyuz indisponível. "Se durante esse período de cinco anos algo ocorrer com a Soyuz, simplesmente não teremos como acessar a ISS".
Para minimizar a situação, alguns dias após a invasão russa a Nasa tentou diminuir a possibilidade de problemas afirmando que é exemplar a história de cooperação com a Roscosmos, a Agência Espacial da Federação Russa.
John Logsdon, ex-diretor da Nasa e especialista em relações diplomáticas e espaciais da Universidade de Washington, também vê com preocupação a situação atual. "A relação com a Rússia exige muito esforço diplomático. É muito difícil prever o que poderá acontecer, mas não existem alternativas viáveis para se chegar à ISS sem eles".
Foto: No topo, a nave russa Soyuz vista da Estação Espacial Internacional em 28 de junho de 2006. A bordo, o cargueiro russo levava a 12ª expedição a habitar o complexo espacial. Crédito ESA. Acima, a Estação Espacial Internacional, ISS. Crédito: Nasa.



