Imaginemos o caso do motorista de ônibus (geralmente urbano ou suburbano) que dirige um veículo com motor dianteiro: num dia típico de calor, a temperatura no entorno da carcaça desse motor pode alcançar a casa dos 36ºC. Combinando essa temperatura com umidade relativa do ar interno também nas proximidades do motor na casa do 60% (e por conseguinte, do motorista), atinge-se a impressionante marca de sensação de calor ou tecnicamente falando, índice de calor aproximado de 49,3ºC! E tudo isto, sem estar exposto à radiação solar direta...
Quando está muito quente, o corpo humano possui vários mecanismos para arrefecer o aquecimento corporal. O mais importante deles é a evaporação, devido ao ato de suar ou transpirar. Além deste mecanismo, temos a irradiação ou radiação e a condução (pelo contato com substâncias mais frias, como o ar, por exemplo). Mas a perda de calor por irradiação e a condução só são possíveis ao corpo humano quando a temperatura do ar é menor do que a temperatura da pele, que é metabolicamente regulada em torno 33°C. Portanto, acima de 33°C de temperatura ambiente, a evaporação do suor é a única forma de perda de calor capaz de garantir a regulação em 33°C da temperatura da pele que, por sua vez, permite a regulação da temperatura interna do corpo de cerca de 36°C. A água expelida pelo corpo, ao evaporar, carrega consigo parte dessa energia, que é o calor, o que diminui o aquecimento.
Porém, o ar tem uma quantidade máxima de vapor que ele pode receber, por isso a umidade relativa do ar é medida em níveis de porcentagem. Ou seja, com uma umidade relativa de 30%, por exemplo, o ar estará com pouco vapor dissolvido e com capacidade de mais umidade. Mas se estiver muito alta, por exemplo 70%, o suor não terá muito efeito, pois ele não vai evaporar, mantendo o calor na pele.
Abaixo, alguns dados simplificados que mostram os riscos à saúde e à vida de trabalhadores, atletas ou quaisquer pessoas expostas a altos índices de calor sob alguma atividade física.
Temperatura aparente ou índice de calor:
Nível de Perigo
Síndrome de Calor ( sintomas)
27° – 32°C
Atenção
Possível fadiga em casos de exposição prolongada e atividade física
32° – 41°C
Muito cuidado
Possibilidade de caimbras ,esgotamento, e insolação para exposições prolongadas e atividade física
41° – 54°C
Perigo
Caimbras, insolação, e esgotamento prováveis. Possibilidade de dano cerebral (AVC) para exposições prolongadas com atividade física.
Mais que 54°C
Extremo perigo
Insolação e Acidente Vacular Cerebral: AVC Iminente
Finalmente, podemos extrapolar que lugares de clima úmido e superúmido possuem índices de calor consideravelmente superiores aos de lugares de clima seco, caso do litoral e interior paulistas...
Durante o verão, sobretudo, o litoral paulista, assemelha-se ao clima amazônico, onde o calor é opressivo, devido obviamente, às altas temperaturas e elevados índices de umidade relativa do ar.







