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Editoria: Mudanças Climáticas
Quarta-feira, 30 mar 2011 - 11h09

Satélites detectam impacto da seca de 2010 sobre a Amazônia

A agência espacial americana, Nasa, revelou esta semana um novo estudo sobre a floresta Amazônica e os resultados não são dos melhores. Segundo a instituição, após a seca de 2010 o nível de verde da floresta diminuiu em cerca de nove vezes o estado do Tocantins e não voltou ao normal, mesmo após o fim da temporada.

anomalia índice de verde da Amazônia

O estudo foi elaborado por uma equipe internacional de cientistas que usaram mais de uma década de dados coletados pelos instrumentos MODIS (Espectroradiômetro Imageador de Resolução Moderada) e TRIMM (Missão para Medição de Precipitação Tropical), a bordo dos satélites de sensoriamento remoto TERRA e AQUA. A análise dos dados produziu mapas detalhados da vegetação amazônica e demonstrou que o verdor da floresta diminuiu significativamente após a seca de 2010.

O trabalho foi conduzido pelo cientista Xu Ling, ligado à Universidade de Boston e aceito para publicação na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica Americana.


Aquecimento Global
A sensibilidade à seca das florestas tropicais da Amazônia é um assunto de intenso estudo por parte dos especialistas. Os modelos de computador preveem uma mudança climática com temperaturas mais quentes e padrões de precipitação alterados que podem levar ao estresse hídrico das florestas, transformado-as em pastagens ou cerrados arborizados. Os modelos também mostram que esse processo liberaria na atmosfera o carbono armazenado na madeira podre, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta.

Essa interpretação também é compartilhada por centenas de cientistas e instituições ligados ao IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que alertaram que secas similares poderiam ser mais frequentes na região da Amazônia no futuro.

Em seus estudos, os autores desenvolveram mapas das zonas afetadas pela seca utilizando os limiares de precipitação abaixo da média como guia. Em seguida, identificaram as áreas de vegetação usando dois diferentes índices de vegetação, capazes de identificar áreas foliares ou em desenvolvimento.

Os mapas mostram que a seca de 2010 reduziu as áreas verdes em cerca de 2.5 milhões de km quadrados, mais de quatro vezes a área afetada pela severa seca que atingiu a região em 2005.

"Os dados coletados pelo instrumento MODIS sugerem um impacto severo, generalizado e de longa duração na vegetação amazônica, maior que aquele inferido baseado apenas em dados pluviométricos", disse a cientista Arindam Samanta, coautora do trabalho, ligada ao Instituto de Pesquisas Atmosférica e Ambientais, de Lexington, Massachussets.

A severidade da seca de 2010 também pode ser observada nos registros dos níveis da água dos rios de toda a bacia amazônica, incluindo o Rio Negro, que representa os níveis de precipitação sobre toda a Amazônia ocidental. Os níveis fluviométricos começaram a cair no final de agosto de 2010 e atingiram níveis recordes de baixa no final de outubro. A normalização só começou com chegada das chuvas no inverno da região.

Segundo pesquisador Marcos Costa, coautor do estudo junto à Universidade Federal de Viçosa, o trabalho confirma as observações feitas nos níveis dos rios da região. "2010 foi o ano mais seco já registrado com base em 109 anos de observações do Rio Negro no porto de Manaus", disse o pesquisador.


Plataforma NEX
Assim que os primeiros relatos de uma severa seca começaram a aparecer na mídia no ano passado, os autores passaram a processar em tempo quase real as gigantescas quantidades de dados coletados pelos satélites. Para isso utilizaram a plataforma NEX, desenvolvida pelo centro Ames, da Nasa, que permite análises em um ambiente colaborativo de supercomputação, reunindo dados, modelos e recursos de computação.

Com NEX os autores puderam obter rapidamente uma visão em larga escala do impacto da seca nas florestas da Amazônia, finalizando o trabalho em janeiro de 2011. Trabalhos similares sobre o impacto da seca em 2005 levaram cerca de dois anos para serem publicados.

"O monitoramento da vegetação do nosso planeta através de satélites é crítico e com o NEX podemos fazer o trabalho de forma muito mais eficiente e fornecer informações em tempo quase real", disse Nemani Ramakrishna, cientista junto ao Ames e autor de artigo sobre o projeto NEX, publicado esta semana na revista especializada Eos, também ligada á União Geofísica Americana.


Arte: mapa mostra a anomalia de vegetação entre os meses de julho a setembro de 2010, obtida com os dados coletados pelos satélites TERRA e AQUA. Crédito: Nasa/Ames Research Center/Apolo11.


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