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Editoria: Exploração Espacial
Sábado, 03 nov 2007 - 18h57

50 anos do vôo espacial da cadela Laika

A Rússia lembra hoje o 50º aniversário da odisséia espacial da cadela Laika, o primeiro ser vivo que voou ao espaço exterior e que foi precursora dos vôos tripulados por astronautas.

Entre outros atos, membros da equipe que adestrou os "cães astronautas" nos anos 50 inauguraram hoje na saída da estação de metrô Dínamo em Moscou uma estátua em memória da cadela vira-lata, segundo a agência "RIA Novosti".

Laika entrou para a história ao ser enviada ao espaço a bordo do Sputnik-2 em 3 de novembro de 1957, um mês depois do lançamento da primeira nave espacial Sputnik.

O primeiro cosmonauta da história, Yuri Gagarin, teve que esperar três anos e meio para ver cumprido o sonho de um ser humano ir para o espaço, realizado em 12 de abril de 1961.

Um mês depois do lançamento da primeira nave espacial, o líder soviético, Nikita Kruschev, expressou sua vontade de comemorar o 40º aniversário da Revolução de Outubro com o lançamento em órbita do primeiro foguete tripulado.

Então surgiu Laika, uma pequena cadela recrutada nas ruas de Moscou e que tinha sido treinada durante vários anos para viajar ao desconhecido.

Laika tinha sido selecionada entre centenas de outros cães porque cumpria os requisitos físicos - menos de 6 quilos e 35 centímetros de altura -, mas também devido a sua resistência.

Os cientistas russos acreditavam que um cachorro de rua acostumado a lutar diariamente pela sobrevivência suportaria melhor os treinamentos do que um cão de raça.

O animal passou pelos mesmos testes e provas que depois seriam aplicados aos humanos.

Para satisfazer o capricho de Kruschev, o pai da cosmonáutica soviética, Serguei Koroliov, teve que improvisar sobre a nave uma cápsula espacial sem módulo de retorno.

A sorte de Laika estava lançada, a cadela nunca retornaria à Terra e sacrificaria sua vida para mostrar a resistência dos seres vivos às condições de falta de gravidade.

Laika viajou dentro de uma cabine com de um macacão especial para combater os efeitos da falta de gravidade, bebeu água através de dispensadores e ingeriu alimentos em forma de gelatina.

A cadela, cujos sinais vitais foram relativamente normais durante a ascensão e a entrada em órbita, sobreviveu durante apenas 5 a 7 horas, mas só se soube disso em 2002.

A princípio, a agência de notícias soviética "Tass" anunciou que Laika retornaria à Terra de pára-quedas, e depois anunciou sua morte sem dor após uma semana de órbita terrestre.

O cientista do Instituto de Problemas Biológicos de Moscou, Dmitri Malashenkov, revelou o mistério em 2002 durante um congresso espacial em Houston: Laika tinha morrido devido ao calor e ao pânico.

Na realidade, foi vítima da corrida espacial e da guerra propagandística travada durante décadas entre a União Soviética e os Estados Unidos, e que acabou vencida pela potência ocidental.

Laika seria o último cachorro a ser enviado ao espaço em uma nave sem sistema de retorno.

Ao todo, a URSS realizou 29 vôos espaciais com cachorros entre julho de 1951 e setembro de 1962, dos quais oito acabaram em tragédia, enquanto os demais cães voltaram de pára-quedas, utilizando máscaras de respiração e trajes espaciais.

Fonte: EFE






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