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Editoria: Espaço - Tecnologias
Segunda-feira, 13 abr 2009 - 09h17

Cientistas determinam com precisão a Fronteira do Espaço

Afirmar onde fica a fronteira do espaço não é uma tarefa fácil, uma vez que não existe um consenso científico sobre onde exatamente se encontra essa suposta divisão, já que as camadas da atmosfera não têm limites físicos e não podem ser vistas. Recentemente, no entanto, pesquisadores canadenses criaram um novo instrumento que segundo eles é capaz de medir com precisão a localização dessa invisível região fronteiriça.

A conclusão foi possível através da determinação do local da transição entre os ventos relativamente suaves detectados na alta atmosfera e os violentos fluxos energéticos de partículas vindas do espaço, que podem ultrapassar 1000 km/h. Segundo os pesquisadores que realizaram o estudo, os dados coletados são bastante consistentes e mostram que a região fronteiriça entre a Terra e o espaço fica a exatamente a 118 quilômetros de altitude.

O experimento foi realizado por cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, que enviaram ao espaço o instrumento chamado Imageador de Íons Supra Termal. O equipamento foi transportado pela cápsula Joule-II, lançada pela da Nasa, que a colocou em órbita baixa de 200 km de altitude. O lançamento ocorreu em 29 de janeiro de 2007, mas só agora o trabalho foi finalizado e apresentado no periódico científico "Journal of Geophysical Research".


Medições difíceis
A capacidade de coletar dados nessa altitude é bastante significativa, uma vez que é muito difícil fazer medições nessa região do espaço, baixa demais para os satélites de sondagens e alta demais para os balões estratosféricos.

"Essa é a segunda vez que conseguimos realizar medições das partículas carregadas nessa região e a primeira vez que todos os elementos, entre eles os ventos na alta atmosfera, foram incluídos no experimento", disse David Knudsen, professor do departamento de física e astronomia da universidade de Calgary.


Determinando a fronteira
"Quando você arrasta um objeto pesado sobre uma superfície, a região da interface se torna quente. Da mesma forma, nosso experimento conseguiu detectar a posição exata onde duas regiões de grande altitude são arrastadas uma contra a outra: a ionosfera, impulsionada pelos fluxos vindos do espaço e a atmosfera terrestre, deslocada pelas correntes naturais", explicou Knudsen.

As medidas feitas pela equipe de Knudsen confirmaram o trabalho de outros cientistas, que já haviam previsto teoricamente a mesma altitude de 118 km como a fronteira do espaço.

"O resultado nos permite olhar mais de perto essa região e calcular o fluxo de energia que atinge a atmosfera da Terra, trazendo uma melhor compreensão da interação entre o espaço exterior e nosso ambiente", disse Laureline Sangalli, co-autora do trabalho e aluna de Knudsen. "A determinação dessa altitude também poderá ajudar a entender melhor a ligação entre as manchas solares e as mudanças climáticas, bem como o impacto que o tempo espacial tem sobre os satélites, as comunicação, navegação e geração de energia".

Os instrumentos utilizados na detecção da fronteira do espaço também foram adotados pela missão Swarm, da Agência Espacial Européia, ESA, em uma missão que será lançada em 2010 e que deverá coletar dados na mesma região do espaço durante quatro anos.


Arte: Localização das diversas camadas da atmosfera, mostrando a nova região fronteiriça entre o espaço e a atmosfera. A arte também compara onde se ocorrem outros eventos comuns na Terra, entre eles o vôo dos aviões comerciais, as auroras e os meteoros, além da altitude máxima dos balões científicos. Crédito: Apolo11.com







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