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Quarta-feira, 1 abr 2015 - 11h43

Contato? Sinais de outras galáxias seguem padrão não natural

Afirmar que os Fast Radio Bursts são uma tentativa de contato por parte de alguma civilização distante pode ser muito arriscado, mas novos estudos revelam que esses sinais extragalácticos seguem um padrão matemático e isso está intrigando os cientistas.

Fast radio burst

Fast radio burst, ou FRB, são sinais extremamente intensos e rápidos e que estão sendo disparados continuamente de fora da Via Láctea. Sua origem ainda é desconhecida pelos cientistas, mas estudos recentes revelaram que seu padrão de emissão pode não ter causas naturais, já que obedecem a um padrão matemático que está sendo estudado.

Os radiotelescópios estão captando esses sinais desde 2001 e de acordo com os pesquisadores duram apenas alguns milissegundos, mas têm a mesma energia que a liberada pelo Sol em 300 mil anos, sendo considerados as mais intensas fontes de sinais extraterrestres conhecidas.

Embora tenham sido detectados pela primeira vez há quase 15 anos, apenas dez desses pulsos puderam ser gravados até 2015.

Segundo os estudos atuais, a brevidade do período das ondas indica que os sinais partem de fontes muito pequenas, de poucas centenas de quilômetros de diâmetro, o que descartaria a possibilidade de serem emitidos por estrelas ordinárias. Além disso, a periodicidade da chegada das emissões é outro enigma a ser decifrado.

Recentemente, uma re-análise dos sinais gravados mostrou que o atraso de chegada entre a primeira e a última onda de cada trem de pulso (burst) é sempre um múltiplo de 187,5 e ninguém até agora sabe que tipo de processo natural é capaz de gerar esse padrão.


Dispersão
Para calcular de quão longe vieram os bursts, os astrônomos usam um conceito chamado medida de dispersão.

Cada burst cobre uma gama de frequências de rádio, como se toda a banda de FM estivesse tocando a mesma canção.

No entanto, os elétrons no espaço dispersam e atrasam a radiação de modo desigual e as ondas de frequência mais elevada se deslocam mais rapidamente do que as de frequência menor. Assim, quanto mais espaço o sinal atravessa, maior a diferença - ou medida de dispersão - entre o tempo de chegada das frequências altas e baixas - e consequentemente quanto o sinal viajou.

De acordo com Michael Hippke, ligado ao Instituto para Análise de dados, da Alemanha, esse atraso múltiplo de 187,5 entre as chegadas das ondas dos bursts aponta para diversas origens do sinal, entre elas a de que estejam sendo disparados a mais de 10 bilhões de anos-luz de distância.

No entanto, segundo Hippke, a explicação mais provável é que as ondas estão sendo emitidas de dentro da própria Via-lactea, por algum grupo de objetos que naturalmente emitem trens de pulso de baixas frequências após altas-frequências, com um atraso múltiplo de 187,5 entre as ondas.

Para o colega de Hippke, o astrofísico John Learned, ligado à Universidade do Hawaii, existem cinco chances em 10 mil de que isso seja coincidência. "Se esse padrão é real e natural, então é muito difícil de ser explicado".


Tentativa de Contato?
A verdade é que até agora não se sabe o que está emitindo esses sinais, que parecem seguir um padrão matemático estranho e sem explicação.

Sabe-se que as pequenas e densas estrelas remanescentes chamados pulsares são conhecidas por emitir bursts de ondas de rádio, embora não o façam com tanta energia quanto os FRBs.

Outra possibilidade é que os radiotelescópios estejam captando sinais de tecnologia humana situados muito próximos, como satélites espiões não catalogados transmitindo sinais que estão sendo confundidos como pulsos vindos do espaço profundo.

Outra possibilidade, bem mais tentadora, seria a da emissão de sinais por alguma civilização extraterrestre, com objetivo de fazer algum tipo de contato. Para isso ser descartado, será preciso descobrir de onde parte os FRBs e porque apresentam um padrão difícil de ser explicado naturalmente. Teremos novidades?



Arte: Gráfico mostra a localização de quatro pulsos FRBs detectados abaixo do plano da Via Láctea. Cada pulso tem apenas alguns centésimos de segundo de duração, mas emitem a mesma energia que a emitida pelo Sol em 300 mil anos. Crédito: MPIfR/C. Ng, Science/D. Thornton et al, Apolo11.com.







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