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Editoria: Astronomia
Segunda-feira, 2 dez 2013 - 11h22

Depois do cometa ISON, o que podemos esperar?

Depois de o cometa ISON ter sido praticamente fulminado, outros eventos tão interessantes quanto ele deverão chamar a atenção nos próximos meses. Entre eles, a reentrada controlada da estação espacial chinesa e a aproximação da Terra do cometa 209P/LINEAR.

Nucleo do cometa ISON
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Apesar da novela do cometa C/2012 S1 ISON ainda não ter chegado ao fim, é certo que o interesse pelo astro já não é o mesmo daquele observado desde o início do ano. O cometa foi um verdadeiro campeão de audiência e deverá render alguns capítulos extras nos próximos dias.

Além de novas informações de ISON, o mês de dezembro também será marcado por dois acontecimentos simbólicos muito importantes e que deverão nortear o noticiário espacial nos próximos anos: o início da exploração da Lua pelos chineses e a reentrada controlada da estação Tiangong 1, que marca o fim da primeira fase da estação espacial da China e início de sua segunda etapa.


Dezembro - Robô Chinês na Lua
Se tudo correr como o previsto, a missão lunar chinesa Chang'e 3 deverá pousar em nosso satélite no dia 14 de dezembro na região de Sinus Iridum, uma grande planície de lava basáltica de 236 km de diâmetro localizada no hemisfério norte da Lua, sobre as coordenadas 44.1° N, 31.5° W.

Nave chinesa Chang e 3
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A nave foi lançada no domingo, 1 de dezembro, e carrega a bordo um módulo de pouso e um jipe-robô que vai explorar a Lua por 3 meses.

Essa é a primeira vez em 37 anos que o Homem envia um robô para a Lua. A última vez foi em 1976, quando a sonda russa Luna 24 ali desceu.


Dezembro - Reentrada controlada da Estação espacial Chinesa
Reentradas espaciais sempre chamam a atenção, principalmente quando o lixo espacial cai de forma imprevisível.

No caso da estação espacial Chinesa Tiangong-1, isso não vai acontecer. A nave deverá ser retirada de orbita de forma totalmente controlada e provavelmente reentrará na atmosfera sobre o oceano Pacífico, embora ninguém saiba exatamente o dia que isso será feito, mas a missão não deverá chegar a 2014.

A Tiangong-1 é uma nave de grande porte e sua reentrada na atmosfera sem dúvida será um grande espetáculo. A estação deverá provocar uma grande bola de fogo e chamar bastante a atenção da mídia tradicional e dos observadores.


Maio de 2014 - Cometa 209/P Linear
Vez por outra esse cometa periódico se aproxima da Terra, mas não tanto quanto o previsto para 29 de maio de 2014. Nesta data, 209P/LINEAR chegará a apenas 8.2 milhões de km do nosso planeta, a menor distância que um cometa já atingiu desde 1983, quando IRAS-Araki-Alcock (C/1983 H1) fez um rasante a 4.6 milhões de km da superfície.

Além da aproximação máxima prevista, os cálculos mostram que durante maio de 2014 a Terra passará no interior de todas as esteiras de poeira deixadas pelo cometa durante os anos de 1803 até 1924. Para os pesquisadores Esko Lyytinen e Peter Jenniskens, a passagem da Terra pela esteira de partículas deverá causar uma das maiores chuvas de meteoros já vistas, com taxa estimada entre 100 e 400 meteoros por hora.


Outubro de 2014 - Cometa Siding Spring
Apesar de estar praticamente descartada a possibilidade do cometa C/2013 A1 Siding Spring se chocar contra Marte, os cálculos mostram que a aproximação entre os dois será extremamente perigosa.


Cometa C/2013 A1 Siding Spring
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As últimas estimativas apontam que a distância nominal de aproximação entre Marte e o cometa será de 142 mil km, prevista para acontecer em 19 de outubro de 2014 as 18h51 UTC (15h51 pelo horário de Brasília). A distância mínima prevista é de 127 mil km.

A pequena distância está obrigando as agências espaciais a criarem planos de manobras para os satélites na órbita do Planeta Vermelho. O objetivo é diminuir os riscos de colisão contra as partículas cometárias.

A aproximação promete ser muito emocionante e deverá ser acompanhada por cientistas e astrônomos amadores em todo o mundo.


E o cometa ISON?
Apesar de ter sido praticamente fulminado pelo Sol no último dia 28 de novembro, alguns pesquisadores acreditam que um fragmento maior do cometa sobreviveu ao periélio. Um dos cientistas que sustentam essa hipótese é Toni Scarmato, que acredita que a nuvem de fragmentos vista após a aproximação máxima foi provocada pelo rompimento do núcleo principal do cometa, mas que outro fragmento menor- provavelmente constituído de ferro - resistiu.

Segundo o astrofísico, essa hipótese poderá ser comprovada ou não já na próxima semana, quando o cometa, ou o que restou dele, estará novamente ao alcance dos telescópios terrestres.

A novela ISON pode ter acabado para alguns, mas ainda poderá render alguns capítulos extras. Mas é certo que está nos últimos capítulos.



Artes: No topo, imagem processada por Toni Scarmato mostra um possível núcleo sólido na estrutura do cometa ISON. Na sequência, concepção artística mostra o robô chinês em solo lunar. No vídeo temos a animação da aproximação da Terra do cometa C/209P LINEAR e acima uma hipotética aparição do cometa Siding Spring visto da superfície de Marte. Créditos: Apolo11.com.






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