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Editoria: Astronomia
Quinta-feira, 04 jan 2018 - 10h15

Nebulosa de Orion: alvo fácil e cheio de detalhes interessantes

Depois da Lua, um dos primeiros alvos escolhidos para observação astronômica é sem dúvida a Nebulosa de Órion. Conhecida também como M42, a nebulosa encanta qualquer observador noturno. Gigantesco berçário estelar, M42 tem como vizinho um belo trapézio de estrelas, com detalhes somente captados através de técnicas especiais.

Nebulosa M42 e o trapézio de estrelas
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Na foto acima, registrada pelos astrofotógrafos Jesús Ruiz e Maritxu Poyal, a nebulosa M42 é vista em tons avermelhados em primeiro plano, no centro superior direito da foto. Ao seu lado esquerdo, quase no centro da imagem, a pequena nebulosa NGC 1977 compartilha sua companhia. Do lado esquerdo, o trapézio de estrelas.

De tão belo, observar o trapézio pode tomar várias horas do astrônomo amador, que não cansa de se encantar com a luz quase hipnotizante das quatro estrelas, chamadas Theta Orionis. A mais brilhante, Theta Orionis C, se localiza a 1350 anos-luz de distância e sua intensa radiação ioniza o gás responsável pela tênue luz que se vê quando o trapézio é observado através de um pequeno telescópio.

Detalhes
Apesar de parecer uma única estrela, Theta Orionis C é na realidade formado por duas estrelas, mas isso só foi possível de ser observado pela primeira vez em 1999, já que a distância angular entre elas é de apenas 20 miliarcosegundos.

Theta Orionis

Para estudar em profundidade o sistema foram necessários telescópios de altíssima resolução angular e em 2009, uma equipe liderada pelos astrofísicos Stefan Kraus e Gerd Weigelt, do Instituto Max Plank de Radioastronomia, da Alemanha, obteve as primeiras imagens do sistema, que permitiram estudar com precisão as características físicas e orbitais de Theta Orionis C.

Combinando as observações feitas com o instrumento AMBER, instalado no telescópio VLT, no deserto de Atacama, no Chile, e imagens registradas nos últimos 12 anos, os astrofísicos calcularam em 11 anos o período orbital do sistema e através da terceira Lei de Kepler concluíram que a massa das estrelas é de 38 massas solares para Theta Orionis C1 e 9 massas solares para Theta Orionis C, concluindo que o duplo sistema é o mais maciço objeto próximo à Nebulosa de Órion.


Carta celeste mostra a posicao da Nebulosa de Orion
Carta celeste mostra a posicao da Nebulosa de Orion

Como ver
Localizar a nebulosa de Órion é muito fácil e possivelmente você já olhou pra ela sem saber. Trata-se daquele grupinho luminoso de estrelas que está próximo às Três Marias, alvo muito fácil de ser localizado nas madrugadas de primavera e verão.

A carta celeste mostrada acima ajudará você a encontrar esse fantástico grupo de estrelas nas noites de outubro. Além de Órion, o cenário celeste ainda tem Aldebarã e Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno. Para encontrar, é só olhar para o quadrante leste a partir das 20 horas. Não tem como errar!

Bons Céus!



Fotos: No topo, a bela nebulosa de Órion como registrada pelos astrofotógrafos Jesús Ruiz e Maritxu Poyal. Acima: a imagem da esquerda mostra a Nebulosa M42 e em seu interior as quatro estrelas que formam o trapézio. O primeiro detalhe da cena mostra um zoom da região, captado pelo telescópio espacial Hubble. O detalhe ainda mais ampliado é a imagem captada pelo telescópio VLT, onde o sistema binário é visto em alta resolução. O diagrama da direita mostra a órbita do duplo sistema, calculado após 12 anos de observações. A órbita de Júpiter foi inserida no gráfico para comparação de tamanho. Créditos: Nasa/Apod, Jesús Ruiz e Maritxu Poyal, ESA, Apolo11.com.







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