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Editoria: Clima e Meteorologia
Quarta-feira, 15 jan 2013 - 09h50

Atenção: número de mortes por raios é maior no Carnaval

132 pessoas morrem em média por ano no Brasil devido a raios, um número muito superior ao que era registrado anteriormente. A probabilidade de um homem morrer por um raio é dez vezes maior do que a de uma mulher e a probabilidade de morrer por um raio quando jovem ou adulto é dobro da de uma criança ou idoso.

Tempestade de Raios em Riviera de São Lourenço
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Estes são alguns dos resultados do levantamento de mortes por raios da década entre 2000 e 2009, feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica, ELAT, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE. Estar na zona rural ou na zona urbana também altera as chances de ser ou não atingido por um raio: na zona rural a probabilidade de ser atingido é 10 vezes maior.

O estudo reuniu pela primeira vez informações de diversos órgãos brasileiros como INPE/MCT, Departamento de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) do Ministério da Saúde, Defesa Civil, veículos de imprensa e ainda dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“132 mortes por raios por ano é um número que está muito acima das expectativas que tínhamos, em torno de 100. O que mais impressiona é que 90% destas mortes ocorreram em circunstâncias que poderiam ter sido evitadas se as pessoas tivessem mais informações”, comenta o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior.


Atividades comuns
As 1321 pessoas que morreram atingidas por raios nesta última década têm em comum as atividades que praticavam. 19% das vítimas eram trabalhadores rurais que recolhiam animais ou trabalhavam em plantações com enxadas, pás e facões. A segunda circunstância mais comum foi estar próximo de meios de transportes, juntamente com pessoas que estavam dentro de casa, cada uma correspondendo a 14% do total de casos. A categoria embaixo de árvore ficou em terceiro lugar com 12%, seguida por campo de futebol com 10%.


Dentro de Casa
O estudo revela uma conclusão interessante que, apesar de 85% das mortes terem ocorrido ao ar livre, quando estes dados são divididos em diferentes circunstâncias a porcentagem de mortes para a categoria dentro de casa é muito maior do que o esperado. Este fato mostra que ficar dentro de casa não é tão seguro quanto se pensava. A maioria das vítimas atingidas por raios dentro de casa estava ao telefone ou descalça em casas que possuem chão batido ou ainda próxima de antenas, lâmpadas, geladeiras, janelas e televisões.


Época do ano e Carnaval
Em relação ao período do ano, 77% das mortes da década ocorreram no verão e na primavera, período do ano onde ocorrem cerca de 80% dos raios no Brasil. Somando os dados de toda a década é possível perceber um fato curioso: os cinco dias que tiveram mais mortes foram entre 16 e 20 de fevereiro, com 47 mortes no total. Já o recorde de mortes em um único dia ocorreu em 5 de março de 2003, quando foram registradas 5 mortes.

As vésperas do feriado de carnaval, vale avaliar se este é um período crítico para mortes por raios e a resposta é sim. Na última década, foram registradas 23 mortes por raios durante os 4 dias de carnaval.


Tocantins e Mato Grosso do Sul - os mais perigosos

O estudo também avalia as probabilidades de ser atingido e morrer por um raio em cada estado e região do Brasil, considerando a população e a incidência de raios.

O sudeste foi a região onde mais pessoas morreram (29%), mas a região que apresentou a maior probabilidade de morrer por um raio foi o centro-oeste, com 22 pessoas por milhão.

O Estado de São Paulo teve o maior número de mortes na década, 240 (17% do total). Entretanto, como a população paulista é a maior do Brasil, a probabilidade de ser morrer por um raio neste estado é de 6 em um milhão.

A probabilidade mais alta de morrer por uma descarga atmosférica está nos estados de Tocantins (46 em um milhão) e Mato Grosso do Sul (43 em um milhão).

Já em relação aos municípios que lideraram o ranking de mortes da década, Manaus ficou em primeiro lugar com 16 mortes, seguido por São Paulo com 14 mortes, em terceiro lugar ficaram os municípios de Campo Grande e Rio de Janeiro com 8 mortes cada e em quarto Brasília com 7 mortes.



Foto: Intensa tempestade de raios registrada na região da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, SP. Segundo o INPE, das1321 pessoas que morreram atingidas por raios entre 2000 e 2009, 19% eram trabalhadores rurais que recolhiam animais ou trabalhavam em plantações com enxadas, pás e facões. Crédito da foto: Albino Amorim.







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