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Editoria: Clima e Meteorologia
Quinta-feira, 17 mai 2007 - 09h57

Cientistas descobrem origem das ondas que atingiram as Ilhas Reunião

As intensas ondas que atingiram o sul da ilha San Pierre na última semana, tiveram origem ao sul da Cidade do Cabo, na África do Sul. Durante três dias, as ondas se deslocaram em sentido nordeste por mais de 4 mil quilômetros até atingir a ilha, localizada no arquipélago das Ilhas Reunião, no oceano Índico.

Na ocasião, as violentas ondas atingiram 15 metros de altura e vitimaram dois pescadores, provocando a destruição de diversos atracadores, além de inundar casas e prédios comerciais.

A conclusão da origem do fenômeno é dos cientistas Bertrand Chapron, do Instituto Francês de Exploração e Pesquisas Oceânicas, IFREMER, e de seu colega, Fabrice Collard. O estudo é baseado em dados captados pelo Radar de Abertura Sintética a bordo do satélite europeu Envisat, que monitora e rastreia o movimento dos marulhos, grandes ondas oceânicas que se propagam a longas distâncias, também conhecidas como swells.

Ao contrário dos tsunamis, que são ondas provocadas por algum tipo de evento sísmico, os swells são originados por agitação oceânica provocada por fortes tempestades.

"Muitos marulhos ainda chegam de surpresa e infelizmente podem causar mortes", sentenciou Chapron. "Os modelos de onda baseados nas informações do SAR nos permite localizar e rastrear os marulhos de forma global, mas ainda não permitem antecipar sua formação, intensidade e tempo de chegada. Estamos bem perto disso", completou.

As ondas que atingiram o arquipélago estavam previstas nos modelos de onda, mas a altura seria de menos de dois metros. Os fortes marulhos são geralmente precedidos por mar calmo, o que torna impossível prever sua chegada à praia.

De acordo com Collard, o radar SAR pode tipicamente observar comprimentos de onda entre 12 e 25 segundos pico-a-pico e grandes períodos estão relacionados a eventos de maior intensidade. Ainda de acordo com o cientista, a onda que atingiu as Ilhas Reunião tinha um período de 19 segundos e teve seu início a partir de uma intensa tempestade ocorrida no dia 8 de maio.

À medida que se aproxima da costa, o sistema de ondas decresce, formando ondas individuais que atingem a praia com até duas vezes a altura da onda inicial. Dessa forma, uma onda de 7 metros em alto-mar pode facilmente chegar a 15 metros ao quebrar na praia.

Chapron e Collard atualmente trabalham em um projeto que tornará disponível até o final deste ano, modelos globais de previsão de marulhos, que poderão ser acessados diretamente pelo público interessado. "Os produtos serão muito úteis para centros de meteorologia, de modo a complementar a precisão de seus modelos de ondas", disse Collard.


ENVISAT
O satélite Envisat é equipado com versões avançadas do instrumento SAR, conhecido como ASAR. Seus sensores são capazes de fazer pequenas imagens da superfície do mar ao longo de 100 quilômetros da órbita do satélite.

Essas pequenas cenas, conhecidas como "imagettes", representam as alturas individuais das ondas e são então matematicamente transformadas para demonstrar seus pontos de ruptura, energia e direção, criando uma espécie de espectro de ondas oceânicas.

Uma típica imagem do instrumento SAR cobre uma área de 400 quilômetros, suficiente para captar fenômenos de mesoescala, como as tempestades tropicais. Enquanto um satélite convencional utiliza comprimentos de onda visíveis e infravermelhos para estudar a rotação no topo das nuvens de um furacão, os pulsos de radar do Envisat mostram a superfície abaixo da turbulência, permitindo análises mais acuradas do comportamento das ondas e das correntes.

Durante as tempestades, ondas de todos os comprimentos e direções são geradas. Ao se distanciarem da zona de turbulência se dispersam e aquelas com maior período se propagam mais rápido. Alguns marulhos são capazes de se propagar por até doze dias antes de atingirem a costa.

Foto: momento que uma das ondas quebrava na praia na ilha Saint-Lieu, no arquipélago das Reunião. Acima, modelo de ondas a partir de dados gerados pelo Envisat, mostra o deslocamento do marulho. Foto: France Presse.







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