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Editoria: Clima e Meteorologia
Terça-feira, 30 mar 2010 - 11h35

Onda Kelvin fortalece novamente fenômeno El Niño

O padrão climático conhecido como El Niño é a maior causa da variabilidade climática de larga escala observada nos trópicos. Durante os eventos de El Niño, as águas do oceano Pacífico central e oriental se tornam mais quentes que o normal e são mantidas assim por grandes ondas suaves de água morna, chamadas ondas Kelvin, que se propagam da Indonésia em direção à América do Sul.

Onda Kelvin
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A série de globos vista acima mostra a progressão em sentido leste de uma dessas profundas ondas de Kelvin, monitorada entre janeiro e fevereiro de 2010. Os valores apresentam a anomalia da altura do nível do mar, onde as cores avermelhadas indicam locais em que a superfície da água é maior que a média, enquanto os tons azuis mostram elevações inferiores à média.

Níveis maiores que a média indicam a existência de uma camada de água morna mais profunda que o normal, enquanto níveis mais baixos significam camadas mais rasas de água aquecida.

Altura da superfície do mar é uma indicação clara da elevação da temperatura, uma vez que a água expande-se ligeiramente à medida que se aquece e contrai-se quando resfria. Segundo os dados coletados, a elevação na altura do nível do mar no Pacífico central e oriental indica uma anomalia térmica entre1 e 2 graus Celsius na temperatura do oceano.


Evolução
Os gráficos mostram que entre 15 e 30 de janeiro a altura da superfície do mar em todo o Pacífico equatorial central e oriental estava elevada, mas com tendência à normalização ao longo do tempo, sinal de que o El Niño estava se enfraquecendo. Entretanto, no início de fevereiro uma forte anomalia surge no nordeste da Austrália e se propaga em direção leste.


Como surgem as ondas Kelvin
Em condições normais, os ventos predominantes de leste empurram a água do mar aquecida pelo Sol desde a Indonésia até as Américas, formando no Pacífico ocidental um grande reservatório de água aquecida. Durante os eventos de El Niño, os ventos alísios diminuem de intensidade e até mesmo se invertem algumas vezes por mês. Quando isso acontece, um forte pulso de água quente do Pacífico ocidental desliza para trás em direção ao leste.

Esta profunda oscilação marca o início da onda de Kelvin que se espalha em sentido leste pelo Pacífico central. Essa mudança perturba não só as correntes de superfície, mas também a circulação do oceano profundo com influência direta sobre a termoclina, a fronteira entre as águas mais quentes da superfície do mar e as águas frias em níveis mais profundos.

Um evento similar e mais fraco teve início em junho de 2009 e disparou o fenômeno El Niño ativo até agora e revigorado ainda mais pela atual onda Kelvin.

Saiba mais sobre o El Niño


Arte: Série de observações coletadas pelo satélite Jason-2 mostra a evolução de uma onda Kelvin se propagando desde o nordeste da Austrália até a costa da América do Sul, fortalecendo novamente o atual evento de El Nino, iniciado em julho de 2009. Crédito: Nasa/Modis.







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