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Editoria: Espaço - Onibus Espacial
Segunda-feira, 01 fev 2005 - 07h00

Há dois anos a tragédia da Columbia chocava o mundo

Esta é a homenagem do Apolo11 aos astronautas Rick D. Husband, William C. McCool, David Brown, Laurel Blair Salton Clark, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, and Kalpana Chawla, que dedicaram suas vidas em nome da ciência e busca do conhecimento.

- Columbia, nós copiamos sua mensagem sobre a pressão do sistema hidráulico, mas não copiamos a última.
- Entendido.

Foi com essas palavras que encerrou-se o trágico vôo da missão STS-107 do ônibus Espacial Columbia, na manhã do dia 1 de fevereiro de 2003.

Os sete membros da tripulação estavam a apenas 16 minutos do pouso em Cabo Canaveral, na Flórida, quando o centro de controle da missão, em Houston, perdeu o contato com a espaçonave. Um dos painéis de carbono reforçado se desprendeu do tanque externo durante o lançamento, causando o rompimento de uma das secções da asa esquerda, provocando a tragédia na re-entrada. Os sete astronautas morreram.

Nesta semana, diversas celebrações nos Estados Unidos lembrarão a fatídica data, ocorrida há dois anos. Em pronunciamento à nação, o presidente George Bush disse que "a humanidade é conduzida na escuridão além de nosso mundo pela inspiração da descoberta e necessidade do saber", e completou: "Nossa jornada rumo ao espaço não deve parar".

A missão STS-107 decolou no dia 16 de janeiro de 2003, para um período de 17 dias de experimentos científicos relacionados à microgravidade.

Comandado pelo veterano astronauta Rick D. Husband, e pelo piloto William C. McCool, o vôo STS-107 teve problemas já na decolagem, quando uma das peças de carbono que revestem o tanque externo se desprendeu e atingiu a asa esquerda (foto ao lado). Os controladores da missão detectaram o desprendimento da peça, mas não revelaram aos tripulantes o incidente, acreditando que poderiam comprometer a segurança do vôo.

Em órbita, a missão seguiu aparentemente tranquila, como mostram diversas gravações. Ostripulantes aparecem sempre sorrindo, fazendo piadas e brincando bastante. Foi durante o início da re-entrada, ou interface de re-entrada,às 13h44 UTC do dia 01, que as anomalias começaram a ser percebidas e somadas. A nave estava a 394 km de altitude e sua velocidade era de quase 30 mil km/h.

Acompanhe o momento da re-entrada.

01 de fevereiro de 2003 - Hora de Brasília

11h50 - Cinco eventos telemétricos não esperados são registrados. Neste momento a Columbia entra na fase onde se inicia o pico do aquecimento da re-entrada. Sua velocidade é de 29.500 km/h e a nave já baixou 310 km. Sua altitude agora é de 80 km sobre o oceano Pacífico, rumando em direção à costa oeste americana.

11h51 - Uma série de alarmes começa a disparar de forma aleatória.

11h52 - O primeiro sinal claro de que algo grave havia ocorrido era detectado. Os alarmes indicam que os aviônicos, sistema relacionados à navegação, não estão se comportando da forma esperada. A nave, agora comandada pelos computadores de bordo, continua descendo e neste momento está a 77 km de altitude.

11h52 - A temperatura do compartimento do trem de aterrisagem ultrapassa a marca padrão.

11h53 - A temperatura no compartimento está 16 graus acima do normal. As comunicações com o centro de controle da missão ficam entrecortadas. As antenas não permanecem apontadas. A nave desce de forma errática.

11h53m29s - A Columbia entra em território norte-americano pelo estado da Califórnia, ao mesmo tempo que os sensores na parede externa da fuselagem, acima da asa esquerda, registram uma elevação de 30 graus nos últimos cinco minutos. Os sensores no lado direito indicam uma elevação de apenas 8 graus, considerada normal.

Não há dúvidas de que um grave problema de aquecimento havia ocorrido no lado esquerdo da nave.

11h53m49s - Vinte segundos mais tarde, placas de cerâmicas que protegem a aeronave do calor da re-entrada começam a se desprender. Observadores em terra vêem pequenos pedaços incandescentes brilharem no céu da Califórnia. A nave está a 27.700 km/h, a 76 km de altitude.

A partir de então, durante quatro minutos, outras centenas de placas de revestimento começam a se desprender. Em comunicado com o centro de controle, os astronautas reportam problemas nos sistemas hidráulicos.

11h58 - Sem parte da proteção térmica e com um grande buraco na asa, o arrasto tira a nave do curso. Os computadores de bordo ainda tentam movimentar as aletas da asa esquerda e colocar a Columbia no caminho certo. Observadores texanos, acostumados a ver a perfeita re-entrada do ônibus espacial, agora vêem um céu salpicado de pontos incandescentes. A uma velocidade de 21 mil km/h, a 63 km de altitude, a Columbia está literalmente se desmanchando.

11h59 - Tripulação e controle da missão discute sobre a pressão nos sistemas hidráulicos. Neste momento cessam as comunicações.

  • Ouça última comunicação entre os astronautas e o controle da missão
    Controle da Missão:
    "And Columbia, Houston, we see your tire pressure messages, and we did not copy your last."
    Tripulante:
    "Roger." ?????

    Tradução:
    -Columbia, aqui Houston, nós recebemos sua mensagem sobre a pressão dos sistemas hidráulicos, mas não copiamos a última.
    - Entendido. (indecifrável)







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