Espaço - Ciências - Fenômenos Naturais
Compartilhe! 

Editoria: Astronomia
Sexa-Feira, 30 jun 2016 - 07h02

Impacto Espacial: Há 108 anos ocorria o grande Evento de Tunguska

Há 108 anos, por volta das 07h17 da manhã de 30 de junho de 1908, uma gigantesca explosão de origem desconhecida foi ouvida pelas poucas pessoas que habitavam a região do Rio Tunguska, no centro-norte da Sibéria. Sem saber, esses habitantes estavam presenciando a mais impressionante entrada espacial ocorrida na Terra na era Moderna.

Segundo Don Yeomans, cientista-chefe do NEO, Laboratório de Objetos Próximos à Terra, da Nasa, passado um século do Evento de Tunguska, alguns ainda debatem sobre os possíveis cenários do dia do acontecimento, mas a teoria geral acordada é que naquela manhã de 1908 uma gigantesca rocha de 120 metros se chocou contra a alta atmosfera da região da Sibéria, provocando a explosão.

Estima-se que o asteróide, de 1.1 milhão de toneladas, entrou na atmosfera terrestre a 54 mil km/h e durante sua rápida imersão aqueceu o ar ao seu redor a uma temperatura de 24000 ºC. A combinação de pressão e calor provocou a fragmentação da rocha, produzindo uma bola de fogo que liberou energia equivalente à explosão de 480 bombas de Hiroshima.

Segundo relatos da época, por diversos dias o céu da Europa e Ásia se tornou claro e avermelhado. Modelos matemáticos recentes mostram que a onda de choque criada na hora do impacto circundou a Terra por duas vezes através da atmosfera.


Sem Marcas ou Crateras
Apesar da explosão ter ocorrido em 1908, as primeiras expedições científicas chegaram ao local somente 19 anos depois, após uma série de tentativas frustradas de se atingir a região, dificultadas pelas severas condições siberianas e pala falta de interesse do regime czarista.

Devido o impacto ter ocorrido a pelo menos 9 mil metros de altitude, não houve marcas ou crateras deixadas na superfície, mas pelo menos 2 mil quilômetros de florestas foram completamente destruídas abaixo do local do ponto de entrada. Isso gerou uma série opiniões divergentes e conspiratórias, entre elas a possibilidade da queda de uma nave espacial e até mesmo a explosão de uma bomba alienígena.


Probabilidade
Estima-se que asteróides do mesmo tamanho que atingiu Tunguska penetre nossa atmosfera a cada 300 anos, mas isso não significa que teremos um evento similar nos próximos 200 anos. Segundo Yeomans, essa estimativa é uma média baseada nas melhores condições científicas atuais. "Vejo esses números do ponto de vista estritamente matemático e a possibilidade de um evento similar ocorrer não me tira o sono", disse o cientista.

Com o avanço dos instrumentos e técnicas de detecção, diversas expedições científicas estão previstas para os próximos três anos na região. Serão analisados principalmente material do solo e restos de plantas e animais que possam ter presenciado o evento. O objetivo será a confrontação dos resultados com os dados já coletados em outras áreas onde supostamente teriam ocorrido eventos semelhantes.

Mais artigos sobre o Impacto de Tunguska


Fotos: As imagens mostradas foram feitas em 1927 pelo mineralogista soviético Leonid Kulik, especialista em meteoritos e líder das primeiras expedições à região. As cenas mostram a região siberiana abaixo do impacto do asteróide e o efeito de "entortamento" das árvores. Efeito semelhante só seria visto novamente em 1945 na cidade japonsesa de Hiroshima. Crédito: Wikimedia Commons e Museu Natural de São Petersburgo.







Apolo11.com - Todos os direitos reservados - 2000 - 2018
Política de Privacidade   |     Termo de Uso e Licenciamento   |  -   Entre em Contato

"O homem é sábio quando procura a sabedoria. Quando pensa que a encontrou é burro." - Talmud