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Editoria: Astronomia
Quarta-feira, 29 ago 2007 - 09h52

Eclipse da Lua permite estudo de impactos de meteoros

A maior parte das pessoas que observam um eclipse lunar percebe que as diversas fases do evento acontecem silenciosamente, em um ritmo bastante suave. Um eclipse lunar é antes de tudo, um fenômeno tranqüilo e sem grandes emoções.

No entanto, para alguns observadores um eclipse lunar pode ser um momento de muita ação e explosão. Pelo menos é o que o astrônomo Bill Cooke, da Nasa, esperava do eclipse total da última terça-feira. Durante os 91 minutos em que a Lua permaneceu na escuridão, Cooke e seus companheiros registraram diversas cenas do nosso satélite em busca de flashes de luz, causados pelo violento impacto de meteoróides contra a superfície lunar.

"O eclipse é o melhor momento para se olhar para a Lua", diz Cooke, que dirige o MEO, um departamento do Centro Espacial Marshall, da Nasa, que estuda o impacto de meteoróides. No momento do eclipse, mais de 5 milhões de quilômetros quadrados ficaram obscurecidos pela sombra da Terra e se tornaram o alvo dos instrumentos de Cooke.

As explosões provocadas por meteoróides na superfície da Lua não são recentes. A equipe de Cooke vem monitorando nosso satélite desde 2005 e desde então mais de 62 impactos já foram registrados. Os meteoróides que chegam à Terra se desintegram na atmosfera, produzindo inofensivas fagulhas luminosas, conhecidas como meteoros ou estrela cadente. Mas na Lua, onde não existe atmosfera, os meteoróides se chocam contra o solo. Tipicamente, o impacto libera muita energia, que em muitos casos ultrapassa o equivalente a 100 toneladas de TNT. O impacto produz crateras de vários metros de diâmetro, causando o surgimento de flashes tão intensos que podem ser vistos da Terra com auxílio de telescópios comuns.

De acordo com Danielle Moses, integrante do MEO, pelo menos metade dos impactos já registrados pela equipe foram causados pelas chuvas regulares de meteoros, como Perseídeas e Leonídeas. "A outra metade está associada a asteróides e cometas, mas nenhum em particular", explica a cientista.

O observatório MEO está localizado nas dependências do Centro Espacial Marshall, da Nasa, em Huntsville, no Alabama. Suas instalações consistem de dois telescópios de 36 centímetros de abertura, equipados com duas câmeras CCD de alta sensibilidade.

Moser e sua colega de pesquisa, Victoria Coffey, trabalharam durante o eclipse de 28 de agosto no interior do observatório e durante o evento fizeram diversas imagens da Lua. O objetivo era captar imagens de uma classe muito especial de meteoróides, chamada Helions.

"Os meteoróides Helions têm esse nome pois parecem vir da direção do Sol", diz Cooke. "Isso os torna muito difícil de serem observados aqui da Terra. Eles riscam o céu quase sempre ao redor do meio-dia local, quando os raios de sol são muito intensos e impedem sua observação".

É importante lembrar que os meteoróides Helions não têm o Sol como fonte. Segundo Cooke, esses objetos podem ter como origem algum antigo cometa, que deixou seu rastro de poeira nas vizinhanças da estrela , mas ninguém pode ter certeza absoluta de onde realmente eles vêm e esse é um dos estudos do MEO.

São grandes as dificuldades de se observar os Helions. Os astrônomos somente conseguem vê-los por um breve momento antes ou depois do sol se pôr, e geralmente o número de eventos registrados é baixo. Diversas tentativas de estudar os meteoróides durante o dia também são regularmente tentadas, mas os resultados são abaixo do esperado, mesmo empregando as técnicas convencionais através de radar, rádio-interferência e surtos de propagação causados por tempestades solares. Esses métodos produzem "pings" característicos, provocados pela perturbação do campo eletromagnético durante a passagem de um meteoro.

Assistir aos Helions atingirem a Lua e estudar os flashes produzidos pode dar várias pistas aos cientistas. Dados como velocidade, tamanho e penetração no solo podem produzir centenas de outros parâmetros e estimar, por exemplo, os danos que esses objetos podem produzir nas naves espaciais nas futuras missões à Lua.

Até agora, os impactos nunca haviam sido estudados durante um eclipse, mas "sempre há uma primeira vez para tudo", diz Cooke.

Fotos: Na primeira cena vemos parte do observatório MEO, nas dependências do Centro Espacial Marshall, da Nasa. na seqüência vemos um mapa da Lua, indicando os diversos impactos registrados pelo MEO desde dezembro de 2005.
Clique sobre as imagens para vê-la ampliadas. Todas as imagens: cortesia NASA/MSFC.







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