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Editoria: Espaço - Brasil no Espaço
Terça-feira, 5 jan 2010 - 07h41

Lançamento de satélites enfrenta barreiras em Alcântara (MA)

O programa espacial brasileiro enfrenta mais um obstáculo na tentativa de se sobressair no mercado internacional de lançamento de satélites. Recentemente, a empresa binacional ACS (Alcântara-Cyclone Space), uma união do Brasil e da Ucrânia, renunciou a disputa por terras com comunidades quilombolas no Maranhão.

Base de lançamento de Alcântara

A ACS deverá se instalar numa área da Aeronáutica dentro do Centro de Lançamento de Alcântara pagando um aluguel de R$ 113 mil. Segundo a empresa, a área é suficiente para o desenvolvimento da plataforma de lançamentos do Cyclone-4, mas adia o projeto do governo de transformar a região em um parque tecnológico.

É um processo lento, no qual os quilombolas precisam ser convencidos a abrirem mão de algumas de suas áreas para que outras empresas se instalem, diz o diretor Roberto Amaral. Em troca, o desenvolvimento local poderá trazer novas perspectivas para a vida social da região.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, ainda não abriu mão do projeto. Ganem quer levar a Alcântara o mesmo modelo de desenvolvimento da Guiana Francesa. A ACS quer criar até 1.200 empregos quando os foguetes estiverem sendo lançados no Centro de Alcântara.

Já os quilombolas veem com grande desconfiança os benefícios trazidos pelo Programa Espacial Brasileiro e o relatório de impacto ambiental do projeto da ACS. Os moradores relembram a criação do Centro de Lançamento de Alcântara, na década de 1980, quando comunidades inteiras foram transferidas para regiões afastadas.

Hoje, as famílias que dependem da pesca e viviam perto do litoral, precisam caminhar a pé cinco horas para conseguir pescar. Os moradores reclamam que os lotes são muito pequenos e pouco férteis. Muitas casas já foram, inclusive, abandonadas.

Em meio às dificuldades, o projeto de colocar um foguete brasileiro em órbita este ano está atrasado. O VLS (Veículo Lançador de Satélites) que pretende colocar satélites de até 400 kg em órbita baixa foi retomado, mas só deve ter um primeiro lançamento experimental em 2011.


Foto:Visão aérea do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, em 2008. Crédito: Ministério da Ciência e Tecnologia.







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