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Editoria: Espaço - Tecnologias
Segunda-feira, 25 ago 2008 - 10h19

Missão STS-125: O conserto do Telescópio Espacial Hubble

A próxima missão do ônibus espacial, prevista para outubro de 2008, deverá realizar uma das mais importantes tarefas de reparo espacial. Batizada de STS-125 a missão fará a última visita de conserto e melhorias ao telescópio espacial Hubble, deixando-o melhor e mais preciso para seus próximos cinco anos, ou mais, de operação.

Telescópio Hubble

O telescópio Hubble está em operação desde 1990, quando foi colocado em órbita pelo ônibus espacial Discovery a 565 km de altitude. Desde então o telescópio circulou a Terra por mais de 97 mil vezes e forneceu a mais de 4 mil astrônomos a possibilidade de estudar estrelas que não podem ser vistas da Terra devido à interferência da atmosfera.

"Atualmente conseguimos ver objetos que emitiram luz há 13 bilhões de anos", diz Dave Leckrone, cientista sênior do telescópio. "Como o universo tem aproximadamente 13.7 bilhões de anos, o que vemos é sua infância, seu berçário".


Novos Instrumentos
A STS-125 será a quinta missão de reparo a voar até o telescópio. Seus predecessores substituíram e repararam componentes danificados e adicionaram avançadas câmeras e equipamentos científicos, que deixaram o Hubble cada vez mais poderoso. E desta vez não será diferente.

Um dos instrumentos que deverá ser instalado no interior do telescópio será o COS - Cosmic Origins Spectrograph ou espectrógrafo de Origens Cósmicas - um instrumento de 70 milhões de dólares do tamanho de um telefone, desenvolvido pela universidade do Colorado. O instrumento terá a função de analisar a absorção da luz vinda de quasares muito distantes após passar pelas nuvens de gás das galáxias em seu caminho. Essa análise permitirá aos cientistas conhecerem a composição do gás cósmico, como se altera com o tempo e como afeta as galáxias ao seu redor.

Outro instrumento que será adicionado ao telescópio Hubble será a WFC3 (Wide Field Camera 3 ou Câmera de Campo Largo 3), uma câmera capaz de fazer imagens em ultravioleta e infravermelho de larga escala e extremamente limpas e detalhadas. A WFC3 também poderá captar imagens no espectro visível, mas não com o mesmo detalhamento da câmera atual, a ACS. Segundo Leckrone, ambas as câmeras trabalharão em conjunto, de forma complementar.


Trabalho Intelectual
Para que esses e outros instrumentos sejam instalados será necessário uma série de caminhadas espaciais, mas que serão muito diferentes das tradicionais caminhadas feitas na Estação Espacial, ISS.

Telescópio Hubble

Enquanto na montagem da Estação Espacial os astronautas devem manipular grandes peças como guindastes, andaimes e módulos, no telescópio Hubble os astronautas terão um trabalho mais científico e intelectual. Tony Ceccacci, diretor de vôo da missão explica: "O trabalho na ISS se assemelha ao da construção civil enquanto o trabalho no Hubble se compara ao de uma cirurgia cerebral".

Apesar da instalação dos novos equipamentos e a troca de alguns itens, como giroscópios, baterias e um sensor de guiagem ser um grande desafio, a atividade de reparos deverá ser a mais complicada.

A nova câmera WFC3 e o espectrógrafo COS foram projetados para serem instrumentos científicos complementares aos já existentes no telescópio, entre eles a câmera ACS e o espectrógrafo STIS. No entanto esses instrumentos apresentaram algumas falhas nos últimos anos e peças específicas dentro deles precisam ser substituídas. O problema é que esses instrumentos não foram projetados para serem reparados no espaço.


Dezenas de Parafusos
Mesmo considerado um trabalho difícil, a equipe de Ceccacci tem confiança que a missão será realizada corretamente, mas todos sabem que não será fácil. Para consertar o espectrógrafo, por exemplo, será necessária a remoção de mais de 100 parafusos apenas para acessar a placa principal do computador, que será substituída.

Scott Altman, comandante da STS-125, acredita que essa missão será muito importante para adquirir prática em consertos espaciais. "Imagine uma missão a Marte. Você não vai querer levar uma caixa gigantesca de peças de reposição, quando apenas a troca de um pequeno transistor resolveria o problema".


Inspeção Externa
Durante a missão, não só as tarefas externas serão diferentes das tradicionais missões à ISS. Sem a ajuda da tripulação da Estação, a inspeção da proteção térmica deverá ser mais intensiva e feita por meios próprios. Para isso os astronautas usarão as câmeras e sensores acoplados ao braço robótico de 17 metros que inspecionará não apenas o nariz da nave, mas toda a fuselagem e extremidade das asas, além da parte superior e inferior da cabine.


Tripulação
O lançamento do ônibus Atlantis está previsto para o dia 8 de outubro às 02h34 da manhã e será comandado por Scott Altman e o piloto Gregory Johnson. A tarefa de conserto e upgrade do telescópio ficará sob responsabilidade dos especialistas Andrew Feustel, Michael Good, John Grunsfeld, Mike Massimino e Megan McArthur. Como em todas as operações da Nasa toda a missão será transmitida pela NASA-TV, retransmitida diariamente pelo ApoloChannel.

Fotos: No topo, missão STS-109 em março de 2002, a terceira de conserto no telescópio. Na seqüência vemos o telescópio antes e depois do conserto, com novos painéis instalados. Crédito: Nasa.







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