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Editoria: Exploração Espacial
Terça-feira, 2 dez 2008 - 10h14

Fonte de gêiseres de lua de Saturno pode ser água subterrânea

Cientistas ligados ao Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, JPL, e às universidades do Colorado e Flórida Central acreditam terem encontrado fortes indícios de que os jatos supersônicos de gás e poeira que jorram em uma das luas de Saturno ocorrem devido à presença de água em estado líquido abaixo do solo. Os dados que possibilitaram essa dedução foram gerados pela sonda Cassini, que orbita o planeta desde 2004.

Concepçao artíistica de Enceladus

A equipe, incluindo o professor Joshua Colwell, descobriu que a fonte dos gêiseres da lua Enceladus é o fluxo de água no interior das rachaduras que conduzem água aquecida em velocidades supersônicas. Segundo Colwell, as recentes observações sugerem que a alta velocidade dos jatos só pode ser conseguida na presença da água no estado líquido. De acordo com Candice Hansen, do JPL e principal autora do trabalho, as velocidades atingidas, de mais de 2 mil km/h, "são quase impossíveis de serem obtidas sem a presença de líquido".

No caso de Enceladus, os cientistas acreditam que os cristais de gelo se condensam a partir do vapor que escapa das fontes de água e vazam através das frestas da crosta gelada da lua. Imagens da sonda Cassini captadas entre 2005 e 2006 já haviam revelado a possibilidade de que os jatos jorrados da superfície de Enceladus continham vapor de água.

"Só existem três lugares no Sistema Solar que sabemos ou suspeitamos que exista água líquida próximo à superfície", disse Colwell. "A Terra, a lua Europa, de Júpiter e agora Enceladus, em Saturno. A água é o ingrediente básico para a vida como a conhecemos. Se confirmarmos que a força de maré seja a responsável pelo aquecimento da água que provoca os gêiseres, pode ser que esse fenômeno seja bem comum no sistema planetário, o que torna a descoberta ainda mais interessante.

Outra possibilidade sugere que as plumas de gás e poeira são causadas pela evaporação muito rápida do gelo exposto ao espaço no momento que as forças de maré provocam grandes rachaduras no pólo sul de Encéladus. No entanto, os pesquisadores detectaram mais vapor de água nas rachaduras em 2007, quando os modelos indicavam que deveria haver menos, por isso a teoria não ganhou força.

"Na minha cabeça, a evidência está se acumulando em favor da água em estado líquido", disse Carolyn Porco, cientista do JPL e chefe da equipe responsável pelos dados da câmera da Cassini.

Força de Maré
A força de maré é um efeito secundário da força gravitacional e é responsável pelas marés na Terra e no espaço. Ela surge porque a aceleração da gravidade a que uma grande massa é submetida não é constante em todo o seu diâmetro. Assim, um dos lados do objeto tem uma maior aceleração relativa ao centro de massa, enquanto o outro lado do corpo tem menor aceleração.

As forças de maré podem provocar efeitos de alta intensidade, como os verificados na lua Io, em Júpiter. Io possui seu movimento de rotação sincronizado ao planeta, mas os efeitos de maré gerados pela interação gravitacional entre Io, Júpiter e as luas Europa e Ganimedes criam um intenso vulcanismo, atribuído à energia produzida pelas forças de maré desse sistema de quatro corpos.


Fotos: No top, concepção artística mostra pluma de vapor e Saturno vistos a partir da superfície de Enceladus. No detalhe, pluma de vapor registrada pela sonda Cassini, em 27 de novembro de 2005. Clique para ampliar. Crédito: Nasa/JPL.







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