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Editoria: Exploração Espacial
Sexta-feira, 21 mar 2008 - 10h54

Sonda Cassini encontra evidência de água subterrânea em Titã

Cientistas do Laboratório de Física Aplicada da universidade Jonhs Hopkins, nos EUA, confirmaram que imagens de radar feitas pela espaçonave Cassini apontam para existência de um grande reservatório de água e amônia abaixo de Titã, a maior lua de Saturno. De acordo com a revista Science, onde o trabalho foi publicado, a descoberta foi possível através do estudo da rotação de Titã.

"Com suas dunas orgânicas, canais e montanhas, Titã possui a mais ativa e variada superfície similar à Terra em todo o Sistema Solar", disse Ralph Lorenz, autor do trabalho e cientista especializado nas imagens do radar da sonda Cassini. "Agora temos uma melhor compreensão do modo como Titã rotaciona. Isso permite uma análise mais precisa do interior do satélite, bem além de sua superfície", explicou Lorenz.


A Descoberta
Para que a descoberta fosse possível, os membros da missão utilizaram o Radar de Abertura Sintética a bordo da Cassini, e coletaram imagens feita em 19 órbitas diferentes sobre Titã durante o período entre outubro de 2005 e maio de 2007. Como os sinais de radar são capazes de ultrapassar a densa camada de metano que domina a atmosfera do satélite, os cientistas tiveram acesso a inúmeros detalhes da superfície jamais vistos, o que permitiu demarcar novas localizações na superfície.

Através de imagens de radar coletadas anteriormente, Lorenz e sua equipe estabeleceram 50 pontos de referência na superfície de Titã, entre eles lagos de metano, cânions e montanhas. Quando as novas imagens foram comparadas às anteriores, detectaram que alguns detalhes geográficos da superfície haviam se deslocado de suas posições em mais de 30 quilômetros. Um deslocamento dessa magnitude é muito difícil de ser explicado a menos que a gelada crosta tenha se desprendido do núcleo pela ação de um oceano interno, facilitando o seu movimento.

De acordo Bryan Stiles, co-autor da pesquisa e ligado ao JPL, Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, os modelos indicam que menos 100 quilômetros abaixo da superfície, gelada e rica em metano, deve haver um oceano formado pela mistura de água e amônia.

O estudo de Titã é a maior meta da missão Cassini-Huygens, já que o satélite pode preservar, sob baixíssimas temperaturas, muitos dos componentes químicos que precederam a vida na Terra. Titã é única lua no sistema solar que possui uma atmosfera densa. Com um diâmetro de 5 mil quilômetro é a segunda maior lua do Sistema solar, um pouco menor que a jupteriana Ganimedes. Titã também é maior que Mercúrio e Plutão.


Astrobiologia
A combinação de um ambiente organicamente rico e água em estado líquido é um convite aos astrobiologistas. "O estudo mais aprofundado da rotação de Titã nos trará um melhor conhecimento do sistema hídrico em seu interior. Além disso, como a rotação da crosta está ligada aos ventos na atmosfera, em breve deveremos observar variações sazonais na rotação", explicou Lorenz.


Nova Aproximação
Além da descoberta do possível oceano abaixo da superfície de Titã, os cientistas do projeto também estão ansiosos pela chegada do dia 25 de março, quando a Cassini novamente fará uma grande aproximação da superfície da Lua, chegando a apenas mil quilômetros de altitude. Durante o evento a sonda empregará seu espectrômetro de massa para examinar a atmosfera superior de Titã e imediatamente após a máxima aproximação outro espectrômetro de mapeamento, trabalhando nos comprimentos de onda visível e infravermelho, fará imagens de alta resolução do quadrante sudeste do satélite.

A sonda Cassini-Huygens é missão conjunta entre as agências espaciais européia, norte-americana e italiana e é coordenada pelo JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que também construiu o orbitador Cassini. A nave consiste de dois elementos principais: o orbitador Cassini e a sonda Huygens. Foi lançada a 15 de Outubro de 1997 e entrou na órbita de Saturno no 1° de Julho de 2004

Artes: No topo, corte transversal de Titã mostra a possível localização do oceano subterrâneo. No detalhe, a sonda Cassini e órbita de Saturno. Crédito: Laboratório de Propulsão a Jato/NASA.







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