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A volta do El Niño Clássico ou Modoki e o inverno 2014

Notícia enviada em 26/05/2014
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Após um ",jejum", de quase 5 anos, o fenômeno climático El Niño, que consiste no aquecimento das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial, apresenta grandes probabilidades de se manifestar ainda durante o inverno de 2014. Como a Climatologia trabalho com modelos numéricos e estatísticos fixa-se em cerca de 60% a probabilidade de desenvolvimento do El Niño en em junho próximo, passa dos 65% em julho e fica superior aos 70% em agosto, segundo prognósticos do NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) - espécie de NASA da Oceanografia e Climatologia. O embasamento desses prognósticos é que a temperatura superficial do mar (TSM) na região do Pacífico Equatorial vem apresentando valores acima da média climatológica desde o mês de abril.

Oscilação Decadal do Pacífico

O ciclo entre eventos de El Niño e sua contraparte La Ninã (resfriamento das águas superficiais e subsuperficiais do Pacífico) geralmente é de 6 meses a 18 meses de duração. Mas, há outro ciclo de variabilidade climática do Oceano Pacífico - a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que tem um período bem maior, entre 25 e 30 anos!

O pesquisador Steven Hare ",cunhou", o termo em 1996 ao pesquisar a conexão entre os ciclos da pesca de salmão no Alaska e o clima do maior oceano da Terra.

Várias pesquisas independentes concluíram que no século XX ocorreram dois ciclos completos da ODP, sendo uma fase fria ou negativa de 1890 a 1924 e novamente entre 1947 e 1976, enquanto uma fase quente ou positiva perdurou de 1925 a 1946, seguida de outra entre 1977 e 1999. já, portanto, no final do século passado! Seguindo esse raciocínio, isso (entre outros fatores), poderia explicar os verões secos entre meados dos anos 1950 e 1960. E evidentemente, também explicaria o verão anômalo extremamente seco neste ano (2014) na Região Sudeste do Brasil, sobretudo, já que estamos vivenciando época de picos da fase fria ou negativa da ODP... Mas, há outros fatores, os quais a TSM do nosso Oceano Atlântico entra em jogo, caso novamente do verão no início de 2014, uma vez que a TSM do Atlântico apresentava anomalia positiva entre as costas do Uruguai e do extremo sul do Rio Grande do Sul, ou seja, estavam mais aquecidas do que a média esperada para aquela época do ano naquela região. Esta fato garantiu o estacionamento de frentes frias naquelas costas. No Uruguai e no extremo sul gaúcho, houveram diversos temporais, enquanto nas regiões mais ao norte, seca severa em pleno verão...

Finalmente, o ciclo da ODP determinaria, então, que nas fases negativas a tendência é que ocorra um maior número de episódios de La Niña que tendem a ser mais intensos. Simultaneamente, ocorre uma frequência menor de eventos do El Niño que tendem a ser mais curtos e menos intensos. Já na fase positiva da ODP, a tendência é do maior número de episódios de El Niño que tendem a ser mais intensos. Por outro lado, se registra um menor número de La Niñas e que tendem a ser de fraca intensidade.

E... como fica o El Niño para 2014?

Reiterando que a ODP está numa fase fria ou negativa, o El Niño neste 2014, seria de rápida ",instalação",, porém de curta duração, pois ao contrário de eventos de El Niño Clássico ou Canônico (canônico provém do latim e significa, de acordo com os padrões ou normas estabelecidas), este seria classificado como do tipo ",Modoki",, pois não consegue aquecer por inteiro todas as regiões do Pacífico. Um exemplo típico de El Niño Clássico ou Canônico, ocorreu entre 1997 e 1998, justamente numa fase quente ou positiva da ODP...

Ainda há dúvidas sobre o tipo de El Niño

Mesmo atravessando uma fase fria de ODP, a NASA questiona se de fato não teríamos em 2014, um evento clássico de El Niño. Parece soar estranho, não?

A base para esse questionamento oferecido pela NASA, é o que o El Niño parece realmente se formar no Pacífico, claro, e que as condições se assemelham aos anos de 1997 e 1998 (conforme exemplificado acima), ano em que o episódio do fenômeno foi um dos mais fortes do século XX, conforme mapas de TSM, obtidos a partir de sensoreamento remoto.

“O que estamos vendo agora se assemelha a 1997 e se o padrão seguir poderemos ter um significativo El Niño no segundo semestre deste ano”, disse o pesquisador Eric Lindstrom, da NASA!

Porém, pesquisadores da Metsul, instituto de Meteorologia de São Leopoldo no Rio Grande do Sul, discordam da opinião de Lindstrom, pois segundo os brasileiros sulistas, para diversos períodos de ano comparativamente iguais (de março a maio) entre os anos de 1997 e 2014, há diferenças de anomalias de TSM, o que poderia voltar à possibilidade mesmo de ocorrer um El Niño mais fraco do tipo ",Modoki",...

Conclusões?

Vamos aguardar mais um pouco. Agora, o que realmente ",fica em tudo", é que independentemente de haver um El Niño Clássico ou Modoki, há uma boa probabilidade do inverno de 2014 ser menos rigoroso do que o do ano passado (2013) e de haver a esperança de chuvas mais regulares e distribuídas a fim de minimizar a baixa dos reservatórios de água, especialmente os do agonizante e sedento Sistema Cantareira....

Imagem anexa: quadro que fundamenta o questionamento dos pesquisadores brasileiros. Fonte: Metsul

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água - entidade que há 14 anos vem alertando sobre o drama do desabastecimento de água!

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