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Águas de março: Os impactos das chuvas no interior de Rondônia

Notícia enviada em 19/03/2007
por Daniel Panobianco - Ji-Paraná/RO
Cidades isoladas no interior de Rondônia passam despercebidas, mesmo com ações emergências do governo, comunidades e distritos sofrem com o inverno amazônico.

No vale do Guaporé, búfalos selvagens migram para áreas ainda não alagadas. Talvez passaria visível, mas não detalhada as intensas células de chuvas que atingiram grande parte do Estado de Rondônia no último final de semana. Em alguns pontos do centro-sul do Estado foram registrados impressionantes 200 milímetros de chuva, o que corresponde a mais da metade de precipitação esperada para a região durante todo o mês de março. Somente na tarde desta segunda-feira, após confirmação dos dados apresentados pelos centros coletores com os registros oficiais do CPTEC/INPE foi possível avaliar e analisar a fundo tamanho impacto que os temporais deram ao interior rondoniense entre a tarde de sábado e a noite do domingo.

Os municípios mais afetados pelas enxurradas foram: Primavera de Rondônia, São Felipe d’ Oeste, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura, Parecis, Alto Alegre dos Parecis e Alta Floresta d’ Oeste. Nessas localidades, o volume de chuva registrado só na noite de domingo, no período entre 18 horas e 23 horas (Hora Rondônia) passou de 100 mm em diversas propriedades rurais e vários pontos da zona urbana, principalmente em São Felipe d’ Oeste, a cidade mais castigada pelos temporais. Diversas rodovias que há poucos dias receberam manutenção do serviço de obras do DER (Departamento de Estradas e Rodagens) estão totalmente intrafegáveis devido as enormes crateras abertas e cabeceiras de pontes obstruídas pela força das enxurradas dos rios e córregos que transbordaram no final de semana. O ponto mais critico de trafegabilidade é na rodovia RO-491 entre São Felipe d’ Oeste e Santa Luzia do Oeste. Alguns pontos próximos ao distrito de Vila Cassol encontravam-se totalmente intrafegáveis até o inicio da noite desta segunda-feira. A força da água foi tamanha, que pelo menos três pontes foram levadas pelas águas entre as linhas L-13 e L-22 dentro do município de Santa Luzia do Oeste e mais duas pontes entre as linhas L-37 e L-41 no município de São Felipe d’ Oeste, próximo ao distrito de Novo Paraíso.

As intensas chuvas que vêem ocorrendo no interior de Rondônia nos últimos dias chama agora a atenção para outro fator, diga-se de passagem, o mais agravante. As informações repassadas por muitos produtores rurais dos municípios de São Francisco do Guaporé, Costa Marques e Alta Floresta d’ Oeste, são de que búfalos selvagens estariam transitando fora da Reserva Biológica do Guaporé, onde os mesmos são protegidos pela lei. As fortes chuvas que caíram na fronteira com a Bolívia elevaram e muito rios importantes dentro da Reserva, dentre eles o rio Branco que corta todo o interior de São Francisco do Guaporé e deságua no rio Guaporé, já na divisa com a Bolívia.

Em contato realizado com a SEDAM (Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia) do município de Costa Marques, a informação é mesmo de que supostamente, os búfalos teriam migrado nos últimos dias para pontos mais elevados da Reserva escapando das alagações e conseqüentemente, subindo o morro à procura de alimentos. O agrupamento do Exercito brasileiro que fica no Forte Príncipe da Beira em Costa Marques, disse que realizou sobrevôos na área e a imagem do solo “pisoteado” pelos animais denota que a elevação dos rios por conta das fortes chuvas teria repartido o rebanho em grandes grupos próximo a fazendas da região.

Os búfalos que hoje estão a milhares de cabeças em todo o vale do Guaporé, oeste de Rondônia, são frutos de um projeto estabelecido pelo Governo Federal ainda na década de 1980 para o povoamento da região do baixo Guaporé. No inicio eram pouco mais de 200 cabeças de gado, que tão logo foram deixadas na região, pois os investimentos ficariam caros demais para o mesmo. Anos se passaram, as autoridades não tomaram as devidas precauções contra o rápido aumento do rebanho, e hoje a região abriga mais de 10 mil búfalos selvagens.

A denominação de selvagem, deve-se ao fato de os animais, por terem ficado anos fora de contato com o homem e qualquer outro tipo de espécie na área, criaram seu próprio instinto selvagem, não permitindo mais então, a aproximação de pessoas e outros animais em grande parte do vale do Guaporé. Já houve registro de pessoas, pescadores que descem o rio Guaporé e até de moradores das comunidades ribeirinhas do baixo Guaporé, que foram atacadas pelos búfalos selvagens. Alguns animais são enormes e chegam a pesar uma tonelada, o que de fato, com as chuvas torrenciais, acaba compactando o solo com o peso e dizimando o alimento natural. Até hoje esses animais percorrem toda a Reserva, sem nenhuma política mais concreta de controle da espécie invadindo os povoados que circunvizinham o tão belo e rico vale do Guaporé.

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