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Carina, o grande berçário estelar do sul!

Notícia enviada em 08/12/2012
por Rodofo Bonafim - São Paulo/SP
A Grande Nebulosa na Constelação de Órion, designada por M42 (Catálogo de Charles Messier) é um nascedouro de muitas estrelas, assim como a Nebulosa Carina localizada na constelação do mesmo nome, um belíssimo objeto tanto para observação ao telescópio, como sob fotografia em noites especialmente límpidas nos locais distantes da poluição luminosa e atmosférica urbana (ver meu reporte sobre poluição luminosa em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Quao_escuro_e_o_seu_ceu&posic=dat_20120726-031730.inc.

Conforme um outro recente reporte meu https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Qual_e_o_aglomerado_globular_mais_belo__o_do_norte_ou_o_do_sul&posic=dat_20121208-044138.inc, de fato e sem presunção, pois é baseado em estatística também, o céu do hemisfério sul é o que possui maior quantidade de objetos interessantes à observação e fotografia, sejam nebulosas ou aglomerados estelares

A Grande Nebulosa em Órion pode ser bela e é até visível a olho nu como uma pequeníssima mancha esbranquiçada logo acima do chamado cinturão de Órion, que segundo a mitologia grega era um caçador gigante. Ao telescópio com aumento mediano pode-se vê-la com formato que lembra o de uma ave.

Com telescópios de diâmetro de espelho primário acima dos 50 centímetros, com algum esforço é visível sob uma muito tênue nuance esverdeada, mas em fotografias de longa exposição seus tons predominantes são os avermelhados, que sob análise espectral da luz representa a emissão de gás hidrogênio.

Bem, quanto à Nebulosa Carina, designada pelo New General Catalogue (NGC) sob número 3372, além de maior em extensão do que a nebulosa em Órion, eu a considero mais bela.

Inclusive, este objeto foi tema de uma nova imagem realizada a partir de uma combinação de outras fotos capturadas pelo VLT Survey Telescope, situado no Observatório de Cerro Paranal do Observatório Europeu do Sul (ESO) e divulgada muito recentemente (dia 06 de dezembro de 2012), por ocasião da inauguração oficial do telescópio na cidade de Nápoles, na Itália, pertencente ao Instituto Nacional de Astrofísica Italiano.

O telescópio de rastreamento do VLT, cuja sigla significa Very Large Telescope ou Telescópio de Grande Abertura, é um instrumento de 2,6 metros que possui uma câmera de 268 megapixels (as câmeras amadoras modernas têm em média 16 megapixels), a OmegaCAM. Foi concebido para mapear o céu rapidamente e com uma excelente resolução. Este novo telescópio é o maior telescópio do mundo dedicado exclusivamente a mapear os céus nos comprimentos de onda do espectro visível da luz (as famosas sete cores do arco-íris que juntas formam a luz branca, cujo olho humano enxerga no dia-a-dia).

As nuvens de gás brilhante da Nebulosa Carina são gigantescas e geralmente sua imagem completa não cabe no campo de visão das astrocâmeras, porém, para o VLT Survey Telescope e a sua câmera gigante, a OmegaCAM, que foi concebida para fazer grandes varreduras na abóbada celeste, isto não é problema, pois seu grande campo visual permite obter a imagem quase na totalidade desta fantástica nebulosa, astro de grande interesse à ciência, pois é berçário de novas estrelas.

Na classificação convencional para nebulosas, tanto a de Órion quanto à Carina, são nebulosas de emissão, onde nuvens de gás ionizado emitem várias cores. A fonte mais comum desta ionização são fótons altamente energéticos emitidos de estrelas jovens e quentes. Entre os diferentes tipos de nebulosas de emissão estão as regiões H II, nas quais a formação estelar decorre de jovens, e massivas estrelas as quais são fontes dos fótons mencionados.

Normalmente, uma jovem estrela irá ionizar parte da mesma nuvem que a viu nascer. Apenas estrelas grandes e quentes podem libertar a quantidade de energia necessária para ionizar uma parte significativa da nuvem.

Por vezes, isto é realizado por um grupo inteiro de jovens estrelas, pois já é sabido que normalmente as estrelas nascem em agrupamentos, sendo as Plêiades na Constelação do Touro (e visível neste época do ano), um exemplo notável de que nasceram juntas mas já estão em processo de dispersão.

O Sol, cujo nome quer dizer "solitário" deve ter nascido de uma extensa nuvem de gás juntamente com outras estrelas, sendo que se cogita a hipótese do astro-rei do nosso Sistema Solar ter uma companheira, a Nêmesis, que seria um estrela obscura e fugidia para além de um ano-luz de distância do Sol (cerca de dez trilhões de quilômetros).

Além do gás, a nebulosa é composta de muita poeira. Geralmente, as nebulosas têm centenas de anos-luz de extensão. Se pudéssemos viajar de uma ponta a outra das nebulosas, mesmo com a velocidade da luz levaríamos centenas de anos. Agora, imaginemos à velocidade máxima atual de que dispomos.

Só para ir até a estrela mais próxima de nós, que está cerca de 4 anos-luz “apenas” com nave convencional demoraríamos cerca de 70 mil anos.

A cor da nebulosa depende da sua composição química e da quantidade de ionização. Devido à elevada concentração de hidrogênio, como já foi dito acima e a sua relativamente baixa energia necessária para ionização, muitas nebulosas de emissão são avermelhadas. Contudo, se mais energia estivesse disponível, outros elementos químicos poderiam ser ionizados e então apareceriam as cores verde e azul.

Ao examinarem o espectro das nebulosas, os astrônomos podem deduzir a sua composição química. A maioria das nebulosas de emissão contêm cerca de 90% de hidrogênio, que aliás, é o elemento químico mais abundante no universo, sendo os 10% restantes, hélio, oxigênio, nitrogênio, etc.

Voltando à Nebulosa Carina, no centro da imagem encontra-se a estrela brilhante Eta Carinae. Esta estrela enorme e altamente instável já pode ter inclusive ter explodido como uma supernova, mas não se sabe ainda como teria supostamente sobrevivido a essa explosão, já que duas enormes "conchas" de poeira surgiram, com matéria suficiente para formar mil planetas iguais aos do Sistema Solar, na verdade lembra a forma de ampulheta que fica 600 quilômetros maior a cada segundo.

Eta Carinae é tão massiva que possui 70 vezes a massa do Sol. De fato, não existe certeza de que Eta Carinae tenha realmente explodido. O que de fato se tem certeza é que temos muito a aprender sobre supernovas e o modelo clássico de supernova poderá ser renovado. Eta Carinae, por fim, é uma estrela ainda enigmática, onde o Doutor Augusto Daminelli do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo é um de seus maiores estudiosos e especialistas. A Nebulosa Carina está a 7500 anos-luz da Terra.

Na imagem anexa, à esquerda a Nebulosa Carina fotografada pelo VLT e à direita por mim, utilizando um bom telescópio, mas. amador, no Observatório Municipal da cidade de Amparo, interior de São Paulo.

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