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Cinzas do Vulcão Puyehue podem chegar ao litoral paulista??

Notícia enviada em 19/10/2011
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Material particulado (cinzas vulcânicas, no caso), compostos de partículas de rochas e minerais com cerca de 2 mm de diâmetro, misturadas em uma nuvem de vapor de água e gases tóxicos de diversos tipos como o perigoso dióxido de enxofre SO2 e dióxido de carbono, entre outros, assim como as partículas, quando associados à água, tornam-se ácidos de efeitos corrosivos perigosos, podendo corroer qualquer tipo de estrutura de aviões, bem como contaminar o interior da mesma. Além disso, em baixas camadas da atmosfera, podem causar transtornos de saúde, principalmente em crianças e idosos e pessoas que sofrem de problemas respiratórios, tais como, rinite, asma, bronquite, enfisema, etc. Estes devem manter o uso de medicamentos rotineiros para que os sintomas não aumentem e a doença não se agrave. A fuligem pode causar também irritação nos olhos, portanto, quem usa lentes de contato devem umidificar os olhos com soluções de soro fisiológico, bem como qualquer pessoa... Por outro lado, cinzas na atmofera reduzem a visibilidade não somente ao tráfego de aeronaves, mas também em ruas, avenidas e rodovias.

Os vulcões do tipo explosivo podem lançar à atmosfera, pedra pomes, quando há lava líquida muito rica em gases que é projetada na atmosfera, formando pedaços espumas constituídos por material recheado por bolhas de gás que aumentam rapidamente de volume com a redução da pressão, quando da saída da lava para a atmosfera.

No caso de a quantidade de gases for muito grande, o que normalmente implica em grande poder de explosão, forma-se um pó fino muito leve, denominado pumicite, que sob a forma de cinzas é facilmente transportado pela atmosfera sendo por vezes depositado a milhares de quilômetros do centro eruptivo do vulcão. Pedra pomes é porosa (pouco densa, flutua na água) e não possui cristais em sua formação e por esse fato é considerada um tipo de vidro vulcânico (basicamente sílica). Num cenário virtual, mas possível, imaginemos cinzas vulcânicas intensas feitas desse material, que inaladas poderiam ter o efeito daquele observado em jatos de areia que vão se fixar em pulmões??? No caso das cinzas do Vulcão chileno Puyehue, não motivo de alarde, mas.., sempre é bom acautelar-se. Num cenário de ocorrência de chuva, o material particulado associado à mesma, poderia formar o nocivo ácido sulfúrico. A título de curiosidade, essa pedra pomes é a mesma que é usada como esfoliante ou abrasivo para a pele, entre outras aplicações.

A climatologia das cinzas vulcânicas

Poderoso sistema de alta pressão para esta época do ano (1040 milibares), situado entre Argentina, Uruguai e sul do Brasil, associado a ventos fortes em camadas altas da atmosfera (correntes de jato polar) oriundos da Patagônia (extremo sul da América do Sul), carregaram depósitos de cinzas daquela região, transportadas pela atmosfera, alcançando cidades da região do Prata (Buenos Aires na Argentina e Montevidéu no Uruguai) no domingo passado (dia 16 de outubro), chegando ao Brasil (Rio Grande do Sul) na segunda-feira, dia 17. Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande foram algumas das cidades afetadas pelas cinzas em suspensão em baixa altitude. O leste gaúcho também foi atingido. O vento sul carregado intensamente pelo citado sistema de baixa pressão levou este material até Santa Catarina, como por exemplo em Brusque, onde o evento foi observado. Com a estabilidade do ar em níveis inferiores, devido ao sistema de alta pressão, a pluma vulcânica (cinzas), acaba fazendo parte da névoa seca (com umidade relativa do ar entre 50 e 60%). Isso vem sendo observado em baixos níveis da atmosfera e próximo à superfície do Meio-Oeste ao Litoral catarinense. Normalmente a névoa seca é formada por partículas de poeira em suspensão, quando o ar está muito seco, o que dificultaria a dispersão destas cinzas, que são na verdade, uma forma de poluição natural... Estimativas basedas em sensoreamento remoto (análise de imagens de satélite), apontam a chegada deste material vulcânico ao Paraná... A persistir a pista de ventos de sul e sudeste, dada a pequena extensão do litoral paranaense e a proximidade imediata com o extremo sul do estado de São Paulo e considerando que os fenômenos atmosféricos vindos do sul do Brasil, podem penetrar com facilidade no estado paulista(observe-se que não raras vezes, uma frente fria atua na costa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e mesmo assim, infiltração úmida marinha, trazido por ventos oceânicos, atingem a Baixada Santista, com nuvens baixas, antes da chegadfa da frente a esta região), fica uma questão não respondida: as cinzas podem chegar ao litoral paulista, por exemplo, até pelo menos à região de Cananéia e quiçá até Peruíbe? Observo que há um sistema de alta pressão, que funciona como um tipo de bloqueio atmosférico, que “barra” sistemas de instabilidades na região sudeste do Brasil e que portanto prognostica tempo instável para a Baixada Santista até sexta-feira, com períodos de pancadas de chuvas e alguns de Sol. Uma possível resposta a esta questão seria: tudo vai depender da persistência dos ventos de sul e sudeste. Como dizia o Francis Bacon, o precursor do Método Científico: “A cada vento, o seu tempo”.... Indo um pouquinho além, vemos que atualmente, as mudanças climáticas somadas a estes eventos naturais, só podem piorar um “pouquinho” das condições de conforto às populações em nível global. Este evento das cinzas é apenas um dentre muitíssimos casos de que o clima é “globalizante”...

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