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Clima e vida 3: epidemia de dengue!

Notícia enviada em 07/04/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
No Brasil, existem casos de dengue desde os tempos coloniais. Em 1685 registrou-se o primeiro caso da doença, em Recife. Em 1692 morreram , em Salvador, duas mil pessoas infectadas por dengue, onde até então achava-se que era apenas uma virose benigna. De lá para cá, de tempos em tempos vem surgindo novas epidemias. A partir de 1903, Oswaldo Cruz - Diretor Geral da Saúde Pública, na época iniciou um programa de combate ao mosquito Aedes aegypti, conseguindo aparentemente erradicar a doença por volta de 1957, até que em 1982 houve nova epidemia no Brasil.

O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.

As epidemias de dengue no Brasil vem crescendo a cada ano.

É uma doença típica de regiões tropicais, porém, seus surtos ou aumentos de casos ocorrem no verão, portanto é um mal sazonal.

A correlação dengue-clima é bastante notória. Estatísticas realizadas por centros de estudos de Medicina Tropical, mostram maior incidência de dengue (além de aumentar a cada verão de todos os anos), em verões mais intensos de certos anos.

E até mesmo em determinados anos, na estação mais fria do ano, o inverno, pode haver aumento nas estatísticas. Foi o caso do ano passado (2012), quando em Santos, o inverno foi ameno. Os índices de dengue na Baixada Santista foram acima do esperado para essa época do ano. Santos foi a cidade com o maior número de casos (dados de julho de 2012). Os verões mais intensos geralmente ocorrem em anos de El Niño, caso de 1997/1998, quando houve fortes episódios do evento climático. ",Coincidentemente",, os casos de dengue dispararam na Baixada Santista.

Bem, até o momento, falou-se do litoral paulista, região mais propícia a surtos de dengue, se levarmos em conta, o fator climático (quente e superumido).

E quanto à capital paulista?

Segundo Luíz José de Souza, diretor do Centro de Referência da Dengue de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, as mudanças no clima da capital paulista nos últimos anos transformaram a cidade em uma forte candidata a sofrer epidemias de dengue, nos próximos anos...

Sem dúvidas, as mudanças climáticas não somente globais, mas também locais, como o aquecimento local urbano, regem as ilhas de calor que favorecem diferenças de temperaturas na faixa dos 10ºC. Por exemplo, enquanto num dia de calor na capital, os bairros do Butantã e Freguesia do Ó, registram 33ºC, Parelheiros no extremo sul da zona sul paulistana, registra apenas 23ºC (maiores detalhes, ver meu reporte “Parelheiros, o oásis paulistano” em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Parelheiros_o_oasis_paulistano&posic=dat_20120906-032844.inc. É o preço pago pelo alto grau de urbanização não-sustentável. Chuvas fortes, volumosas e repentinas com alagamentos, completam o quadro de favorecimento de proliferação do vetor da doença.

O professor de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina, concorda com a avaliação de Souza, mas ressalta que, mesmo assim, a propagação da doença pode ser controlada.

“É possível que o Poder Público controle (a proliferação do mosquito transmissor da dengue), mas, a probabilidade de você ter uma epidemia, se o Poder Público esmorecer ou se a população não levar isso a sério, é muito grande”.

Luiz José de Souza ainda destaca a importância de preparar o sistema de saúde para diagnosticar a dengue com rapidez e tratar a doença com eficiência. A Secretaria Municipal de Saúde da capital ressalta que apesar dos números típicos sazonais, a infestação ainda é considerada baixa, por ser inferior a 100 casos por 100 mil habitantes. Historicamente, o maior número de casos na capital paulista se registra nos meses de março e abril.

Como a ocorrência da dengue é anual, principalmente nos meses mais quentes, Gonzalo Vecina destaca a importância de que as medidas de prevenção acompanhem essa periodicidade.

“A dengue é como limpar a casa, todo dia é de dia de limpar",, completa.

Segundo Vecina, epidemias muito fortes, como as que começam a ocorrer em alguns municípios paulistas, decorrem do descuido das autoridades. Ele explicou que, sempre que a epidemia ocorre e foge do controle, a autoridade pública usou de maneira inadequada a sua capacidade de mobilizar as pessoas para que controlassem os locais onde os mosquitos crescem.

Para José Luiz de Souza, os problemas de infra-estrutura do país impedem a erradicação completa da doença e atrapalham na prevenção. Ele destacou que a melhor prevenção é o trabalho de combater o vetor, embora isso seja muito difícil no país, por problemas de infra-estrutura.

“Condições de saneamento básico, condições habitacionais, temos hoje favelização crescente, abastecimento de água inadequado”.

Segundo ele, a única solução definitiva para o problema seria uma vacina que combatesse os quatro tipos de vírus existentes.

Por aí, se vê aliás, como em praticamente em todos os problemas ambientais modernos, a prevalecência da cultura ",curativa", em prejuízo da cultura preventiva, caso de tantos rios poluídos, onde não se pensou em preservar antes de se poluir. Essa cultura ocorre quando são esgotadas todas as possibilidades normais de prevenção, ou seja, quando não houve ou a prevenção falhou.

Voltando ao caso de Santos, neste ano, 2013, há cerca de 3295 casos de dengue, o que gera uma estatística impressionante de um caso para apenas 127 pessoas, dado que a população santista é de aproximadamente 420 000 habitantes!

Os bairros mais atingidos pela epidemia são Encruzilhada e Macuco.

Além de Santos, outras cidades da Baixada Santista confirmaram epidemia: Praia Grande, Cubatão e São Vicente. Guarujá logo deverá confirmar epidemia também!

Em Santos, particularmente, há várias ilhas de calor espalhadas pela cidade, o que faz aumentar a temperatura média urbana. A título de esclarecimento, em média, Santos, nos bairros mais quentes como a Vila Belmiro, Campo Grande e Jardim Santa Maria na Zona Noroeste, têm médias de temperaturas tanto máximas quanto mínimas de 4ºC acima das médias térmicas da região da Base Aérea, que apesar da designação (Base Aérea de Santos), situa-se no Distrito de Vicente de Carvalho, que pertence ao Guarujá....

Este fato (das ilhas de calor, que propiciam surgimento de temporais repentinos e volumosos), aliado ao clima litorâneo quente e superumido, fazem do ambiente urbano do município de Santos, incubadora excelente ao desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor, logicamente pelo grande acúmulo de poças de água, especialmente durante o final da primavera, verão e início do outono.

Deixo claro, que um aumento médio das temperaturas mínimas em verões mais fortes, permite o surgimento de surtos da doença. No tocante às temperaturas máximas, este fator não é tão relevante para a procriação do vetor, pois este sobrevive melhor entre os 22ºC e os 30ºC!

Diante disto, ressalto também que as médias de temperaturas mínimas em Santos desde o final da primavera de 2012 até este final de verão em 2013, segundo dados da minha estação ambiental, estiveram acima da normal climatológica para a época. O índice pluviométrico também merece destaque em Santos: em fevereiro deste ano de 2013, choveu cerca de 45% a mais que a normal climatológica do período. Todos estes fatores climatológicos só propiciam este quadro de epidemia que é o pior desde 2010 na cidade de Santos.

Por fim, cito aqui uma pesquisa de dissertação de mestrado que relaciona a elevação da temperatura ao aumento dos casos de dengue na cidade do Rio de Janeiro (outra cidade litorânea de clima quente e úmido), o qual teve grande repercussão na mídia. Desenvolvido pela pesquisadora do setor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Adriana Fagundes Gomes, sob o título: ",Análise espacial e temporal da relação entre dengue e variáveis meteorológicas na cidade do Rio de Janeiro no período de 2001 a 2009",, Adriana aponta que um simples aumento de 1ºC na média das temperaturas mínimas em apenas um mês ocasiona elevação de 45% no número de casos de dengue no mês seguinte, enquanto o aumento da precipitação em 10 milímetros resulta na elevação de 6% no número de casos da doença no mesmo período. Além disso, revela que o clima é um importante fator na distribuição temporal e espacial das doenças transmitidas por vetores.

Ainda segundo a pesquisadora, os estudos sobre as variáveis climáticas podem aperfeiçoar os conhecimentos a respeito da sazonalidade e da predição de epidemias, uma vez que a relação vetor-clima é tão importante quanto a relação vetor-homem. ",A incidência de casos de dengue flutua com as condições climáticas, estando associada ao aumento da temperatura e da pluviosidade. Estas condições favorecem o aumento do número de criadouros disponíveis, assim como o desenvolvimento do vetor. Portanto, aumenta a probabilidade de interação vetor-homem e, consequentemente, homem-vírus",, afirma a pesquisa.

As principais conclusões foram que, na cidade do Rio de Janeiro, durante o período de estudo, (2001 a 2009), a variável temperatura (principalmente a temperatura mínima) tem relação maior com o número de casos de dengue do que a precipitação. O fato de a pluviosidade não ter a mesma relevância que a temperatura quanto à disparada de casos de dengue, segundo esse estudo, até parece controverso, pois uma hipótese para corroborar esse estudo de Adriana Gomes, seria que a elevação das médias de temperaturas mínimas tem sido maior do que 1ºC tanto em Santos, quanto no Rio de Janeiro e, isso por si só, já seria mais que suficiente para causar epidemias, não contando tanto com o fator pluviosidade...

A ONG Amigos da Água aproveita o ensejo, para enfatizar a prevenção deste mal que assola a população brasileira, divulgando que tanto em caso de prevenção quanto de cura da doença já instalada, o fator hidratação (ingerir pelo menos oito copos de água por dia), é de alta relevância para a minimização do problema...

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