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Descoberto menor planeta potencialmente habitável?

Notícia enviada em 27/12/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
A estrela conhecida por Tau Ceti, ou Tau da Constelação da Baleia, deve abrigar cinco planetas orbitando seu redor. Será?

Destes cinco, um deles orbitaria na chamada zona habitável desse sistema solar.

Mas, o que é zona habitável?

Bem, como a água é essencial para manter todas as formas de vida, é fundamental que as condições do planeta permitam a existência de água na forma líquida para que possa conter vida. Se o planeta estiver muito perto da estrela, a água não poderá se condensar, e se ele estiver muito longe ela estará sempre congelada. E a área entre as duas distâncias? Esse ponto é conhecido como a zona habitável de uma estrela. Uma zona habitável é uma região do espaço ao redor de uma estrela onde o fluxo de radiação emitida pela mesma permitiria a existência de água líquida na superfície de um planeta ou satélite natural que ali se encontre.

A Terra por exemplo está no interior deste limite.

No entanto, mesmo um planeta estando na zona habitável não quer dizer que seja capaz de abrigar vida. Outros importantes fatores atenuantes, geralmente relacionados à atmosfera do planeta, podem criar diferenças na temperatura, impossibilitando a existência de vida em um planeta localizado no interior da tal zona habitável. Os planetas Marte e Vênus, por exemplo, são um exemplo disso. Enquanto Vênus se encontra dentro da zona habitável do nosso Sol, sua atmosfera extremamente densa não deixa escapar a radiação solar e cria um efeito estufa que eleva a temperatura do planeta, tornando-o inabitável, aliás Vênus possui o maior efeito estufa do sistema Solar. Já, o planeta Marte apresenta uma situação diversa da de Vênus. Antigamente, pensava-se que ele estava localizado fora da zona habitável, mas agora existem evidências de que a água líquida existiu nesse planeta. Portanto, não é tarefa nada fácil estimar que um planeta seja, finalmente, diante de tantos requisitos, habitável, embora tudo isso diga respeito à formas de vida baseadas em moléculas de carbono, como a vida na Terra como a conhecemos e do qual, a água é o solvente universal indispensável à vida! Porém, de repente, quiçá haja formas de vida baseadas em outros elementos químicos e que por exemplo, em vez de se servirem da água, poderiam utilizar algum hidrocarboneto (complexo constituído por carbono e hidrogênio), e aí nesse caso, o hidrocarboneto seria o líquido indispensável a essa forma de vida. Para esse tipo de vida estranho, mas provável, os lagos de hidrocarbonetos da lua Titã de Saturno - único satélite natural do Sistema Solar que possui uma densa atmosfera e o único objeto além da Terra que consegue manter evidência clara da existência de corpos líquidos em sua superfície, (embora na forma de hidrocarbonetos, como mencionado acima), com estabilidade, poderia ser o lar destas hipotéticas ",criaturas", (ver meu reporte sobre Titã em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Mudanca_climatica_brusca_em_Tita__lua_de_Saturno&posic=dat_20121205-033218.inc).

Mas, via de regra, continuamos a seguir o critério de procurar por planetas que contenham água na forma líquida. Voltando ao caso do suposto planeta de Tau Ceti, sua massa seria 4,3 vezes a da Terra e caso seja confirmada a descoberta, seria o menor exoplaneta potencialmente habitável que se descobriu até hoje.

As controvérsias ou polêmicas sobre a descoberta ou não-descoberta, giram em torno de técnicas usadas para detecção de planetas orbitando outras estrelas, além do Sol.

Para iniciar uma breve análise sobre este tema, ressalte-se que Tau Ceti, há tempos foi motivadora do pensamento de procura de vida extraterrena, bem possivelmente por ser uma estrela semelhante ao nosso Sol e por estar de nós a uma distância relativamente pequena: cerca de doze anos-luz.

Os pesquisadores envolvidos nesse projeto, analisaram 6 mil observações da estrela realizadas pelo instrumento HARPS (do telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul), pelo Espectrógrafo Echelle (da University College London), pelo telescópio anglo-australiano Siding Spring e pelo Espectrômetro Echelle de Alta Resolução (HIRES) do telescópio Keck, em Mauna Kea (Havaí).

A fim de ver se suas técnicas poderiam mesmo detectar pequenos sinais ocultos nos dados, eles adicionaram sinais falsos às observações de Tau Ceti, uma vez que a visão clássica de Tau Ceti é de uma estrela solitária desprovida de planetas conhecidos, portanto, formataram o conceito de que utilizar uma fonte de ruído seria razoável.

E... funcionou! Seu método rastreou os sinais falsos, mas também foram descobertas variações periódicas nos dados reais. Então, os pesquisadores removeram os sinais artificiais e rodaram suas análises sobre os dados do HARPS. Combinando os dados do HARPS com observações a partir de dois outros instrumentos, um no Observatório Keck e o outro no Telescópio Anglo Australiano, surgiram mais dois sinais, para um total de cinco.

A análise da equipe de pesquisadores, determinou que os sinais nos dados combinados, apresentavam períodos de 14, 35,4, 94, 168 e 630 dias (os sinais não se mostram em mais do que um conjunto de dados quando os três conjuntos são analisados independentemente). O sinal mais forte é o de 35,4 dias, no entanto, estaria perigosamente próximo da rotação de 34 dias da estrela.... Estes sinais, por outro lado, são incrivelmente fracos, ao redor do mesmo valor da amplitude do ruído de fundo....

Entretanto, se eles (os sinais), são de planetas em órbitas estáveis, estes planetas poderiam ter massas mínimas de 2, 3,1, 3,6, 4,3 e 6,6 vezes o planeta Terra, à distâncias da estrela de 0.11, 0.2, 0.37, 0.55 e 1,35 vezes a distância Terra-Sol.

O autor líder dessas pesquisas Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra e Universidade de Turku, Finlândia, acredita que estes sinais de fato existem, mas se são de origem planetária, é motivo de controvérsias, pelo menos por enquanto. Portanto, uma confirmação independente desses estudos é necessária para concluir que realmente foram descobertos planetas em Tau Ceti!

Outrossim, Tuomi, no caso da possibilidade de que os sinais poderiam ser artefatos (quaisquer distúrbios na nitidez das imagens ou nas análises dos sinais) criados artificialmente, ele não pensa nessa possibilidade. Ao contrário, ele diz que os sinais aparecem por que o método de sua equipe é mais sensível para sinais fracos do que o trabalho anterior.... Por fim, ele oferece uma gama de variações estelares que poderiam criar tais sinais: manchas estelares (como as manchas solares), pulsações, flares, ciclos magnéticos e rotação diferencial (onde a superfície da estrela têm velocidades diferentes de rotação para diferentes latitudes). A resposta final, terá de esperar trabalhos posteriores e muito mais sessões de observações e a trabalhosa redução de miríades de dados...

Por aí, nota-se que é preciso ter cautela na difusão de taos descobertas... Precisamos mesmo esperar as conclusões para poder ",cantar vitória", ou não.... Mas, confirmada a hipótese dos cinco planetas e um deles, habitável e relativamente pequeno, irá reforçar a ideia de que praticamente todas as estrelas têm planetas e que na nossa galáxia devem existir muitos planetas do tamanho da Terra potencialmente habitáveis.

A imagem anexa, é uma concepção artística de J. Pinfield/RoPACS network/University of Hertfordshire.

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