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Dia do Planeta Terra e degradação do céu noturno!

Notícia enviada em 22/04/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Nas regiões do litoral paulista e capital, ao que parece, não poderemos avistar a chuva de meteoros Líridas ( o radiante provém aparentemente da constelação de Lira). A frente fria chegou, derrubando o bloqueio atmosférico dos últimos dias de calor.

Bem, aproveitando o ensejo do Dia do Planeta Terra (22 de abril, data exata deste reporte), talvez fosse desnecessário dizer que dois terços deste planeta, são constituídos de água. De repente, um dos focos principais do Planeta Terra ou (Planeta Água), estaria nos oceanos. A acidificação (provocada pela absorção das emissões de dióxido de carbono), a pesca predatória, o descarte demasiado de lixo nas águas oceânicas, dão motivos de preocupação e não de comemoração.

Agora, ",pegando o gancho", da chuva meteórica e ligando este tema ao Dia da Terra, vejo com tristeza e preocupação, a degradação do céu noturno, que foi declarado pelas UNESCO, órgão das Nações Unidas, como Património da Humanidade. A UNESCO, então, proclamou que é preciso preservar um dos nossos bens mais universais para as gerações futuras, o céu escuro e estrelado. De fato, quantas crianças, nascidas e criadas nas grandes cidades, não fazem a menor idéia de onde se localizam o Cruzeiro do Sul, o planeta Vênus (popularmente conhecida como a Estrela Vésper ou Estrela D',Alva, de acordo com o horário), a Via Láctea, etc, muito menos experimentaram a sensação extraordinária de se deitarem na grama para contemplar o cenário acima das suas cabeças. Com base nisto tudo, nasceu a Declaração da Defesa do Céu Noturno e do Direito à Luz das Estrelas. Indignado com esta degradação, escrevi um reporte ano passado sob o título: Degradação do céu noturno é sustentabilidade? (https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Degradacao_do_ceu_noturno_e_sustentabilidade&posic=dat_20111012-040742.inc.

Naquela matéria, exponho parte da minha trajetória de mais de vinte anos observando o céu em observatórios do interior de S. Paulo (Municipal de Campinas, o extinto Municipal de Itapira e o atual em Amparo), sítios onde testemunhei a passagem gradual de céus escuros para céus moderadamente escuros ou suburbanos, onde mal se avista a Via Láctea, mesmo sob céus límpidos (sob condições meteorológicas ótimas). Nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, este é um processo que já aconteceu há vários anos. Na divisa Valinhos-Vinhedo, também no interior paulista, o Observatório Astrométrico Abraão de Moraes, praticamente hoje só dedica-se à difusão e ensino da Astronomia. Em Campinas, no Municipal Jean Nicolini, caminha-se também para esta derrocada.

Parece que a Era da Astronomia praticada de forma romântica está perecendo sob o impacto da falta de Desenvolvimento Sustentável, onde a especulação imobiliária e o avanço de luminárias elétricas mal-projetadas tem livre caminho fazendo ",clareiras", e ",profanando", os espaços dos antigos santuários astronômicos.... Fora, é claro o avanço da poluição atmosférica.

Sinal dos tempos. Logicamente com a evolução da Eletrônica Digital e da Cibernética, muitas coisas estão ao alcance de poucos cliques. Crianças de hoje, tem uma facilidade natural na aprendizagem não somente de informática, mas também em manipular qualquer tipo de paranafernália eletrônica. São incontáveis as contribuições dessa era para o conforto e a saúde das pessoas. Porém, como regra geral, tudo tem um preço... Nessa era de arivismo ou imediatismo, sonega-se por vezes o uso do lúdico, do manual, da coordenação motora propriamente dita.

A informação está acessível a qualquer um nos computadores da rede mundial, mas o conteúdo, a formação, a opinião, a conclusão, humm, será que é também rápida como os elétrons dos fios condutores???

Bem, na área científica, no caso, Astronomia e Astronáutica, os detectores eletrônicos CCD ou CMOS, possibilitaram a aposentadoria do filme fotográfico e das antigas placas de vidro em três cores, que não faz tanto tempo assim, foram ainda utilizadas pelo célebre astrofotógrafo anglo-australiano, David Malin (Obra: ",Uma visão do universo",). Um ganho sem precedentes no campo do astroimageamento, reduzindo dramaticamente os antigos e longos tempos de exposição e diminuindo os erros de guiagem. Estudantes do ensino básico por meio de planetários virtuais ou conexões via internet às redes de Observatórios robóticos, além de realizarem um aprendizado astronômico básico remoto (à distância), têm a possibilidade de descobrirem novos cometas ou supernovas.... Fantástico: os astrônomos aficionados brasileiros tiveram um ganho enorme quanto às técnicas de imageamento e redução nos custos dos aparelhos importados, antes nos anos 1980, difíceis e custosos neste país. E astrônomos profissionais que não podem momentaneamente se deslocarem da Europa até os céus privilegiados do norte do Chile, fazendo o acesso remotamente, imageiam áreas da esfera celeste, para fins de pesquisa cosmológica, astrométrica, de busca de supernovas, ou para o patrulhamento dos asteróides potencialmente perigosos ao nosso planeta!

Ufa, a lista de melhoramentos é simplesmente astronômica!!

Mas, em que tudo fica? Em contrapartida, com a degradação da qualidade do céu noturno, seja pelas luzes artificiais inadequadas, poluição do ar ou mudanças climáticas, sabemos hoje que as ",janelas", observacionais vão ficando cada vez mais restritas - sim, as facilidades que assinalei acima na pesquisa observacional ou educativa, acessíveis a muitas pessoas hoje, por outro lado podem ir se anulando, por conta dos problemas expostos. Enquanto isso, mais telescópios espaciais, livres das restrições atmosféricas, vão tomando forma e até projetos futuros de observatórios lunares já estão nas mesas de discussão. Ótimo? Sim, por que não, mas..., mas..., mas..., no futuro nossas crianças se divertirão na observação astronômica a partir dos céus lunares??? Então, seguindo esse raciocínio, nosso lindo planeta azul (ainda), poderá ser uma obsolescência para os futuros seres humanos???

Então, por essas e outras, volto a repetir nesse Dia da Terra: não estaria na hora (e talvez já tenha até passado da hora) de pensarmos o futuro não apenas todo ele tomado mais e mais por parafernálias eletrônicas e computacionais, tais como no desenho dos Jetsons dos geniais Hanna e Barbera com excessos de comodismos e não se preocupando com questões muito mais relevantes como o tema água, por exemplo,o líquido precioso, tentando assim, planejar as cidades, para serem ambientes menos inóspitos como as famosas “Selvas de Pedra” de hoje? Lembremos que os Jetsons foram criados nos anos 1960, quando o mundo só pensava em consumir, pois não havia sequer acordado no meia da noite, para ter um mero insight de consciência ambiental!!! Pois, quem não gostaria que suas crianças ainda tivessem a possibilidade de contemplar céus escuros e límpidos na medida do possível, ao invés de meros céus perfeitos, no entanto, virtuais???

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