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Elevação no nível dos rios em Rondônia está com as horas contadas

Notícia enviada em 17/02/2007
por Daniel Panobianco - Ji-Paraná/RO
O resultado das intensas chuvas que castigam a Bolívia desde dezembro já começa a mostrar sua cara em Rondônia com alagamentos de diversas faixas ribeirinhas.

Como já foi sinalizado no inicio da semana, as fortes chuvas que assolam a Bolívia terão resultado imediato na elevação do nível dos rios em Rondônia nos próximos dias.

Nos últimos quatro dias, a precipitação na faixa centro-leste do País vizinho ultrapassou 300 milímetros, arrastando vilarejos inteiros nos Departamentos de Pando, Santa Cruz, San Martin e San Borja.

Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia da Bolívia, as fortes tempestades que agora castigam o País tendem a continuar na próxima semana, o que deve agravar ainda mais a situação.

O governo boliviano decretou ainda a pouco alerta vermelho, o mais alto da categoria em se tratando de riscos de uma catástrofe no País. Ontem, o gabinete do Presidente Evo Morales se declarou em sessão permanente e anunciou medidas de emergência como deixar prontas, as Forças Armadas para uma possível catástrofe nesse período de Carnaval, caso continue chovendo forte na região. Entre medidas imediatas, o governo liberou US$ 15 milhões (mais de R$ 30 milhões) para os municípios mais castigados pelas tormentas.

O Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia da Bolívia culpam o fenômeno El Niño que, embora já tenha perdido força e quase desconfigurado totalmente, ainda assola a região leste dos Andes com chuvas intermitentes.

O ministro da Presidência boliviana, Juan Ramón Quintana, afirmou que até a manhã deste sábado totalizavam mais de 50 mil famílias castigadas pelos temporais. Os maiores prejuízos no País, além da morte de mais de 30 pessoas, são com relação às culturas. Praticamente 80% de toda a cultura de soja na Bolívia está comprometida. Em Santa Cruz de La Sierra, as chuvas das últimas 24 horas afetaram 700 casas com alagamentos, desmoronamentos e registros de mortes.

Toda a chuva que castiga a Bolívia segue um único destino: O Estado de Rondônia.

Os principais rios do País vizinho estão até 11 metros acima dos níveis normais, aceitáveis para os padrões de segurança.

Os rios San Martin, Baurés, Itonames e Machupo deságuam tão logo no rio Guaporé, que fez divisa de Rondônia com a Bolívia. Nessa região, o nível do Guaporé está 5 metros acima do nível normal.

No município rondoniense de Costa Marques, o distrito de Forte Príncipe da Beira, que fica numa região de pântano, está com 70% de toda a construção já tomada pela enchente. Os povoados de Santa Fé e Primeira Terra, ambos pertencentes á Costa Marques, também já estão sendo inundados pela força da enxurrada vinda da Bolívia. A rodovia BR-429 que liga Costa Marques á Presidente Médici, na região central de Rondônia está praticamente intrafegável. Pontes, bueiros e travessas foram carregadas pela força das águas de rios e riachos que margeiam a rodovia federal.

Na rodovia RO-478 entre Costa Marques e o Forte Príncipe da Beira, já não é mais possível trafegar com segurança. Praticamente todo o vale do Guaporé se torna pântano nesse período do ano.

A preocupação de muitos moradores da região são com relação à migração dos búfalos selvagens, existentes só na Reserva Biológica do Guaporé. Os animais, que não possuem contato amigável com o homem, já foram avistados a poucos metros das colônias dos ribeirinhos. O comportamento desse animal é tão agressivo que passar pela Reserva Biológica do Guaporé se torna impossível, até veículos fechados os búfalos atacam. Muitas famílias temem que, com a cheia total da região, os animais busquem abrigos em meio às regiões mais elevadas onde estão muitas casas. A matança dos búfalos selvagens em Rondônia é proibida desde 1980, quando o governo federal resolveu espalhar animais para povoar a região. No inicio eram apenas 200 animais e hoje em dia, já se contam mais de 2 mil.

Mais acima outros vilarejos, distritos e cidades começam a sofrer com as chuvas na Bolívia. O rio Mamoré que praticamente atravessa a Bolívia de um lado a outro está 8 metros acima do nível normal, como assim informou a imprensa boliviana. Toda essa água também tem ponto final o encontro com o rio Guaporé em solo rondoniense, onde a partir daí, as águas juntas passam a formam um só rio, o Mamoré que segue até o distrito de Abunã, pertencente ao município de Porto Velho, próximo à divisa com o Acre.

Em Rondônia os rios Pacaás Novos e Ouro Preto, localizados na Cordilheira dos Pacaás Novos no município de Guajará-Mirim, estão transbordando. Nos últimos dois dias choveu mais de 150 milímetros nesse ponto muito localizado, segundo dados da Embrapa local.

As cidades de Guajará-Mirim em Rondônia e Guayamerin no lado boliviano enfrentam dificuldade para atravessar o rio Mamoré devido a forte correnteza. Mais acima entre Guajará-Mirim e Nova Mamoré está o distrito de Yata na Bolívia, e Iata no lado rondoniense. Essa localidade está sendo muito castigada pelo encontro dos rios Mamoré, Yata e Beni. O rio Beni é o maior da Bolívia e sustenta pelo menos mais outros cinco grandes rios. O Serviço de Meteorologia e Hidrologia da Bolívia informou que as águas do Beni estão arrastando tudo o que tem pela frente, visto que a velocidade da correnteza das águas está em torno de 28 km/h.

Os povoados de Vila Murtinho, Lage, Ribeirão e Periquitos dentro do município de Nova Mamoré estão sendo afetados diretamente pela rápida cheia do rio Mamoré.

A última sinalização feita na manhã deste sábado no Departamento de Manoa, extremo nordeste da Bolívia, já na divisa com Rondônia, na formação do rio Madeira, indicava a sustentação dos riscos de uma grande enchente no Madeira nos próximos dias. A água que leva até três, quatro dias para desaguar no Madeira pode vir mais rápida conforme a velocidade das corredeiras.

A situação que já era de alerta em Porto Velho agora se torna preocupante. As ilhas de Jaciparaná, Santana, São Domingos, Bom Futuro e Teotônio, já estão quase submersas na totalidade.

A capital de Rondônia deve ficar em alerta geral até o final da próxima semana, caso todo o resultado das tormentas que assolam desde a Bolívia até os rios divisores do Estado, não venham refletir única e exclusivamente ao longo do rio Madeira.

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