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Elevadas temperaturas mínimas impressionam em Santos

Notícia enviada em 21/01/2015
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Temperaturas máximas de mais de 35 graus Celsius e rondando os 40 graus Celsius em Santos e região não são novidades... Por outro lado, temperaturas mínimas entre 28 graus Celsius e 30 graus Celsius também são relativamente comuns especialmente no verão.

Porém, o que impressiona é a quantidade de dias nos quais as mínimas estão na faixa mencionada acima em Santos. Desde praticamente o Natal até hoje, dia 20 de janeiro de 2015, as mínimas têm se mantido constantes entre 28 graus Celsius e 30 graus Celsius, portanto, não são os altos valores que são notáveis em si, mas a regularidade é que impressiona de fato...

Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) se afasta para leste da costa da Região Sudeste

O centro de alta pressão da ASAS varia entre 1021mbar de dezembro a abril e 1026mbar em agosto. É possível descrever em detalhes o seu deslocamento zonal (leste e oeste) e seu comportamento diário que, em geral, segue o padrão do deslocamento dos sistemas frontais. Quando há passagem de uma frente fria, é observado um deslocamento em latitude (para sul) da ASAS em direção ao leste.

É justamente o que vem ocorrendo há cerca de dois dias atrás: o deslocamento zonal para leste, faz a frente fria ganhar impulso para atingir a Região Sudeste!

Curiosamente, há teses de doutorado e dissertações de mestrado enfocando a variabilidade posicional e sazonal da ASAS. Até 2010, com base nessas pesquisas acadêmicas, acreditava-se que na questão campo de pressão, a ASAS variava entre 1021mbar de dezembro a abril e 1026mbar em agosto. Ocorre, que em janeiro e parte de fevereiro de 2014, quando tivemos uma seca fantástica em pleno verão, o campo de pressão da ASAS atingiu centros de até 1028mbar. Praticamente o mesmo pode-se dizer com relação a janeiro de 2015.

Então, qual a razão ou razões de tamanha anomalia nos meses de janeiro de 2014 e de 2015?

Com estas configurações - deslocamento zonal para oeste, se aproximando da nossa costa e causando bloqueio à entrada das frentes frias, não se formam as chamadas zonas de convergência de umidade (ZCOU), as quais resultam do acoplamento de frentes com canal de escoamento de umidade amazônico.

Em janeiro de 2014, havia um padrão de neutralidade da temperatura superficial das águas do Atlântico Sul, ou seja, não havia temperaturas acima ou abaixo da normal climatológica (sem anomalias), mas não em todas as regiões do Atlântico Sul, pois em outras, havia anomalia negativa, ou em outros termos, temperaturas mais baixas em relação à normal climatológica... Isso foi argumento suficiente para explicar a seca de verão de 2014, pois com águas mais frias, as taxas de evaporação são consideravelmente menores e, então, menos chuvas!

Já este início do ano de 2015, o padrão de temperaturas do Atlântico está diferente, porém, os índices pluviométricos na Região Sudeste são baixos. Por quê? Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que apesar da baixa pluviosidade, a capital paulista e arredores, têm sofrido chuvas na maior parte dos dias da primeira quinzena de janeiro/2015, na forma de temporais com ventos fortes, raios e além de chuva, granizo! Mas isso, pode ser em parte pelo efeito do alto grau de urbanização (aquecimento local urbano) da metrópole paulista (ilhas de calor intensas), se bem que no ano passado, nem chuvas desse tipo ocorreram em grande parte de janeiro de 2014, explicado talvez pelo muito mais alto ressecamento da atmosfera, provocado pelo ",bombeamento", de ar das camadas mais altas para a superfície, processo termodinâmico conhecido por subsidência, uma consequência da forte atuação da ASAS naquele ano!

Por que na Baixada Santista, tem chovido bem menos do que na capital?

Embora a brisa marinha tenha um longo alcance dependendo da época do ano e de sua intensidade (fato atestado pela mesma atingir partes da capital, principalmente a zona sul da cidade, região mais próxima à Serra do Mar e do litoral (Baixada Santista), por mim mesmo após algumas manhãs e parte das tardes ensolarados, verificava o surgimento de bandas de nuvens baixas, na estação meteorológica que mantive por alguns anos nas proximidades do bairro Grajaú - essa brisa logicamente não tem os efeitos que produz no litoral, então, forma-se com muito mais facilidade células de trovoadas na capital do que no litoral.

A Baixada conta, conforme sempre que posso relato, com o efeito dissipador de nuvens de trovoadas da brisa do mar. Santos e região, todavia, contam muto mais em seu histórico de alta pluviosidade com as chuvas provocadas por frentes frias em quaisquer épocas do ano (a priori, não se define estação seca na região, mesmo no inverno, o que é anômalo, ter estiagem ainda mais em janeiro, mês tipicamente marcado por chuvas) e o acoplamento destas com canais de umidade amazônicos, que constituem as zonas de convergência de umidade (ZCOU), mais especificamente, com incidência no verão da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Sem frentes frias, Santos e região ficam vulneráveis à estiagem ou ainda ao veranico, período de até cerca de vinte dias sem chuva durante a época do verão, segundo José Marengo do CPTEC-INPE.

Mas, agora, com o deslocamento zonal da ASAS para leste (mais afastada da costa da Região Sudeste), a frente fria se deslocará até nosso litoral, podendo trazer pelo menos alívio deste forte calor reinante e chuvas....

Imagem anexa: ASAS em situação de bloqueio de frentes frias...

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água

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