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Entrechoque totalmente atípico em Santos!!!

Notícia enviada em 06/12/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
O entrechoque, tema de vários reportes meus, que consiste no encontro de duas massas de ar de características distintas - uma fria e úmida advectada do mar e a outra, quente e seca oriunda do interior do continente, não teve uma atuação ostensiva este ano, como em 2011 (ano mais frio dos últimos dez anos em Santos), por exemplo, devido a que a temperatura superficial marinha na costa paulista, esteve ligeiramente acima da média para o outono e o inverno (no outono, houve pelo menos dois dias onde ocorreram chuvas torrenciais, quase imprevisíveis, que causaram alagamentos em vários pontos de Santos, mas no inverno nem tanto, devido à incursões de ar polar seco), mas a partir de meados de Agosto deste 2012, a temperatura superficial marinha voltou à normal climatológica para a época, ficando em estado de neutralidade, portanto sem anomalias de temperaturas, nem positivas ou negativas! Portanto, neste ano especialmente, a temperatura do mar só atingiu o auge de menor temperatura do ano somente a partir de fins de Agosto, por conseguinte, só no início de Setembro, é que o entrechoque tomou alguma forma mais consistente, mesmo assim sem formação de bancos de nevoeiros, daqueles que de tão intensos podem paralisar a travessia de balsas e barcas entre as cidades de Santos e Guarujá (vide meu reporte sobre entrechoque e nevoeiros em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Nevoeiro_em_Santos_mais_uma_do_entrechoque&posic=dat_20110817-020703.inc.

Saliento que com a superfície marinha mais fria naquela época, a lâmina de ar relativamente mais aquecida, em contato com o mar, acaba se condensado em miríades de minúsculas gotas. Mas, até aí, esse efeito ainda não seria pronunciado (apesar de que poderia ser suficiente para possibilitar pelo menos névoa ou neblina, dependendo da temperatura mínima, é claro) pois este fato é potencializado pela brisa marinha de sudeste, que ao entrechocar-se com o ar quente e seco do continente, propicia condições de entrechoque, traduzindo em dias de temperaturas máximas amenas no litoral,no intervalo entre os 22ºC e 24ºC e umidade relativa ainda na zona do bem-estar climatológico (entre 60% e 70%) enquanto que no planalto paulista e interior do estado, as condições de tempo diferem muito, pois os dias ficam ensolarados, com temperaturas relativamente altas, na faixa entre os 28ºC e os 32ºC, e a umidade relativa pode se reduzir para níveis alarmantes, principalmente na capital, também por conta das reduzidas áreas verdes e outros problemas ambientais).

Bem, mas tudo isso que foi relatado acima é característico do final de inverno e ou início de primavera, onde a temperatura superficial marinha tem papel preponderante na climatologia do litoral.

Anormal mesmo é o fato de ontem, por exemplo, dia 05 de dezembro de 2012, isto é praticamente às portas do verão, que tenha ocorrido condições de tempo marcadas por uma espécie de entrechoque, com céu de nublado a encoberto na maior parte do dia e apenas raras e breves incursões de luz solar direta. No máximo, ocorreu um leve mormaço (insolação indireta) e temperatura máxima de 29,3ºC registrada na minha estação da Vila Belmiro em Santos e umidade relativa mínima de 65%. Enquanto isso, na capital paulista, dia ensolarado e máxima de 32ºC!

É claro que em Santos, apesar da temperatura mais baixa, o índice de calor, uma espécie de sensação térmica, função da temperatura e da umidade relativa do ar, chegou aos 32,8ºC, devido à umidade relativa bem mais alta do que na capital que experimentou um dia seco, isto é, com baixa umidade relativa do ar, como no inverno, condição totalmente atípica para esta época!!! Vejam só, a umidade relativa do ar em Congonhas bateu nos 35%, dando sensação de praticamente 32ºC, ou seja igual à temperatura do ar (32ºC). Portanto, Santos teve sensação de calor ligeiramente maior do que na capital.

Aonde quero chegar com toda essa carga de informação?

Bem, que o ar seco nesta época na capital é totalmente atípico, que à ",moda", do inverno entrechocou-se com a brisa marinha úmida litorânea, provocando céu nublado no litoral, a exemplo do que ocorre no inverno e é até compreensível, embora já tenha sido enfático em diversas vezes, que a capital no inverno tem ar por vezes até mais seco do que cidades do ",alto", interior, como Ribeirão Preto, distante da umidade marinha por centenas de quillômetros, enquanto a Capital dista apenas 65 Km das praias...

Portanto, guardadas as devidas proporções, houve entrechoque na Baixada Santista, fora de época. Ao que parece, a situação de neutralidade experimentada pelas águas superficiais do Atlântico na costa paulista, uma vez que o El Niño não emplacou (pelo menos por ora), propicia à Baixada Santista, um final de primavera/início de verão, de certa forma ameno, uma vez que a temperaturas supeficiais marinhas são um fator muito relevante para a regulação do clima litorâneo, embora o fator mudança climática climática de origem humana contribuir com esta situação, devido a essas invasões atípicas de ar seco nesta época do ano!!!

Fica claro aqui que essa invasão de ar seco até no verão (que pode até ocorrer, embora seja raro acontecimento), parece estar mais ostensivo do que nos últimos anos, evidenciando uma variabilidade climática ou mais possivelmente uma mudança climática gerada pelo homem, nas ilhas de calor urbanas locais, regionais e globais ou até uma combinação dos dois fatores - variabilidade natural e mudança antrópica (humana). Mas, certamente, nós temos a nossa interferência no clima, sim!!!

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água

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