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Estiagem amazônica: Rio Machado atinge o menor nível da história

Notícia enviada em 30/08/2007
por Daniel Panobianco - Vilhena/RO
O rio Machado atingiu no final da tarde desta quarta-feira, o menor nível já observado desde que as medições começaram a ser feitas pelo Corpo de Bombeiros e Comissão Municipal de Defesa Civil de Ji-Paraná em 1978. A cota de 2,85 metros registrada há duas semanas só não era menor que os 2,65 metros registrados em 1989. Curiosidade ou não, no mesmo ano, o Machado também registrou seu maior volume de águas, com 17 metros colocando Ji-Paraná em estado de calamidade pública em virtude da intensa cheia ocorrida entre fevereiro e abril. Naquela época, a cheia foi tão impressionante que 30% da cidade, ainda jovem, foi engolida pelas águas barrentas e rápidas do maior rio do interior de Rondônia, com nível ultrapassando inclusive a rodovia BR-364. A parte mais afetada da zona urbana foi à vila Jotão, que teve todas as casas e lojas tomadas pela força da natureza.

Logo após a terrível cheia, a mais severa também já registrada no Estado ganhando até mesmo da grande enchente do rio Madeira em 1997, o nível caiu bruscamente em questão de semanas. Começava ai a longa estiagem em solo amazônico.

No final de setembro, o Machado tinha apenas 2,65 metros, entre fios d´água para a navegação segura e uma quantidade assustadora e visível de pedras.

Esta mesma cena se repete agora em 2007, ano em que a tecnologia dos centros de pesquisas, não consegue detectar tamanha intensidade de uma estiagem capaz de interferir direta e indiretamente na vida das pessoas. Só que esse ano a coisa está muito além de uma simples ausência de chuvas constantes e condição segura para a população jiparanaense e outras tantas cidades por onde o Machado passa até alimentar suas águas no rio Madeira, já na divisa com o Estado do Amazonas. A seca este ano, muito ao contrário do que foi divulgado pelo CTO (Centro Técnico Operacional) do SIPAM (Sistema de Proteção da Amazônia), de Porto Velho - uma instituição criada única e exclusivamente para pesquisar e monitorar qualquer evento dentro da região amazônica – é a mais intensa já registrada em Rondônia.

Os centros de pesquisas levam em consideração e motivo para pauta de comparação, a estiagem que assolou a Região Norte em 2005, quando tivemos uma importante fração anômala da temperatura das águas dos oceanos pacifico e atlântico juntos. Em 2005, a grande quantidade de furacões no Caribe e Estados Unidos e a manutenção do fenômeno El Niño na costa peruana, foram os principais argumentos responsáveis para uma estiagem tão severa e abrangente, como a que culminou na secura quase que completa de largos rios no Amazonas e Pará. No sul da região, entre Acre, Rondônia e norte de Mato Grosso, a estiagem também foi marcante, porém não a mais intensa. O rio Machado, em Ji-Paraná chegou a 3,10 metros de nível mínimo com fatores não muito significativos de interferência no cotidiano da população local. Embora a instituição SIPAM não tenha dado atenção ao inicio do “verão amazônico” este ano em Rondônia, a drástica redução no volume de chuvas em janeiro, fevereiro e março, já indicava o que estávamos por enfrentar meses adiante. Diversas foram as notas publicadas a partir do blog De olho no tempo – Rondônia e repercutidas na imprensa de um modo geral, com imagens, testemunhos do Corpo de Bombeiros e Comissão Municipal de Defesa Civil, alertando que o perigo estava a mostra, mas como de praxe, o único centro de pesquisas de Rondônia não demonstrou o mínimo interesse.

A verdade é que nesta quarta-feira, o rio Machado chegou à histórica marca de 2,50 metros, um valor até então nunca visto pelos mais antigos moradores dessa região. Fato justificável para a atenção redobrada do Corpo de Bombeiros, em alertar às comunidades ribeirinhas e pescadores sobre os ricos de trafegabilidade no rio. A quantidade de pedras e bancos de areia vistos hoje impressiona. E não é só em Ji-Paraná que o Machado se transformou em um grande corredor de pedras ou o “corredor da morte”, assim chamado por muitos pescadores locais, que tiram do rio seu sustento todos os dias. Desde Pimenta Bueno, o nível já deixa nítida a imagem de uma catástrofe ambiental. Em Cacoal, Machadinho d’ Oeste e Vale do Anari, a visão jamais foi relatada anteriormente.

Uma comissão de pescadores de Rondônia formula agora, um protocolo junto às comissões municipais de defesa civil dos municípios banhados pelo Machado, o pedido para que seja decretado estado de emergência, pois não há como trabalhar e tirar o alimento, sendo que a fonte principal de sobrevivência das comunidades está quase seca.

Acidentes com lanchas e pequenas embarcações foram registrados no final de semana em Machadinho d’ Oeste, com equipamentos encalhados no montante de pedras presentes no rio. Segundo informações do departamento de turismo e pesca de Machadinho, a pior seca da história do rio Machado agrava e muito o setor hoteleiro na região. Não há atrativos a se mostrar para as pessoas, com pedras e mais pedras no leito totalmente intrafegável.

Outros rios também estão com nível critico

Mas não é só o rio Machado que sofre com a mais intensa estiagem já registrada em solo rondoniense. Em Jaru, o nível do rio que recebe o mesmo nome da cidade alcançou nesta quarta-feira, o nível impressionante de 3,20 metros, segundo o Corpo de Bombeiros local. A preocupação se dá nesse ponto do Estado, porque as águas do Jaru alimentam parte da cidade e milhares de vilarejos e comunidades da região. Esse também é um dos menores valores de água corrente já registrados no rio Jaru.

Em Ariquemes, a situação do rio Jamarí não é diferente. As nascentes localizadas no município de Governador Jorge Teixeira, às margens da serra dos Pacaás Novos, estão quase secas. Há registro de falta d´ água no interior de Governador Jorge Teixeira, Monte Negro e Cacaulândia. Se a chuva não cair com intensidade significativa agora na primeira quinzena de setembro, o abastecimento de água em várias localidades estará comprometido.

Na capital, o rio Madeira atingiu a marca de 3,50 metros estando apenas poucos centímetros de chegar menor nível registrado em 2005. A Capitania dos Portos confirma que o tráfego noturno permanece proibido, pois a quantidade de bancos de areia e pedras no canal hidroviário preocupa. Diante dessa situação, o escoamento de balsas que trazem diversas mercadorias de Manaus, dentre elas o cimento de argamassa, está comprometido em Rondônia. Em várias cidades falta cimento e a construção civil está paralisada. A situação tende a pender nas próximas semanas para o abastecimento de combustível no Estado. Como a distribuição por Manaus corre sérios riscos de ficar comprometida, o método de transportar combustível via terra a partir do sul poderá produzir reflexos de imediato no bolso do consumidor, com o aumento dos preços.

Uma estiagem anunciada há tempos, mas que pela falta de boa vontade e atenção dos nossos centros de pesquisas locais para com a população de Rondônia, medidas simples de prevenção e alerta mais uma vez não foram tomadas, por quem julga “Proteger e Promover o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia”. É o preço da ciência brasileira na região amazônica.

Dados: Corpo de Bombeiros/Pimenta Bueno/Cacoal/Ji-Paraná/Jaru/Ariquemes – Comissão Municipal de Defesa Civil de Ji-Paraná – Capitania dos Portos – Secretaria Municipal de Turismo de Machadinho d’ Oeste

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