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Finalmente, uma trovoada em Santos!

Notícia enviada em 02/12/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
O título deste reporte pode parecer estranho... Apesar da admiração desse fenômeno atmosférico, é um evento que exige muito cuidado, notadamente pelos efeitos de raios.... Aqui, vou procurar relatar uma variabilidade ou possivelmente, uma mudança climática de origem humana...

Bem, no litoral, já fazem anos que as típicas trovoadas de verão, já não são mais as mesmas...

Elas aconteciam tipicamente após um dia ensolarado de calor intenso, com máximas típicas na média dos 35ºC em Santos.

Era a descida do ar úmido amazônico, que propiciava junto às condições termodinâmicas do litoral no verão (calor e umidade local atmosférica) as tais trovoadas típicas de verão, por ocasião da atuação da massa de ar conhecida por Alta da Bolívia, uma grande área de circulação anticiclônica nas camadas mais altas da atmosfera do centro do continente sul-americano (incluindo áreas da Amazônia). A posição do centro e a configuração deste anticiclone modifica-se ao longo do verão e sua existência associa-se à convecção de verão, ou seja às trovoadas típicas e, portanto contribui para a formação de espessos cúmulos-nimbos (nuvens de temporal associadas às descargas elétricas).

Então, como foi frisado acima, dentre outros elementos, a umidade amazônica exercia papel fundamental para a ocorrência das trovoadas, ou seja, por conta do elevado calor e umidade gerados pela floresta Amazônica.

Desde anos atrás, essas trovoadas têm se tornado mais e mais raras - o que se vê, são trovoadas criadas geralmente por sistemas de meso-escala, que atingem várias áreas do estado paulista, por exemplo, em vez de se originarem células de atuação locais. Pois, há mais de uma década, podia haver uma trovoada na capital paulista e no litoral, mas seriam eventos independentes, ou seja, causados por fatores de microescala ou locais, aproveitando-se as duas regiões embora próximas, porém distintas climatologicamente - da maior oferta da umidade amazônica em altos níveis e também por fatores, por vezes puramente microclimáticos, como as ilhas de calor urbanas da capital. Hoje, 02 de dezembro, há pouco, por volta das 19 horas, uma trovoada moderada atingiu Santos, com chuva de moderada a forte em alguns momentos, causada por instabilidades espúrias (pequeno cavad) de meso-escala na alta atmosfera e não por causas locais...

Mas, dentre outros fatores, friso que nas regiões adjacentes à costa, caso da Baixada Santista, litoral centro-sul paulista, o mar, não raras vezes, atua como inibidor natural de trovoadas e até de haver temporais mais sérios, o que é bom, pois os ventos do mar acabam desconfigurando as famosas nuvens de trovoadas e temporais - as cúmulos-nimbos, desfazendo ou espalhando as extremidades mais altas dessas nuvens (as bigornas) que devido à altitude, são feitas de cristais de gelo.

Essas bigornas alinham-se paralelamente à direção ao vento em altitude, por isso tem esse formato peculiar.

Então, o que aconteceu com as trovoadas locais de verão típicas?

Como há uma real dependência destas com a umidade amazônica, poderia até formular outra pergunta: para onde foi ou o que aconteceu com a umidade amazônica?

Bem, sabemos que o desflorestamento da Selva Amazônica é um fato cruel, agente redutor da oferta dessa umidade em altos níveis atmosféricos. Como relatei no início deste reporte, a redução de ocorrência das trovoadas típicas de verão, pode estar relacionada a uma variabilidade climática aparentemente natural, mas as evidências por mudanças climáticas de origem antrópica (humana), são fortes!

Inclusive, o fator vento marinho tem sido mais ostensivo nos últimos anos no litoral paulista, mesmo em época de calor intenso típico (verão), especialmente do quadrante sudeste, e talvez (são necessários estudos mais profundos a respeito disso), causados direta ou indiretamente pela fase mais amena do clima sobre a região, devido a maior ocorrência do evento La Niña de resfriamento acima da média das águas do Pacífico, com reflexos profundos no Atlântico e portanto, globais) em relação ao El Niño, evento de aquecimento acima da média do Pacífico, também com fortes e evidentes implicações no Atlântico (as correntes marinhas quentes do Oceano Índico são o fator disparador do evento, uma vez que o Índico é o oceano com águas superficiais mais quentes do planeta).

Observo que 2009 foi um ano de atuação forte do La Niña, fazendo as médias de temperatura no inverno daquele ano ficarem abaixo da média, especialmente em Julho, quando choveu cerca de 250 milímetros só naquele mês, em Santos, o equivalente a um mês de verão. E 2011, foi o ano de inverno mais frio dos últimos dez anos em Santos e um dos mais frios dos últimos vinte ano, salientando que o último episódio do El Niño foi no final da primavera de 2009 e verão de 2010 e mesmo com picos de temperatura máxima rondando os 40ºC em Santos em novembro desse ano e os 40ºC em fevereiro de 2010, também em Santos, (ver meu reporte em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=El_Nino_pode_ter_hoje_papel_mais_secundario!!!!&posic=dat_20121201-035704.inc), foi classificado como um episódio de moderado a fraco!

Por esses motivos, podemos, segundo estudos bem atuais, que o El Niño hoje tem efeitos secundários no clima da região e do Brasil em geral, sendo que o Oceano Atlântico, responsável por banhar todo o litoral brasileiro está com atuação principal nesse processo de variabilidade climática sazonal natural e/ou processo de mudança climática antrópica....

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