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Furacão poderá ocorrer no litoral do Sudeste num futuro próximo?

Notícia enviada em 07/02/2015
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
A tempestade subtropical BAPO, que em tupi-guarani significa ",chocalho", formou-se devido à intensificação de uma área de baixa pressão que se organizou na altura da costa paulista, porém bem afastada desta, em alto-mar. Este sistema foi o que provocou chuvas intensas em todo o Estado paulista desde a última quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015. Saliento que trata-se de um intenso ciclone subtropical, repito subtropical, pois não tem nada a ver com furacão (ciclone tropical), mas trouxe um aporte muito elevado de umidade do mar para a costa, criando muitas bandas de nuvens carregadas. Até às 14:30 de 06/02/2015 (ontem), o índice pluviométrico medido pela Estação Amigos da Água em Santos, foi de notáveis 156 milímetros por metro quadrado, volume que representa pouco mais da metade do índice esperado para fevereiro...

intenso ciclone está se formando na costa da Região Sul

De acordo com a Metsul, empresa de Meteorologia de São Leopoldo no Rio Grande do Sul, intenso ciclone vai se formar no Atlântico Sul junto à costa do Sul do Brasil no final desta semana, conforme as projeções dos principais modelos internacionais de previsão do tempo. O seu impacto, entretanto, conforme estas simulações, não deve ser muito significativo no continente. Um centro de baixa pressão em médios e altos níveis da atmosfera na costa do Sul do Brasil entrou em fase com outro centro de baixa pressão, este em superfície e no litoral paulista, no final desta quinta-feira (05/02/2015) e na sexta-feira (06/02/2015), dando origem a um ciclone. Conforme todas as projeções numéricas, o ciclone avançará para sul a uma grande distância da costa e se intensificará bastante à medida que a sua pressão central diminui. De acordo com estas projeções, este ciclone até oscilaria (wobble) um pouco para oeste em direção ao continente na altura do Rio Grande do Sul, mas ainda assim permaneceria com seu centro distante da costa.

Na fase final de sua evolução deverá ser um ciclone puramente extratropical (com estrutura fria no centro), fenômeno comum no Atlântico Sul, especialmente no outono e início de inverno. Em parte da trajetória, porém, poderá vir a apresentar características subtropicais (centro quente em superfície e frio em altitude), com forte convecção ao redor do seu centro, o que é menos freqüente. Por isso, espera-se alta incidência de raios em torno do centro do ciclone, o que não é a regra em sistemas extratropicais. Algumas simulações em seus perfis verticais da atmosfera chegam a sugerir que em parte da evolução deste sistema ele poderia ser puramente tropical, entretanto estará impulsionando ar mais frio em seu flanco oeste, fazendo que seja mais provável um sistema subtropical.

Furacão pode ocorrer no litoral do Sudeste no futuro próximo?

Há um livro de difusão científica para jovens entre os anos 1970 e 1980, que afirmava categoricamente: ",Não há furacões no Atlântico Sul",. Tal ",regra",, foi, porém, quebrada com o advento do Furacão Catarina em 2004, atingindo e fazendo danos no litoral catarinense e partes do litoral rio-grandense...

Nem é preciso ",apelar", para fins de explicação, para as águas superficiais do Oceano Pacífico com temperaturas acima do normal, pois isto têm, não raras vezes, acontecido aqui mesmo no Atlântico Sul, desde a costa da Região Sul até a costa da Região Sudeste...

Em tempos de mudanças climáticas e variabilidade natural do clima, não estamos livres da ação de uma tempestade subtropical ou mesmo extratropical (que é comum), que poderiam em tese, dependendo do padrão de ventos e da temperatura superficial acima da média climatológica, ocorrer mesmo no litoral paulista (desde o sul até o norte passando pela Baixada Santista.

Lembro que o Furacão Catarina, o primeiro do Brasil se formou a partir de um ciclone extratropical. ',Agora temos que enfrentar uma nova realidade e estudar a probabilidade de se repetirem furacões no Atlântico Sul",, diz o Climatologista Carlos Nobre, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

Para um furacão acontecer, é preciso que a água do mar esteja quente, provocando muita evaporação. O vapor é o combustível do furacão e os ventos de altitude têm que ser fracos e soprar na mesma direção dos ventos de superfície. Diferente do que acontece normalmente no Sul do Brasil, onde os ventos são fortes e a água, fria. Por isso o Catarina surpreendeu tanto a comunidade acadêmica! Técnicos do Centro Nacional de Furacões, na Flórida, disseram que o Catarina foi um Furacão Categoria 1, (velocidade dos ventos entre 119 e 153km/h), com muita chuva concentrada em pequena área, massa circular e simétrica em torno de um olho visivelmente claro, e medições por microondas indicando temperatura no centro maior do que nas bordas. De fato, velocidade de 150km/h foi atingida pelo Catarina na madrugada de 28 de Março de 2004, em Torres, no Rio Grande do Sul... Simulações com modelos climáticos globais indicam que num planeta mais aquecido (partindo do pressuposto de que há de fato aquecimento global), poderia haver um número maior de sistemas meteorológicos como ciclones extratropicais no Atlântico Sul, ainda que tais projeções necessitem de estudos mais detalhados.

Por fim, um ",simples", ciclone extratropical e sobretudo, um subtropical, pode, de acordo com circunstâncias ",favoráveis",, se tornar um ciclone tropical, ou simplesmente, um furacão!

Além do Catarina, tivemos outros eventos raros, porém menos estranhos do que este, como em 21 de Fevereiro de 2006, formou-se uma Tempestade Tropical (fase anterior a um furacão) na costa do Rio de Janeiro. Este sistema tinha se formado cerca de 1000km a sudeste da costa fluminense. Naquele dia, as águas estavam com temperatura em torno dos 26 graus Celsius e havia ventos verticais de pequena intensidade, os quais são responsáveis por impedir a formação destes sistemas. Esta tempestade atingiu seu pico no dia 23, com ventos de 100km/h e se dissipou no dia 24, quando enfrentou uma forte camada de ventos verticais ou de cisalhamento. Na época o sistema havia sido classificado de ",Invest 90",, classificação dada a sistemas com potencial para formação de sistemas tropicais. Em nenhum momento este sistema afetou a costa brasileira. Outro evento dessa natureza, foi a Tempestade Subtropical Arani (em tupi-guarani, ",tempo furioso",), em 15 e 16 de março de 2011, que também surgiu como uma área de baixa pressão sobre o continente no norte do Espírito Santo, mas que depois evoluiu para um ciclone tropical no início desta semana conforme se afastava do continente para alto-mar. Porém, como este sistema foi embebido por uma frente fria na altura do litoral da Região Sudeste, numa posição muito distante da costa brasileira, perdeu rapidamente a qualidade de tempestade tropical, para subtropical e apenas causou agitação marítima.

A pressão atmosférica de Arani chegou na terça-feira, dia 15 de março de 2011 ao nível mínimo de pressão em 998 milibares. Os ventos máximos foram estimados pelo Instituto Nacional de Meteorologia na ordem dos 120 km/h, no mínimo a 700 quilômetros do litoral, ou seja, muito afastados. A estação meteorológica do arquipélago de Abrolhos (costa sul da Bahia) chegou a registrar ventos de 81,4km/h às 19h. Por fim, tivemos em 2010, a Tempestade Tropica Anita! Ressalto que estes eventos ocorreram no verão ou no início do outono.

Coincidências ou não, na dúvida, melhor o país se preparar melhor e estudar e monitorar estes tipos de fenômenos, com auxílio de estações em terra com instrumentos capazes de detectar e medir as velocidades dos ventos, bem como sua tendência de propagação e evolução a fim de alertar a população!

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água

Imagens de satélite e carta sinóptica da Tempestade Subtropical Bapo.

Fonte: NASA e CPTEC, respectivamente.

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