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Inversão dos polos magnéticos acontecem o tempo todo

Notícia enviada em 09/12/2012
por Paulo Ricardo da Silva - São Paulo/SP
Com a proximidade do dia 21 de dezembro, data profetizada por muitos como sendo aquela em que eventos catastróficos irão afetar de alguma forma a vida na Terra, devido ao alinhamento planetário (Sol -> Terra -> Centro Galáctico), muito se tem especulado sobre uma possível inversão da polaridade do planeta, ocasionada por violentas erupções solares que irão enviar trilhões de partículas energizadas em direção ao nosso planeta, devido mudanças no campo magnético do Sol.

Sabemos que a polaridade da Terra se inverte muitas vezes ao longo de milênios. Se você estivesse vivo cerca de 800.000 anos atrás, de frente para o que denominamos ',sul', com uma bússola magnética sob seus domínios, a agulha apontaria para o ',norte',, isto porque as bússolas magnéticas são calibradas com base nos polos da Terra. A marca NS [norte e sul] seria 180º errado caso os polos da Terra de hoje fossem invertidos. Muitos associam uma inversão da polaridade da Terra a cenários apocalípticos, podendo levar a destruição da Terra. Mas ao que tudo indica, de acordo com registros geológicos de fósseis que temos de centenas de inversões de polaridade magnética passadas, a resposta parece nos indicar o contrário...

A Terra estabeleceu, nos últimos 20 milhões de anos, um padrão de inversão dos polos a períodos de 200.000 a 300.000 anos, embora a última inversão de que se tenha registro fora mais que o dobro do que o padrão estabelecido pelo planeta. A inversão ocorre ao longo de centenas ou milhares de anos, e ocorre lentamente - aliás, neste exato momento, ela está ocorrendo -. Campos magnéticos modificam-se e puxam e empurram um para o outro. Cientistas estimam ter acontecido cerca de centenas de inversões nos últimos três bilhões de anos. As reversões, por sua vez, são mais ',frequentes',, e ocorrem em períodos relativamente mais curtos. Quando os dinossauros habitavam a Terra, uma reversão era estimada a ocorrer apenas a cada um milhão de anos.

Núcleos de sedimentos retirados de pisos profundos de leitos oceânicos podem dizer e revelar novas descobertas aos cientistas sobre mudanças de polaridade magnética, ligando a polaridade magnética e o registro fóssil. O campo magnético terrestre determina a magnetização de lava como está previsto no fundo dos oceanos em ambos os lados da Rift Mid-Atlantic, onde a placa norte-americana e as placas continentais europeia estão a distanciar-se. Quando a lava se solidifica, cria-se um registro da orientação dos últimos campos magnéticos, assim como um gravador. A última vez que os pólos da Terra capotou em grande reversão foi há cerca de 780.000 anos atrás, fenômeno que os cientistas chamam de ',a reversão Brunhes-Matuyama',. O registro de fósseis não evidencia mudanças drásticas na vida vegetal ou animal. Núcleos de sedimentos do oceano profundo deste período também não indicam mudanças na atividade glacial, com base na quantidade de isótopos de oxigênio nos núcleos. Esta é também a prova de que a inversão de polaridade não afetaria o eixo de rotação da Terra, tal como a inclinação do eixo de rotação do planeta tem um efeito significativo sobre o clima e glaciação e qualquer mudança seria evidente no registro glacial.

Sabemos que a polaridade da Terra não é uma constante (aquilo que se mantém). Geofísicos são bastante convictos de que a razão pela qual a Terra tem um campo magnético é porque o núcleo de ferro sólido é cercado por um oceano líquido de metal (líquido quente). Este processo pode também ser modelado e obtido com supercomputadores. O fluxo de líquido no núcleo de ferro da Terra cria correntes elétricas que, por sua vez, dão origem ao campo magnético. Como sabemos, o núcleo externo da Terra é extremamente profundo para que cientistas possam medi-lo diretamente, mas podemos inferir movimento no núcleo, observando anomalias no campo magnético. Segundo dados, o polo norte magnético foi ',arrastado', para o norte - por mais de 600 milhas (1.100 km) - desde o início do século 19, quando os primeiros exploradores localizaram-no com precisão. Ele está se movendo mais rápido agora, na verdade, como os cientistas estimam que o polo está migrando para o norte a cerca de 40 quilômetros por ano, em oposição a cerca de 10 quilômetros por ano no início do século 20.

Conforme foi dito no início, muitos temem que a inversão da polaridade do planeta seja ocasionada por violentas erupções solares ejetadas da coroa solar em direção à Terra. Muitos acreditam, de forma equívoca, que essa inversão de polaridade - ocasionada pela erupção solar - deixaria o planeta momentaneamente sem o escudo que nos protege dos raios solares e ejeções de massa coronal do Sol (CMA): o campo magnético. Mas, enquanto que o campo magnético terrestre pode realmente enfraquecer e fortalecer ao longo do tempo, não há nenhuma indicação de que já desapareceu por completo. A queda do campo certamente levaria a um pequeno aumento na radiação solar na Terra - bem como uma bela exibição de aurora em latitudes mais baixas -, mas nada mortal. Além disso, mesmo com um campo magnético enfraquecido, a espessa atmosfera da Terra também oferece proteção contra partículas provenientes do Sol.

Portanto, a ciência nos mostra e comprova que a inversão de polaridade é, em termos de escalas de tempo geológicas, uma ocorrência comum que acontece de forma gradual ao longo de milênios e que não ocasiona grandes catástrofes como se menciona em sites (ou blogs) que não tem nenhum conhecimento do que é e como atua a ciência na explicação de fenômenos que ocorrem em nosso planeta desde seus primórdios. Quanto as condições que provocam a inversão de polaridade, estas não são totalmente previsíveis - o movimento do Pólo Norte poderia sutilmente mudar de direção, por exemplo, ou seja, não há nada na casa dos milhões de anos de registros geológicos para sugerir que qualquer um dos cenários apocalípticos conectados a uma inversão dos polos deve ser levado a sério neste ano de 2012. Mas seremos realistas, uma reversão poderia, no entanto, ser um bom negócio para os fabricantes de bússola magnética.

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