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MUDANÇAS AMBIENTAIS: AQUECIMENTO GLOBAL E AQUECIMENTO LOCAL URBANO.

Notícia enviada em 05/01/2010
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Planeta Terra: há cerca de 70 milhões de anos neste solo onde hoje passeamos, trabalhamos, estudamos, namoramos, moramos, brincamos, etc, residia o habitat de verdadeiros montros do Período Cretáceo: os dinossauros carnívoros e herbívoros. Eles dominaram o planeta por aproximadamente 160 milhões de anos, sendo seus tamanhos exagerados, possibilitados por uma atmosfera muito mais rica em oxigênio do que a que temos hoje.Nós seres humanos estamos "somente" há dois milhões de anos. Os "dinos", por melhor que estivessem adaptados, acabaram perecendo assim mesmo, seja por mudanças climáticas geradas por emissões de gás metano do fundo do mar que se inflamavam ao subir à tona, ou por violentas e numerosas erupções vulcânicas globais ou ainda pela queda de um asteróide há 65 milhões de anos, pondo fim a praticamente todas as espécies de dinossauros... Uma bem provável causa externa (vinda do espaço), que no impacto com a superfície terrestre, o asteróide lançou às altas camadas da atmosférica, toneladas de material particulado, que devem ter bloqueado a luz solar por quase um ano, na realidade, causando mais mudanças climáticas letais. Frisemos que nossa espécie está somente há dois milhões de anos habitando a Terra.Será tempo suficiente para estarmos preparados e adaptados a sobreviver aos impactos ambientais da era moderna?

É óbvio que o homem tem como "arma" e defesa, sua indiscutível inteligência, produzindo mais e mais tecnologia desde a Revolução Industrial iniciada na segunda metade do século XVIII, a fim de superar desafios de sobrevivência e conforto.Porém, essa mesma tecnologia que o defende, é a mesma que o ataca. Para se ter uma idéia, apenas a partir da década de 1970 do século XX, é que a humanidade "acordou" para os problemas ambientais, criando tardiamente o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Enquanto isso, a velocidade de degradação do solo, ar e água, continua galopante e nosso desenvolvimento sustentável continua caminhando a pé...

Todos os anos, desde a década de 1980, quando a temperatura média do ar na capital paulista vem aumentando (entre outras coisas, reduzindo drasticamente a famosa garoa paulistana), por conta do elevado aumento nas emissões de gases oriundos de veículos e fábricas, do crescente aumento da "selva" de concreto (logicamente que para existir, devasta áreas verdes) que perturba a circulação do ar e dos ventos na cidade, criando corredores apertados de ventos, os "canyons urbanos" - podemos definir uma espécie de "aquecimento local urbano", típico das metrópoles, nas quais de certa forma, nem as grandes cidades do interior paulista escapam.... Tal "aquecimento local urbano", somado ao aquecimento global tão bem conhecido do grande público, detona a cada dia, uma parcela de deterioração do chamado clima urbano e assim da qualidade de vida das populações. A impermeabilização do solo devido ao asfalto diminui dramaticamente a absorção da água da chuva pelo solo, encharcando-o e provocando as famosas e duras enchentes de todos os anos, principalmente no verão do sudeste brasileiro, embora devido às mudanças climáticas, nem mesmo qualquer mês do ano ou estação está livre desses dramas urbanos de hoje (caso de julho de 2009, que foi tão chuvoso em Santos, quanto o mês de fevereiro). O descarte de lixo nos bueiros também tem sua parcela de contribuição para essa ineficiente drenagem das águas pluviais. Voltando às emissões de gases tóxicos para a atmosfera, estes alteram a composição química das nuvens e juntamente com o confinamento dos espaços urbanos devido ao aglomerado de edificações, mudam a circulação do ar, tornando o mesmo mais aquecido e instável, ingredientes perfeitos para a criação de tempestades mais e mais abundantes com maior produção de raios e chuvas torrenciais. Neste cenário, São Caetano do Sul no ABC paulista e Bertioga no litoral, se destacam no ranking das cidades com maior incidência de raios, um exemplo notável ocorreu neste domingo (03/01), quando o solo ainda úmido das chuvas intensas do início de 2010, evaporou essa umidade residual velozmente pela radiação do Sol forte e com a a atuação da "ilha de calor" urbana, formou nuvens carregadas que despejaram chuva na forma de pancadas fortes com descargas elétricas, por vezes intensas, no bairro da Lapa, zona oeste da capital.Ontem, segunda-feira (04/01), um forte temporal alagou vários pontos da capital, por ação conjunta (a já "consagrada dobradinha", aquecimento global e aquecimento local urbano), de áreas de baixa pressão residuais (sim, aquelas mesmas que vitimaram tantas pessoas em Angra dos Reis) e "ilhas de calor urbanas". Já a devastação florestal por sua vez, diminui a oferta de umidade no ar, deixando as pessoas mais sensíveis, vulneráveis às doenças do aparelho respiratório e circulatório. Este fato é muito importante, haja vista que a principal fonte de umidade na capital e interior, reside nos vegetais. Cidades como Ribeirão Preto no norte e São José do Rio Preto no noroeste do estado, no período de estiagem do inverno, as vezes prolongando-se até a primavera, rivalizam em secura do ar com a capital federal Brasília, atualmente. O litoral ainda resiste mais, por ter a sua beira, o mar, relevante fonte natural de umidade, entretanto,o mesmo mar, segundo estudos do laboratório de hidráulica da Universidade Santa Cecília de Santos, a se perpetuar a falta de medidas que contenham o avanço do mesmo nas cidades litorâneas originado pelo aquecimento global, Santos, por exemplo poderá se tornar uma cidade alagada várias vezes ao dia em diversos bairros até o final deste século (curiosamente, entre 1645 e 1715, a humanidade viveu uma espécie de mini era glacial,caracterizada por invernos muito rigorosos na Europa -astrônomos alegam que o Sol esteve num ciclo de baixíssima atividade naquela época e apontam que ainda neste século atual, uma outra muito baixa atividade solar uma vez deflagrada, poderia compensar um pouco o aquecimento global, mas isso é apenas conjectura... A ordem do dia é reduzir as emissões de carbono).E assim, podemos fechar o ciclo vicioso da degradação do meio ambiente urbano, o qual altera o precioso ciclo da água na natureza. Por fim, a ocupação e o uso incorreto do solo nos morros e suas encostas, causa um tipo de "stress" no solo, tornando-o frágil, sobretudo quando as chuvas torrenciais, (agora, mais intensas do que nunca, propiciadas pelas mudanças climáticas) o descartam do substrato rochoso, podendo causar escorregamentos e dessa forma, soterrando residências, que não deveriam nem ser pensadas em ali existir. Está configurado aí, mais um ciclo vicioso entre o ciclo da água alterado e o solo mal-ocupado e utilizado. A cidade de Santos, só para ilustrar, vive um verdadeiro "boom" imobiliário com a chegada da futura exploração de gás natural e petróleo, cansando o já frágil solo extremamente úmido da apertada ilha de São Vicente, onde os seus famosos edifícios na orla, formam entre os mesmos, em menor escala, os "canyons urbanos" da capital, que reduzem o poder refrescante da brisa marinha. Fora o problema de se construir edifícios à beira de encostas de morros, onde urge a necessidade de obras de contenção do talude. Construções para ali existirem, foi necessário infelizmente, desmatar grandes porções de mata nativa, antigas protetoras do solo da ação de encharcamentos... e deslizamentos.

No caso de Angra dos Reis, tratava-se de área de preservação e mesmo assim, o solo deslizou. Estranho? Talvez não.

Abaixo, faço uma preleção do que possa ter ocorrido. A intenção é oferecer uma análise alternativa.

Antes de tudo, iniciei exatamente neste começo de ano, as observações e coleta de águas pluviais, que vem somar-se às já tradicionais informações meteorológicas e climatológicas, tais como temperatura, umidade e pressão - para fins de estudos e utilidade pública.

Até o momento, desde a zero hora do início do ano (1 de janeiro), coletei 50,5 milímetros de chuva por metro quadrado na Vila Belmiro de Santos, uma marca considerável, haja vista que todo esse volume foi registrado em apenas 24 horas (para efeito de comparação, entre 30/12/09 e 01/01/10, choveu 236 milímetros em Angra dos Reis, superior a média do mês de dezembro naquela cidade, que é de 200 milímetros). Com esses dados diários, poderemos comparar, analisar e até de certa forma, fazer projeções pluviométricas para um mês inteiro, do tipo, "acima, tangenciando ou abaixo" da normal climatológica. Outrossim,faço um adendo a fim de chamar à atenção para o outro lado altamente perigoso das enchentes: a propagação de doenças, como a leptospirose. Aliás, em tempos de aquecimento global, insetos transmissores de doenças se multiplicam, por causa da elevação da temperatura e umidade.

Outrossim, observando e analisando dados sobre o infeliz incidente ocorrido em Angra dos Reis, que teve até repercussão internacional e considerando que:

1) Segundo dados geológicos, antes do escorregamento, esta e outras áreas jamais deveriam comportar construções de quaisquer tipos, pois segundo geólogos, já houveram no passado escorregamentos, revelados por exposição de rochas nuas (sem cobertura de terra),

2) Ainda que o escorregamento tenha acontecido em área não degradada pela ação humana, a fragilidade do solo e da própria estrutura cristalina (rochosa), que se decompõe em solo poroso com relativa facilidade, onde os interstícios acumulam muita água e podem deslizar com relativa facilidade,

3) Uma área de baixa pressão na altura do litoral fluminense, com giro ciclônico (no sentido horário), conforme havia comentado no informe anterior ("Agora a chuva volta-se à Santos...), que agia como uma espécie de funil, atraindo e canalizando muita umidade oriunda da Amazônia, surpreendeu e acabou recuando (descendo da capital fluminense, onde havia causado chuvas intensas), para o sul e assim despejando as copiosas chuvas de Angra,

4) Tal área de baixa pressão estava associada a um ciclone possivelmente subtropical, provavelmente formado pelo maior aquecimento das águas do Atlântico, fenômeno que causou também chuvas fortes no sul da Bahia, recentemente,

5) O recuo para o litoral paulista desse ciclone ao juntar-se com uma fraca frente fria que passava ao largo da Baixada Santista, que sozinha somente causaria céu encoberto com chuviscos/chuva leve - trouxe chuvas intensas (no meu posto, acumulou-se 50,5 milímetros em apenas um dia) e rajadas de ventos de até 45Km/h, proporcionando sensação térmica de somente 21ºC no dia 01 deste (temperatura efetiva do termômetro de 25,2ºC, nos momentos das rajadas),

6) Posto que a ocorrência de chuvas abundantes no litoral do sudeste não é novidade, mas a tendência, como no caso de Angra, é de elevar o índice dessas chuvas:

- Apresento mais um possível fator para o desastre, associada aos fatores acima: MUDANÇAS CLIMÁTICAS a todo vapor...,

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