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O Dia de São José e a seca do sertão do Nordeste!!!!

Notícia enviada em 19/03/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
O sertanejo do Nordeste, castigado muitas vezes em anos de seca no sertão, vê com esperança e bons olhos a chegada de um vento especial soprado desde o mar – é o Aracati, assim denominado pelo sertanejo do estado do Ceará, vento esse que percorre cerca de 300 Km levando a umidade marinha para refrescar as noites do interior seco. “Aracati",, do tupi-guarani ",bons ventos",, ganha intensidade ao ser canalizado pelo Rio Jaguaribe, que deságua no mar entre Aracati e Fortim.

Quando sopra nas últimas semanas de dezembro e no mês de janeiro, é sintoma certo de seca. Seca que será tão mais grave e inevitável se não chover até 19 de março, dia de São José, “coincidentemente, quando escrevo estas “linhas”, é o dia 19 de Março de 2012 – Dia de São José. O homem simples do interior realiza muitas preces e procissões para que o período de “inverno” (de chuva para o nordestino), seja abençoado por chuvas abundantes por São José com chuvas abundantes e assim, seja privado do sofrimento de mais um ano de seca severa.

Pesquisas apontam que o vento Aracati seja formado pela sinergia da brisa marítima (quase constante e ostensiva da região Nordeste ao contrário da brisa relativamente fraca e irregular do litoral paulista) e dos ventos alísios. Em ciclos de três e sete anos, nos meses de setembro, outubro e novembro, por motivos que ainda não se consegue determinar com certeza, uma grande massa de água quente vinda da Austrália avança pelo Pacífico equatorial em direção ao leste além da Ilha de Taiti, no fenômeno conhecido como El Niño. A água quente cria nova zona de convecção, deslo-cando as chuvas do meio do Oceano Pacífico para a costa oeste da América do Sul, na altura do Peru, e levando a corrente de ar vinda do Sudeste asiáti-co a cair diretamente sobre o Nordeste brasileiro, impedindo a formação de nuvens de chuva.

Há um outro fator determinante das chuvas de “inverno” ou a partir de 19 de Março no sertão nordestino: A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que consiste em um tipo de anel envolvendo o globo terrestre formado por nuvens cumuliformes carregadas nas proximidades do Equador. As nuvens de chuva da Zona de Convergência Intertropical são alimentadas em boa parte pelo sistema de baixa pressão atmosférica da região de Terra Nova, no Canadá, próximo ao Círculo Polar Ártico. Quando a baixa pressão é mais forte na Terra Nova, o ar úmido engrossa a ZCIT que se desloca em direção às águas mais quentes próximas ao equador, acompanhando com um pequeno atraso o movimento do Sol. Assim, quando o Sol atravessa a linha do equador no equinócio de outono do hemisfério sul, entre os dias 20 e 21 de março, a zona de convergência intertropical atinge sua posição mais ao sul, com o seu centro sobre a cidade de Quixadá, a 5° de latitude sul, no sertão cearense, provocando as chuvas do dia de São José.

Mas, nem sempre é assim: o movimento da Zona de Convergência Intertropical depende da temperatura das águas superficiais do oceano, que na região equatorial varia entre 26ºC e 29º C. E uma variação de 1 a meio grau Celsius entre as águas do Atlântico norte e do sul é a diferença entre um “inverno” chuvoso ou seco. Com as águas do Atlântico norte mais frias, a ZCIT desloca-se para o sul, trazendo suas nuvens carregadas. Se as águas do Atlântico estiverem mais frias no sul, entretanto, as chuvas serão despejadas na Amazônia e sobre a Ilha de Marajó. Neste caso, a seca será mais uma vez instalada sobre o sertão do Nordeste. No entanto, é bom ressaltar que a seca se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas. Esta área envolve parte de oito estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e parte do norte de Minas Gerais e que o índice pluviométrico atinge a média de 750 mm anuais, sendo que em algumas áreas chove menos de 500 mm ao ano. Outrossim, Essa falta de chuva ocorre devido a temperatura elevada da região que provoca um alto teor de evaporação, pela permeabilidade insuficiente das rochas, que retém uma pequena quantidade de água, dificultando a umidade atmosférica e, além disso, entre os meses de janeiro e abril há uma forte concentração de chuvas, caindo neste período cerca de 80% do total anual.

Outro fator importante que influencia na escassez das chuvas nesta região é a colocação geral do relevo, na direção dos ventos alísios de nordeste, que impede a formação da chuva de relevo e possibilita a livre penetração desses ventos, além da existência do Planalto de Borborema nas proximidades da costa formando um estorvo para o acesso dos ventos alísios de sudeste, que trazem a umidade.

Mas, o Nordeste brasileiro inda seria abençoado se houvesse uma política mais eficiente de mitigação dos efeitos da falta de chuvas regulares e/ou abundantes: no deserto do Arizona, o índice anual de chuvas é inferior ao do sertão do Nordeste, com índices de evaporaçãio consideravelmente maiores também. Só para se ter idéia do grau de aridez no deserto do Arizona, há cemitérios de aviões que foram criados em 1945 para estocar parte dos mais de 300 mil aviões construídos pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. O maior cemitério fica na base aérea de Davis-Monthan em Tucson, no deserto de Sonora, no Arizona e ocupa uma gigantesca aérea de mais de 10 milhões de metros quadrados. O local foi escolhido por ter baixo índice pluviométrico e baixa umidade, o que diminui em muito o desgaste das aeronaves. Existem mais de 4400 aviões militares da Força Aérea Americana.

Por fim, se vamos ter um ano agraciado por chuvas ou não, isso dependerá do posicionamento da ZCIT e das oscilações da temperatura superficial do oceano, no caso temos a indicação do enfraquecimento da contraparte do El Niño, a La Niña (resfriamento das águas), propiciando um prognóstico de chuvas dentro da normal climatológica neste outono para grande parte do nordeste, porém, maior probabilidade de chuvas dentro e até abaixo da normal para o norte da Região Nordeste. Agora, só nos resta orar e aguardar...

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