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O sobrevivente de uma nuvem de tempestade!

Notícia enviada em 17/02/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Por ocasião do verão, onde descargas elétricas são algo comum, embora o adensamento urbano com suas implicações ambientais prejudiciais seja um fator para maior incidência de raios, fato registrado nos últimos anos na cidade de São Paulo, dentre outras cidades do país, aproveito a oportunidade para relatar alguns momentos muito apreensivos e dramáticos vividos por um piloto militar experimentado frente a uma tempestade de verão!!

O trovão e o raio desde tempos imemoriais sempre colocaram temor nos primeiros seres humanos.

Como não havia ciência ou filosofia àquela época, atribui-se o valor de divindade a esse fenômeno natural.

Thor, era o deus do trovão na mitologia nórdica. Zeus também era o senhor do céu e do trovão, além de deus dos deuses na mitologia grega. Esses são mitos europeus, respectivamente do norte e sul do velho continente.

Já para os índios brasileiros, Tupã assumia o posto de deus dos raios e dos trovões. E no sincretismo afro-brasileiro, Iansã ou Santa Bárbara era a divindade correspondente à ",fúria da natureza",...

Com o passar dos tempos, até hoje mitos, superstições e tabus envolvem o fenômeno raio.

Em pleno século 21, quando a tecnologia vem ocupando mais e mais espaços no cotidiano popular, ainda há pessoas que cobrem espelhos durante uma trovoada, entre outros mitos.

Mitos e fantasias a parte, ainda assim, devemos ",respeitar", esse fenômeno atmosférico, pois é causa infelizmente de muitos acidentes, especialmente por imprudência e aleatoriedade da ocorrência da incidência exata das descargas atmosféricas.

Agora, uma coisa é estar sob a trovoada, outra, é estar sobre e dentro da trovoada.

Foi o caso do Tenente-coronel William Rankin, aviador da Aeronáutica dos Estados Unidos.

Mesmo com toda sua experiência de voo e combate (lutou na Guerra da Coréia, entre 1950 e 1953), foi pego por uma temível nuvem de trovoada, a cúmulo-nimbos (sigla Cb).

Essa nuvem que desenvolve-se a partir de uma nuvem cúmulo-congestos e pode atingir verticalmente o perfil de até 2O mil metros de altitude, constitui um sério risco à navegação aérea. Como se expande pela atmosfera adentro, granizo dessa tipo de nuvem pode causar danos graves à fuselagem de um avião e seus raios podem provocar pane no equipamento elétrico da aeronave. Logicamente, sabemos que a carcaça metálica do avião funciona como uma Gaiola de Faraday, blindando a nave como um todo em relação aos raios. Devido aos riscos, engenheiros aronáuticos estão sempre em busca de meios para minimizar a possibilidade de uma descarga elétrica provocar um acidente. Os aviões possuem até pára-raios que os protegem contra as descargas, mas a proteção não é total. Os engenheiros de aeronaves também realizam testes com a carcaça dos aviões e verificam qual material suporta e distribui melhor um raio. Atribui-se também a acidentes com raios, ao fato de que durante certo período, tipos de materiais não-metálicos eram misturados ao metal da carcaça, o que não propiciava proteção contra descargas da atmosfera... Acima dos 20 mil metros, praticamente na estratosfera (acima da troposfera), a nuvem cúmulos-nimbos não pode mais subir, pois há uma inversão de temperatura, ou seja, a temperatura nessa camada tende a aumentar devido à absorção do ultravioleta pela camada de ozônio. Assim ela se espalha horizontalmente na direção dos ventos nessa altitude, fazendo que a nuvem tenha o aspecto de bigorna e topo ligeiramente achatado (mais detalhes em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Uma_nuvem_serena_so_na_aparencia_e_na_distancia&posic=dat_20121213-162734.inc).

Voltando ao caso do piloto americano, num dia de verão em 1959, com 40 minutos de voo, ao se aproximar da cidade de Norfolk no estado da Virgínia, Rankins notou as formas de uma cúmulo-nimbos a sua frente. O topo dessa nuvem atingia cerca de 13 mil metros, superando a previsão de um funcionário em terra em South Weymouth, então o piloto teve que subir até 14600 metros a fim de garantir o não-confronto com a nuvem.

Exatamente sobre o topo da nuvem à velocidade de 876 Km/h ou mach 0,82 (mach é uma unidade de velocidade, definida como a relação entre a velocidade do objeto e a velocidade do som - por exemplo, um avião à velocidade do som, que é de 1224 Km/h tem mach 1, acima disso, a velocidade é supersônica), Rankin ouviu um ruído de um tranco e um ronco vindo do motor atrás dele. Ao olhar o indicador de velocidade, não acreditou que houvera uma pane no motor da sua aeronave. Rapidamente, puxou uma alavanca de emergência a fim de restaurar o controle da nave, mas infelizmente, a peça soltou-se da sua mão. Aí, pensou em ejetar-se, porém, estava com trajes de voo leves, pois era verão, mas naquela altitude, nunca ouvira alguém saltar daquele nível atmosférico, ainda mais com a estimativa de 50ºC abaixo de zero!

Sem outras opção melhor, o militar ejetou da aeronave e aí, sofreu os efeitos dramáticos e nocivos à temperatura baixíssima e ar irrespirável (à baixíssima pressão). O piloto estava equipado com paraquedas e seu suprimento de oxigênio.

Agora, parecia estar sendo arremessado através do ar, preso a um pára-quedas que não funcionava...

Bem no interior da camada mais alta da cumulo-nimbos, formada por partícula de gelo, imperava uma escuridão com visibilidade zero. Isso fez com que nosso protagonista ficasse totalmente desorientado, sem nenhuma referência. Foi quando sentiu muito aliviado, o tranco provocado pela abertura do pára-quedas! em bora seu suprimento de oxigênio tivesse acabado, teve conhecimento de que o ar àquela altitude tinha densidade suficiente para que ele respirasse, dispensando assim, o suprimento de oxigênio.

Mas, quando o piloto adquiriu maior confiança, a turbulência e o granizo que o atingiam naquele momento fatídico, significam só uma coisa: que somente agora estava ele alcançando o centro da tempestade....

então, as colossais correntes de ar ascendentes típicas dos movimentos convectivos, o jogavam para cima, retardando sua queda ao solo e gerando mais e mais tensão à vítima.

Ao subir e descer, inúmeras pedras de gelo (granizo) se juntavam à água congelada, aumentando de tamanho e o que é pior, atingiam Rankin com muita intensidade a ponto de feri-lo.

Foi quando raios surgiram com estrondos surdos dos trovões. Embora seja fundamentalmente ruído devido à onda de choque provocada pela expansão do ar, parecia que ele em vez de ouvir os trovões, os sentia de forma dramática. Além disso, torrentes de água de chuva congelada o atingiam também, e ele precisa prender a respiração a fim de não se afogar!

Mas, nem tudo estava perdido...

O piloto notou que o ar finalmente estava ficando com menos turbulência e que a chuva congelada e o granizo diminuiam de intensidade, portanto estava descendo efetivamente e saindo por conseguinte, do interior da temível nuvem de tempestade... Mesmo tendo sido atingido por um raio, Rankins terminava sua incrível viagem pelo interior de uma cúmulo-nimbos, chegando ao solo no meio de uma floresta.... Foram 40 minutos de terror.... porém, o piloto experimentou ao vivo, os processos físicos dessa nuvem, não do lado de fora, o que é comum, e sim do lado de dentro, na intimidade. É como se tivesse havido um contato de quarto grau, fazendo comparação com a Ufologia, o que constituiria nesse caso, abdução (sorrisos).

Depois de ter sido resgatado, nem ele, nem os médicos conseguiam acreditar que o mesmo havia sobrevivido à fúria de uma nuvem de tempestade!!

A imagem anexa, mostra uma nuvem cúmulos-nimbos em desenvolvimento. Note na extensão do topo da nuvem, como tem um aspecto ligeiramente esfumação - são cristais de gelo. À grande distância, esse tipo de nuvem parece inofensiva, brilhante, mas por baixo dela, só vemos aspectos sombrios, muito escuros - é quando a nuvem está em cima de sua cabeça, no seu local, onde pode desabar uma tempestade. Nesse caso, Essa é a fase da cúmulos-nimbos praecipitatio....

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