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Orion: uma crônica astrofotográfica!

Notícia enviada em 11/12/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Era a noite do dia 03 de Outubro de 1997!

Noite límpida, se bem me lembro, uma noite ",nobre",, ou seja, sem a presença luminosa da Lua, que para os observadores e aficionados do céu, é um ótimo negócio, pois assim, a observação e sobretudo a fotografia de objetos difusos, aqueles que não têm contornos definidos e brilhos espalhados (brilhos não-pontuais, tais como as nebulosas, galáxias e eventuais cometas), ficam muito mais evidenciados contra o fundo escuro do firmamento!

Bem, meu objetivo naquela noitada astronômica, era fotografar a Grande Nebulosa da Constelação de Órion, (designada M42, pelo catálogo do astrônomo francês caçador de cometas, Charles Messier) o caçador gigante da Mitologia grega, com o tempo de exposição o mais longo possível.

Sabemos que os brilhos das estrelas são extremamente fracos para sensibilizar rapidamente um sensor eletrônico tipo CMOS ou CCD e muito mais ainda para sensibilizar um filme fotográfico, que fora o meu caso em 1997...

Aliás, no início daquele ano, eu e meu amigo Carlos Eduardo Mariano, coordenador do Observatório Municipal de Amparo - SP, tomamos uma importante decisão: adquirir equipamentos para fotografar no foco primário do espelho de 20 cm de diâmetro do telescópio refletor Schimidt- Cassegrain recém importado dos Estados Unidos e do telescópio artesanal newtoniano de 30 cm de diâmetro. Então, fomos adquirindo pouco a pouco, acessórios tais como tubos adaptadores de câmeras fotográficas aos telescópios, uma ocular de retículo duplo e um ",radial guider",.

Bem, até aquele tempo, só havíamos realizado fotos de alta magnificação da Lua e planetas como Júpiter e Saturno, com a técnica da projeção de ocular, pois desta forma consegue-se aumentar significativamente o tamanho dos diminutos discos planetários na fotografia. Além desta modalidade de astrofotografia, também dominávamos a técnica mais simples do ",piggyback",, ou seja, fotografia de vastos campos estelares como regiões da Via-láctea, por meio de acompanhamento via motor elétrico do telescópio, com a câmera ",cavalgando", o telescópio...

Sim, o problema maior na fotografia de longa exposição requerida para objetos difusos como as nebulosas e galáxias, é o acompanhamento ou mais propriamente dito, a guiagem do objeto.

Tal técnica consiste além de acoplar a câmera fotográfica ao foco primário do telescópio, em mirar e centralizar uma estrela razoavelmente brilhante no centro de uma ocular de retículo duplo (dupla cruzeta) e ligar o motor elétrico do telescópio cujas engrenagens têm uma absurda redução, de tal modo que o telescópio (e a câmera junto a ele obviamente), realizam uma rotação a cada 24 horas aproximadamente, exatamente a duração da rotação do nosso planeta. Isso permite que o objeto a ser fotografado fique como que paralisado por vários minutos, o tempo suficiente para que seja exposto de forma adequada, dando uma bela imagem. Além de tudo, com esta técnica que parece congelar a rotação da Terra, não se permite que o objeto saia borrado e as estrelas riscadas, devido à rotação terrestre!

Aí, a partir de agosto daquele ano (1997), inclusive um ano de forte El Niño (o inverno foi ameno em Santos e região), começamos a fotografar no foco primário. Começamos com exposições relativamente baixas, tipo 5 minutos, dez minutos, 15 minutos no máximo. Até que um dia arriscamos fotografar a nebulosa de Órion com 40 minutos de exposição e... deu certo... A nebulosa ficou com um belo tom avermelhado, em foco e com praticamente pouquíssimos erros de guiagem. Nada mal para ",marinheiros celestes", de primeira viagem no campo da fotografia no foco primário...

Até que chegou o dia 03 de Outubro daquele mesmo ano. Resolvemos bater o nosso ",recorde", dos 40 minutos sobre Órion. Além de nós, havia outro colega. Porém, estávamos já cansados lá pelas duas da madrugada de 04 de Outubro - havíamos feito muitas observações e fotografia da Galáxia de Andrômeda. Aí, meus colegas, resolveram descer do topo do observatório para dormir um pouco, mas eu estava determinado mesmo sob cansaço e frio da madrugada, a bater o recorde.

E aí, fiquei com um tipo de ",joystick", do controle do motor do telescópio, fazendo a guiagem: toda vez que a estrela ",guia", fugia um pouco do centro da imagem da ocular reticulada, eu apertava um dos botões do controle e ela voltava para o centro. Para quem ainda não sabe, para longas exposições, o motor elétrico mostra ora pequena redução ora pequeno aumento de velocidade, que pode comprometer uma boa fotografia de um objeto difuso.

Daí, a necessidade de enviar pulsos elétricos para correção desses desvios de velocidade, pois por melhor que seja a qualidade do motor, variações pequenas na frequência da rede (e olhe que a tensão varia até com facilidade, mas o mesmo não ocorre com a frequência) são sentidas pelo motor que é do tipo síncrono. Problemas mecânicos como folga nas engrenagens e o apontamento para a linha norte-sul verdadeira também dão o que falar. Todos esses fatores somados, vão acumulando erros, os quais podem atrapalhar uma sessão de astrofotos....

Portanto, fiquei durante 50 minutos guiando o telescópio, sob frio, stress do olho e das mãos.

Naquele tempo, apesar de estar confiante de que consegui realizar um bom trabalho, não era como agora, que você vê o resultado da sessão fotográfica quase instantaneamente, tinha que rebobinar o filme e levar para revelar, que no meu caso, somente na segunda-feira seguinte...

Mas, valeu o esforço, pois o resultado foi relativamente bom - a nebulosa estava com boa definição, o foco ",afiado", e as estrelas pontuais sem riscos...

No anexo, a imagem de 50 minutos de exposição, que bateu o recorde anterior de 40 minutos, que rendeu até a inserção em um CD comemorativo em 1997 da Revista Fotografe Melhor.

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