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Os recantos mais frios da Baixada Santista!

Notícia enviada em 21/04/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Em inúmeros reportes climatológicos que tenho feito ao longo dos anos e com pouco mais de vinte anos de monitoramento e observação do clima da Baixada Santista, sempre procuro ressaltar o clima típico litorâneo, predominantemente superúmido desta região do litoral paulista, também conhecida oficialmente por Região Metropolitana da Costa da Mata Atlântica. Apesar de que pelos ",cânones", tradicionais da Geografia Física, o clima de Santos e região pode ser classificado como quente e úmido, é preciso ter em mente, que na verdade mais ",íntima",, os regentes principais deste clima do litoral paulista, é o Oceano Atlântico e a Serra do Mar, pois a umidade relativa do ar é quase alta na maior parte do ano, mesmo no inverno!

É a única região paulista ao lado do Vale do Ribeira ao sul, onde não se define estação seca - apenas estação menos chuvosa.

Santos, nas vertentes da Serra do Mar, por meio da sua área continental, possui um dos mais elevados índices anuais de chuva do país: cerca de 2500 milímetros anuais! É claro que na sua parte insular, onde se concentra sua área altamente urbanizada, o índice é consideravelmente menor, haja vista que os 2500 milímetros por ano de chuva, se concentra em áreas de encostas de serras, onde o fator orografia tem papel relevante na alta quantidade de chuva.

Mas, o que desejo dizer com tudo isso exposto?

Bem, que nos meses de verão, temos em Santos, por exemplo, alta umidade relativa do ar, grandes volumes de chuvas (o mais elevado do ano, embora, em 2009, por ocasião do evento La Niña - resfriamento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico), o pluviômetro da minha estação, tenha registrado 250 milímetros de chuva em pleno mês de julho, equivalente ao volume médio do mês de fevereiro... Logicamente, com a menor inclinação dos raios solares no verão, a eficiência energética de aquecer áreas do solo é maior, o que causa temperaturas máximas que podem rondar e até atingir os 40ºC em Santos!

Já no outono, com o início da crescente inclinação dos raios do Sol, a eficiência energética vai caindo e assim temos um clima mais ameno, mas como a Baixada Santista está situada numa região de transição entre o clima tropical e o subtropical, temperaturas na faixa dos 35ºC não estão descartadas, especialmente quando ventos continentais secos e aquecidos do quadrante noroeste (o famoso ",noroeste", dos santistas), ao transporem o desnível abrupto da Serra do Mar, são mais aquecidos do que já o são naturalmente, pois sofrem compressão adiabática (processo sem perdas de calor). No entanto, mesmo considerando que o outono é uma estação mais seca, dias chuvosos (chuva quase constante, durante todo o dia), acontecem, intercalando com dias nublados ou com pouca insolação direta, quando predomina o mormaço (insolação indireta).

No inverno, com frentes frias atingindo a região como ondas por vezes, sucessivas, a temperatura superficial do mar (vejam a influência do oceano no clima, como relatei acima) ainda relativamente alta, propicia chuvas por vezes de moderada a forte intensidade em pleno inverno. E quando estamos na reta final do inverno, as águas alcançam a temperatura mais baixa do ano, originando ventos mais ostensivos (brisa marinha), que ao encontrarem ventos secos e aquecidos do continente (local onde as temperaturas vão ficando mais altas), favorecem a formação de nevoeiros, que de tão intensos, paralisam a travessia de barcas e balsas entre Santos e Guarujá, notadamente em fins de julho e meados de agosto...

Mas, também, a exemplo do outono, pode a temperatura máxima por vezes atingir a faixa entre 33ºC até 35ºC em Santos, em pleno inverno...

Finalmente, a primavera é uma estação de transição como o outono, porém essa transição é mais agressiva, pois pode intercalar num mesmo dia, temperaturas típicas das quatro estações. Outros dias, com temporais e ventanias. A umidade relativa é, na maior parte desta estação, alta!

Portanto, com a umidade natural do oceano e as serras e morros confinando essa umidade e intensificando e fazendo as chuvas mais duradouras, temos, enfim, na Baixada Santista, um clima litorâneo típico, regido pelo oceano e pelas serras...

Bem, mas quando se fala sobre temperaturas máximas e mínimas, geralmente as medições são feitas nas áreas urbanas, na planície baixa litorânea, em média de altitudes entre 3 a 4 metros apenas, acima do nível do mar. Mas, o que ocorre nas áreas de morros e serras que fazem parte da Baixada Santista?

Lembro e ressalto que até em pleno verão, campistas desavisados foram pegos de surpresa por temperaturas de até 15ºC na madrugada no alto de serras...Aí é que entra em cena, o fator altitude... Excetuando-se a área descampada da Base Aérea de Santos, que apesar do nome, situa-se no Distrito de Vicente de Carvalho no Guarujá, as áreas urbanas são mais protegidas de temperaturas mais baixas do que as áreas descampadas e de encostas e topos de morros e serras.

Inclusive, por inúmeras vezes chamei a atenção de algumas mídias para o fato de confundirem Santos com a Base Aérea. Santos tem área urbana densa com ilhas de calor e a área da Base Aérea por ser descampsada, possui médias térmicas geralmente de 3ºC a 4ºC mais baixa em relação às àreas urbanas santistas. Portanto, a Base Aérea, não reflete o clima tpicamente urbano.

Diante de todas essas considerações acerca da climatologia da Baixada Santista, é que faço este reporte, pois saliento que locais descampados (exceto a Base Aérea que tem estação meteorológica mantida pela força Aérea), e de morros e serras, normalmente não há registros de temperaturas, sejam máximas ou mínimas. Na cidade do Rio de Janeiro, local coberto por estações e postos meteorológicos em número acima da média nacional, há medições realizadas sistematicamente na Quinta da Boa Vista, lugar histórico alto e de áreas verdes da capital fluminense (onde está o Jardim Zoológico), onde se registram as mínimas mais baixas da capital fluminense, pois combina-se aí, reduzido adensamento urbano com a altitude!

Voltando ao tema do reporte, a seguir faço uma pequena lista dos pontos mais frios de Santos e região, locais em que fiz medições de temperaturas, para fins de comparação com relação à planície urbana.

- Santos:

a) Monte Serrat (altitude 166 metros): temperaturas médias mínimas cerca de 3ºC mais baixas em relação à planície urbana,

b) Morro do São Bento: (altitude 144 metros): idem à situação do Monte Serrat,

c) Vila Progresso: bairro alto situado entre os morros do São Bento e Nova Cintra: temperaturas médias mínimas cerca de 4ºC mais baixas em relação à planície urbana - situação devida à exposição de ventos cortantes, especialmente no inverno. Saliento, a sensação térmica, uma das mais baixas de Santos, fator causado pela combinação de ventos fortes com a temperatura baixa,

d) Morro do José Menino: lugar situado de frente para o mar. Situação climática (médias de temperaturas mínimas similares as encontradas no bairro Vila Progresso,

e) Bairro Caruara: situado na extensa área continental santista, apesar da baixa altitude, é pouco habitado e encontra-se encravado em meio à área de preservação adjacente à serra do mar: temperaturas médias mínimas cerca de 3ºC mais baixas em relação à planície urbana,

Guarujá: Morro do Tejereba, com 276 metros de altitude, o mais alto da cidade e um dos pontos mais elevados da Baixada Santista: temperaturas médias mínimas cerca de 4ºC a 5ºC mais baixas em relação à planície urbana,

São Vicente: Morro do Voturuá (pista de praticagem de paraglider) - região fronteiriça ao Morro do José Menino em Santos - situação climática (médias de temperaturas mínimas similares as encontradasno bairro Vila Progresso em Santos,

Praia Grande: Morro do Xixová: localizado na reserva Xixová-Japuí, é o ponto mais alto da cidade e de toda a Baixada Santista, com seus imponentes 320 metros de altitude: temperaturas médias mínimas cerca de 5ºC mais baixas em relação à planície urbana.

Observação: os registros levantados por mim, foram feitos no inverno.

Imagem anexa: Monte Serrat em Santos.

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