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Outro ciclone subtropical no intervalo de uma semana no litoral paulista

Notícia enviada em 19/02/2015
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Não que ciclones subtropicais não sejam comuns em nossa costa, mas curiosamente, uma semana somente após a passagem do Ciclone Subtropical BAPO, que em tupi-guarani significa ",chocalho", o qual teve sua formação condicionada pela intensificação de uma área de baixa pressão que se organizou na altura da costa paulista, porém bem afastada desta, em alto-mar, tivemos nesta semana, várias pancadas rápidas e fortes na capital paulista e Baixada Santista, devido à atuação de outro ciclone subtropical na costa paulista. No caso do Ciclone BAPO, provocou chuvas intensas em todo o Estado paulista desde a última quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015, inclusive na Baixada Santista! Depois que foi se afastando para o sul, passando por águas menos aquecidas, foi classificado como Tempestade Subtropical BAPO, pela Marinha do Brasil, cujo centro estava com pressão de apenas 996 milibares.

Temperatura das águas superficiais no litoral paulista está alta

A temperatura superficial do mar (TSM) está mais alta em relação à normal climatológica no litoral paulista. Na região da Baixada Santista, temos 28ºC e no litoral norte (entre ilhabela e Ubatuba), cerca de 29 graus Celsius.

Essas condições propiciam a formação de ciclones subtropicais e até ciclones tropicais, embora, muito dificilmente (mas não impossível), que neste caso tem o nome de furacão.

Diferenças básicas entre ciclone subtropical, tropical e extratropical

Todos os tipos de ciclones se originam de áreas de baixa pressão.

O ciclone extratropical, como o próprio termo diz, forma-se abaixo, no caso do nosso hemisfério (sul), do Tropico de Capricórnio, normalmente na costa da Argentina, Uruguai ou Rio Grande do Sul. Como se forma sobre águas mais frias, geralmente no outono (mas, também pode ocorrer no verão), tanto sua base quanto seu topo é frio, com ventos periféricos que podem alcançar até mais de 90Km/h em casos extremos. Sua formação ainda deve-se a contrastes de temperaturas horizontais e cisalhamento do vento (wind shear, que causa riscos ao pouso e decolagem de aeronaves) intrínsecos àquelas latitudes, e então decaem à medida que as instabilidades sejam dissipadas com a fase de oclusão. Outra característica dos ciclones extratropicais diz respeito a sua estrutura desde sua base até o topo, ou seja, desde a superfície até as camadas mais altas da atmosfera, que é inclinada - não tem perfil simétrico. Por fim, ciclones extratropicais estão sempre ",atrelados", à frentes frias, formando aquilo que chama-se sistema frontal. Já, o ciclone tropical ou propriamente o furacão, forma-se sobre águas quentes (na região tropical) e intensificam-se através da evaporação gerada pela ação do vento sobre a superfície do mar e a liberação de calor latente, decaindo sobre águas mais frias ou sobre áreas continentais e não estão atrelados à frentes, pois não dependem de contrastes de temperaturas. Furacões, inversamente aos ciclones extratropicais possuem estrutura desde a base até o topo bastante simétrica e com altas temperaturas (estrutura de baixas pressões alinhadas ou empilhadas) e surgem também em razão de falta ou pouco cisalhamento de ventos verticais. Resumindo: falta ou pouco cisalhamento de vento vertical (wind shear), aliado à elevada temperatura superficial marinha (TSM) e grande quantidade de umidade do ar são condições ótimas para formação de furacões!

Enquanto os ciclones extratropicais retiram sua energia dos contrastes horizontais de temperatura, ciclones tropicais ou furacões, obtêm sua energia da água quente e do calor latente de condensação!

Finalmente, há o ciclone subtropical ou híbrido, que normalmente possui núcleo quente em superfície e morno ou frio nas camadas mais altas, ou seja ele mistura a característica de ciclones tropicais (furacões) e extratropicais, daí o termo híbrido. Um Ciclone Subtropical pode ser tanto desprendido de sistema frontal (simétrico), quanto aclopado a um sistema frontal (assimétrico). Seu pico máximo de ventos normalmente se encontra em torno de sua periferia. Em alguns casos, se o ciclone estiver sobre águas quentes, pode haver a formação de nuvens convectivas, devido à evaporação da temperatura do mar em torno do seu centro de circulação, podendo fazer o ciclone adquirir características tropicais. Nessa situação, o Ciclone Subtropical recebe uma classificação de INVEST e passa a ser monitorado para desenvolvimento em Ciclone Tropical ou furacão.

No caso específico do Ciclone Subtropical ou Híbrido BAPO, havia uma estrutura empilhada simétrica, típica de furacões, o que gerou vários boatos na internet de que estaria se formando um furacão em nossa costa! Porém, seu núcleo em superfície apesar de quente, era frio em altitude, além disso, deslocou-se de águas mais quentes para águas menos quentes, perdendo intensidade, tornando-se tempestade subtropical, com afastamento cada vez maior da costa, oferecendo assim, risco somente para navegantes e pescadores em alto-mar....

O ciclone atual

Conforme comentei logo no início, uma semana depois da passagem do Ciclone Subtropical BAPO, outro se formou na costa paulista, causando várias pancadas de chuvas rápidas e fortes durante este carnaval de 2015.

Só para se ter conhecimento do volume de chuva causado por este ciclone, tivemos desde o dia 14 de fevereiro de 2015, sábado passado até hoje, dia 19, às 05:00, 127 milímetros de chuva em Santos (dados da Estação Amigos da Água). No total, até o momento, este mês de fevereiro 2015, já soma 317 milímetros por metro quadrado, representando cerca de 44% acima da média esperada para fevereiro em Santos. Pelo menos o forte calor reinante foi afastado da capital paulista e Baixada Santista!

Conclusão:

Ainda que não ocorra furacão - ciclones extratropicais ou subtropicais (híbridos) podem causar transtornos, seja pela ação de ventos fortes e/ou chuvas...

Também, é bom salientar, que não existe rigorosamente ao se detectar um ciclone, uma classificação fixa, portanto é conveniente, fazer um análise de fase, pois um ciclone pode começar como subtropical e decair como tempestade subtropical ou ciclone extratropical, conforme o padrão de ventos ao longo do período e direção do deslocamento ciclonal. O furacão Catarina, que atingiu o litoral sul de Santa catarina e do norte do Rio Grande do Sul, por exemplo, começou como simples ciclone extratropical e terminou como ciclone tropical ou furacão, ao se deslocar por águas mais quentes na época....

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água

Imagem anexa: dados de temperatura superficial marinha (TSM) ao longo da costa sul-americana leste. Reparem pela legenda, como está elevada a temperatura do litoral paulista até aproximadamente o centro-sul fluminense, pois do norte do litoral fluminense até aproximadamente o centro do litoral capixaba, as águas estão menos aquecidas, devido ao fenômeno da ressurgência - não é a toa que a cidade de Cabo Frio no litoral fluminense tem esse nome....

Fonte: NOAA/INMET

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