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Podemos ver cores reais nas nebulosas?

Notícia enviada em 28/01/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Quem nunca viu e se extasiou com belas e coloridas fotos de nebulosas estampadas em revistas especializadas em Astronomia, tais como Sky & Telescope e Astronomy?

Bem, de qualquer modo, com as modernas técnicas de fotografia astronômica disponíveis aos observadores amadores, no caso dos anos 1980 e 1990, dotados de filmes fotográficos coloridos de grãos cada vez mais finos (à semelhança de muitos pixels em imageamento eletrônico), e de alta resolução, como entre outros, o Super G800 da Fuji Film, relativamente sensível ao vermelho, ou seja, apropriado à fotografia de nebulosas de emissão (de Órion, da Lagoa, etc), cujo hidrogênio emite no tom vermelho, a astrofotografia em tons vibrantes e coloridos foi possível. Antes, porém, um expert inglês em fotografia científica, com experiência na Bayer, imigrou para a Austrália, indo trabalhar no estado de Nova Gales do Sul (New South Wales), precisamente no Observatório Anglo-Australiano.Seu nome: David Malin, um revolucionário da arte astronômica, onde ao invés de filme, usava três placas de vidro, para combiná-las nas cores básicas - vermelho, verde e azul e assim compor a fotografia em cores vívidas. Esse notável trabalho rendeu-lhe um livro: ",Uma visão do universo",. No início da revolução digital na Astronomia, os primeiros sensores eletrônicos que substituíram a película, só imageavam em tons de cinza, mas hoje, a partir de filtros, fazem o processo da tricomia ser uma rotina...

Mas, o tema deste reporte é sobre as cores reais das nebulosas, especialmente as de emissão, objetos extensos e difusos de gás e pó formadores de novas estrelas.

A olho nu, numa noite límpida, longe das luzes artificiais ofuscantes das cidades e da poluição do ar, podemos observar manchinhas de luz muito débil (ainda assim,as mais brilhantes), como a popular Grande Nebulosa de Órion, próxima também às populares Três Marias (ver meu reporte intitulado ",Órion: uma bela e popular constelação de verão", em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Orion_uma_bela_e_popular_constelacao_de_verao&posic=dat_20121211-035418.inc).

No limite da visibilidade do olho humano, a visão lateral é a que predomina e somente vemos imagens em tons de cinza, pois para perceber cores, a luminosidade tem de ser consideravelmente alta. A mesma nebulosa sob visão de alta resolução e ampliada em telescópio amador popular entre 15 cm e 20 cm de diâmetro do espelho principal, logicamente a observaremos com detalhes, mas continuamos a não perceber nuances de cor...

Porém, e já pude constatar pessoalmente, que a partir de telescópios dotados de espelhos com 40 cm em diante, tons cinzas levemente esverdeados já podem ser notados muito ligeiramente nessa nebulosa, bem como na nebulosa da Lagoa na Constelação do Sagitário... Entretanto, isso depende também da sensibilidade de cada um, pois na visão lateral agem células especializadas, os cones e bastonetes. Os bastonetes são as células visuais responsáveis em detectar tons de cinza. Até determinado nível de luminosidade, estas células reagem a qualquer luz visível. É por isso que no escuro, com o olho adaptado ( e isso pode demorar vários minutos), até se consegue ver as formas dos objetos, mas não suas cores. É aí, que entram em cena, os cones, células também da visão sensíveis ao vermelho, verde e azul.

Sabemos que em vídeos feitos a partir de intensificadores de imagens adaptados à visão noturna, temos imagens cinza-esverdeadas.

Portanto, cores mesmo em nebulosas somente em fotografias cujos antigos filmes eram sensíveis ao verde, azul ou vermelho, caso daquela nebulosidade de reflexão vista envolvendo o aglomerado aberto das Plêiades, na Constelação do Touro, que percebemos em tons de azul e os tons esverdeados, azuis e vermelhos na Nebulosa Trífida na Constelação do Sagitário, relativamente próxima da Nebulosa da Lagoa...

Agora, quanto às cores exuberantes observadas nas imagens espetaculares do Telescópio Espacial Hubble, são atribuídas por várias razões, nem sempre são o que veríamos se pudéssemos visitar os objetos visualizados em uma nave espacial. Muitas vezes usamos a cor como uma ferramenta, seja para aperfeiçoar os detalhes de um objeto ou para visualizar o que normalmente nunca poderia ser visto pelo olho humano (trecho de citação do Site do Hubble).

Para publicar uma foto de divulgação que seja parecida com o que veríamos se pudéssemos olhar para as mais distantes regiões do espaço, é necessário fazer a combinação de pelo menos três imagens em tons de cinza, realizadas com diferentes filtros e em diferentes exposições, como já foi dito anteriormente (vermelho, verde e azul). O Telescópio Hubble não usa filme colorido. Em vez disso, suas câmeras recolhem luz dos objetos difusos, por exemplo, a partir de detectores eletrônicos que criam imagens em tons de cinza. Imagens em cores somente combinando duas ou mais exposições preto e branco para as quais cores foram adicionadas durante o tratamento da imagem.

Segundo o pesquisador da USP (Universidade de São Paulo), Marcos Diaz, “As imagens coloridas de divulgação são geradas de forma cega, mas são muito próximas da realidade, pois todo o processo é científico. O pesquisador por trás disso calibra bem os coeficientes atribuídos a cada pixel para que a cor seja verossímil.”

E quanto àquelas imagens feitas em ",falsas cores",?

A maior parte das imagens astronômicas profissionais não tem como proposta a fidelidade das cores. Ainda, segundo Diaz, as fotos usadas em trabalhos científicos geralmente são usadas em tons de cinza mesmo. “Algumas imagens nos dão informações muito ricas, como a temperatura e a densidade de uma nuvem de gás próxima de uma estrela,” explica o acadêmico da USP. ",Além de muito bonitas, as fotos astronômicas são carregadas de informação.”

Portanto, as cores são atribuídas e reaçadas para destacar caractrísticas de interesse científico.

Agora, fazendo uma comparação com o brilho de cometas a olho nu e sob exposição fotográfica, só notamos nuances de cor fotograficamente (ver meu reporte anterior ",Cometa do Século 21", em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Cometa_do_seculo_21___&posic=dat_20130125-201031.inc.

Finalmente, podemos afirmar diante dos fatos, que mesmo que pudéssemos viajar para os confins da nossa galáxia, a Via Láctea, ao nos aproximarmos de uma nebulosa, ainda assim a veríamos em tons de cinza ou na melhor das hipóteses, com fraca coloração!

Na imagem anexa, dois momentos de David Malin: acima em 2000, já usando detector CCD (eletrônico) e abaixo, em 1976, usando as placas de vidro, que o projetou internacionalmente.

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