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Poderia gear ou até nevar no litoral brasileiro????

Notícia enviada em 05/06/2011
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
A resposta geral seria: extremamente difícil gear, quanto mais nevar no litoral do Brasil, principalmente por tratar-se de terras baixas, poucos metros acima do nível do mar e banhadas pelo mar, (fator maritimidade) cujas águas têm um calor específico suficiente para abrandar temperaturas baixas extremas, ao contrário de locais afastados do mar (fator continentalidade). E essa preleção é preponderante para o caso do litoral paulista, especialmente a região de Santos (Baixada Santista) e litoral norte, locais de clima tropical, embora de transição... Mas ainda assim, precisamos considerar outras condições e fatores, como os expostos abaixo:

- Bem, para os céticos do aquecimento global por interferência humana, os ciclos sazonais de climas, especialmente os da Oscilação Ártica (que explicaria os derretimentos de parte das geleiras), o clima global da Terra em primeira instância, dependeria de outro ciclo muito mais abrangente e sinergético: o ciclo de onze anos do Sol, período pelo qual o astro-rei passa por um máximo e mínimo de atividade. Na fase máxima, a nossa estrela mais próxima apresenta maior número de manchas, o que indica maior atividade magnética, repercutindo em grandes ejeções de partículas carregadas rumo ao nosso planeta, o que determina aurora boreais de tamanha intensidade que podem ser avistadas de latitudes mais baixas, como é o caso do México e Portugal e ainda fortes tempestades magnéticas, que por sua vez podem detonar apagões nas comunicações via satélite por atingir as camadas mais altas da atmosfera e apagões de energia elétrica, especialmente nos países de elevada latitude, caso do Canadá e Suécia!!!

Já na fase minima, o Sol apresenta um mínimo de manchas e portanto, baixa atividade magnética.

Relacionando estes ciclos solares ao clima global da Terra, teríamos assim invernos amenos na fase de atividade solar mínima e invernos rigorosos na fase de máxima atividade solar.

Esses ciclos também segundo esses céticos afetariam e influenciariam os fenômenos El Niño e La Niña, respectivamente, aquecimento e resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, propiciando invernos amenos no primeiro fenômeno e, propiciando no segundo fenômeno, invernos rigorosos...

Mas, independentemente das causas do inverno ser mais ou menos forte (aquecimento global por influência humana ou atividade solar), o fato é que em anos de La Niña, os invernos tendem a ser mais fortes, com extremos de temperaturas baixas e nos anos de El Niño, o oposto - invernos fracos.

Então, os anos de maior invasão de massas de ar polar nas regiões sul, sudeste, centro-oeste e parte da região norte foram os seguintes: 1955, 1957, 1965, 1975, 1984, 1988, 1991, 1994, 1996, 1999, 2000, 2004 e de certa forma ligeiramente, 2009, coincidiram com episódios de La Ninã.

Ressalte-se a memorável onda de frio de 1955, talvez não a mais intensa em termos de temperatura absoluta (por que houve outras invasões fortes nos anos posteriores) mas sim pela abrangência espacial: esta foi a onda polar que atingiu mais da metade do território do Brasil (aproximadamente 60%), inclusive ultrapassando ligeiramente a linha do Equador ao norte!!!

Observe-se alguns dados de época:

Domingo, 31 de julho de 1955:

A onda de frio atua no auge de sua força em todo o Centro-Sul e numa boa parte da Amazônia.

Na Região Sul, o céu limpo na madrugada favorece a queda da temperatura e a formação de fortes geadas. A FRIAGEM também atua com força total na Amazônia. Veja algumas mínimas registradas no Brasil naquele dia:

Guarapuava (PR): -8,4ºC.

São Joaquim (SC): -8,1ºC.

Ivaí (PR): -6,0ºC.

Curitiba (PR): -5,0ºC.

Aquidauana (MS): -0,9ºC.

Paranaguá (PR): 2,3ºC.

Laguna (litoral catarinense): 2,4ºC.

Florianópolis (SC): 4,0ºC.

Cruzeiro do Sul (AC): 10,2ºC.

Manaus (AM): 18,5ºC.

Naquela manhã , as geadas devastaram as lavouras do Paraná.

Em São Paulo , geou apenas na cidade de Catanduva (noroeste do estado) que registrou mínima de -1ºC. No leste do estado , o céu ficou limpo a partir da tarde e as temperaturas despencaram a noite.

No Amazonas, a onda polar ultrapassou a linha do Equador.

Obs: A temperatura máxima em São Joaquim(SC) foi apenas -1,2ºC.

Segunda, 01 de agosto de 1955 :

Durante a madrugada , o frio atingiu seu auge e o amanhecer foi frígido no Centro - Sul. Eis algumas mínimas:

Bom Jesus (RS): -9,8ºC. Recorde de frio histórico nesre estado sulino.

Alegrete(RS): -3,0ºC

Bagé(RS): -2,0ºC

Catanduva( SP) -4,0ºC

Iraí(RS): -4,3ºC

Passo Fundo(RS): -2,5ºC

Pelotas(RS): -3,4ºC.

Porto Alegre(RS): -1,2ºC

São Luiz Gonzaga(RS): -1,2ºC

Santa Maria(RS): -2,0ºC

São Joaquim(SC): -6,4ºC

Urussanga(SC): -4,6ºC

Camboriú(SC): -1,2ºC

Castro(PR): -7,5ºC

Rio Negro(PR): -7,2ºC

Ivaí(PR): -6,1ºC

Jaguariaíva(PR): -2,7ºC

Paranaguá(PR): 3,8ºC

Avaré(SP): 0,3ºC

São Paulo(capital): 1,5ºC no Mirante de Santana e 0,7ºC no horto florestal.

Cuiabá(MT): 9,0ºC

Alto Tapajós(PA): 11,1ºC

Uaupés(AM): 18,1ºC

Manaus(AM): 19,0ºC

Iauaretê(AM): 16,5ºC. Obs: Iauaretê está localizada em 00 º18′, S.

Cruzeiro do Sul (AC): 9,6ºC

Aquidauana(MS): -2,2ºC

Corumbá(MS): 3,3ºC

Obs:como se pode ver , a onda polar alcançou a linha do Equador.

As geadas foram muito intensas em toda a Região Sul e atingiram também boa parte de São Paulo.

Houve geadas nas cidades paulistas de Catanduvas, Limeira , Avaré, Itú, Monte Alegre do Sul , Tatuí e Presidente Prudente. Nesta última a mínima ficou na casa dos -1ºC.

Neste dia , a onda de frio começou a enfraquecer , mas ainda manteve as temperaturas baixas / amenas ao longo do dia.

Terça - feira , 02 de agosto de 1955:

A onda de frio perde força rapidamente, mas o dia foi marcado por frio intenso pela manhã , principalmente em São Paulo.Mínimas:

Camboriú(SC): -1,2ºC

São Paulo(SP): -2,1ºC

Santos(SP): 4,3ºC

Iguape(SP): 3,2ºC

Angra dos Reis(RJ): 9,9ºC

Itajubá(MG): 1,2ºC

Barcelos(AM): 18,3ºC

Observando-se os ",grifos", sob as cidades litorâneas das regiões sul e sudeste, geou nas cidades do sul, mas esse evento não ocorreu no litoral paulista e fluminense, embora em Santos, cidade cuja população está acostumada à descontração provocada pelo forte calor do verão e invernos em média amenos, a mínima absoluta histórica foi de apenas 4,3ºC acima do ponto de congelamento, ou seja, um pouquinho mais frio e poderia-se ter experimentado a raríssima condição de geada em pleno litoral...

Mas, não descarta-se a possibilidade de ter geado em áreas de vales, como o Vale do Quilombo, área de preservação ambiental da parte continental de Santos e áreas no alto da Serra do Mar no entorno de Santos, divisa com Santo André ou Mogi das Cruzes. Imagine-se agora, as inúmeras outras áreas verdes descampadas longe dos aglomerados urbanos (onde a impermeabilização do solo e o concreto dos edifícios predominam, criando ilhas de calor), no entorno das outras tantas cidades da Baixada Santista, como o Guarujá, que somente com sua parte única territorial insular conta com maciços montanhosos como a Serra do Guararu, que corta boa parte da Ilha de Santo Amaro: E São Vicente, Cubatão, Bertioga e Praia Grande???

Portanto, se houvesse condições climáticas para uma invasão muito intensa e ostensiva da massa de ar polar embora muito rara, poderia sim haver condições de pelo menos geada fraca no litoral paulista, especialmente no litoral sul (Iguape, Cananéia) e Vale do Ribeira, mas ainda fica uma questão pairando no ar: com as mudanças climáticas não apenas globais, mas também locais sobretudo (ilhas de calor urbanas), mesmo com fortíssima entrada de ar polar, o litoral teria condições para repetir mínimas da casa dos 4ºC como em Santos, em 1955, ou seja, há mais de cinquenta ano atrás??

Enquanto faço esses comentários, minha estação na Vila Belmiro em Santos, acusa às 02:57 de 05 de Junho de 2011 (Dia Mundial do Meio Ambiente): 16,8ºC, 67% de umidade relativa do ar, pressão atmosférica em 1019 milibares (a mais alta do ano) e aragem (vento calmo) do quadrante norte. E na minha base experimental entre as praias das Astúrias e Pitangueiras (Guarujá), temos: 15,4ºC, umidade relativa do ar em 77%, pressão em 1019 milibares e aragem de norte. O céu tanto em Santos quanto no Guarujá está parciamente nublado, o que permite que as temperaturas não desçam mais que isso. As aberturas de céu, no entanto, permitem observação astronômica, caso haja objetos celestes de interesse, pois há boa transparência e baixa turbulência da atmosfera.

Lembro que estamos em plena época de um mínimo de atividade solar. Mesmo assim, os ingressos de ar polar serão tão intensos face a um incontestável (para isso é muito difícil ser cético) aquecimento local urbano???

Termino aqui (finalmente), com uma mensagem do professor de Geoquímica Ambiental do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, do qual tive a honra de ter sido seu aluno no meu tempo de pós-graduação:

Se quisermos estudar o meio ambiente,com um referencial histórico, encontramos uma dificuldade, porque, segundo Franco Levi, da U.S.P:

o Para o cosmólogo, temos 150 milhões de séculos de idade,

o Para o geólogo, 46 milhões de séculos,

o Para o biólogo, 38 milhões de séculos,

o Para o antropólogo, alguns milhões de anos,

o No limite, o egoísta: sua certidão de nascimento.

Feliz Dia Mundial do Meio ambiente a todos nós...

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água (www.amigosdaagua.org.br)

amigos@amigosdaagua.org.br

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