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Previsão do tempo para observação astronômica!!

Notícia enviada em 01/02/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Há pouco mais de 20 anos, estudo, comento e faço registros sobre as condições de tempo e clima, especialmente da região do litoral paulista, com foco na Baixada Santista...

Desde cedo, de forma espontânea e desprendida, sempre gostei de “unir o céu e a Terra”.

E um dos modos que mais me despertou para essa ligação, foi sem dúvidas, a paixão pela Astronomia. Lembro até hoje, que com apenas cinco anos de idade, certa noite límpida e estrelada, meu pai me levara para me mostrar as “estrelinhas” do céu. Como há fatos e situações que marcam a vida das pessoas, principalmente na mais tenra idade, sem dúvidas aquela noite “iluminada”me marcou para sempre, pois meu pai disse-me que assim como havia um pai contando ao seu filho da possibilidade de haver seres vivos em outros possíveis planetas girando ao redor de certas estrelas, quem sabe, outro pai de outro mundo não poderia estar fazendo o mesmo naquele momento, mostrando o céu ao seu filho e apontando miraculosa ou aleatoriamente para o nosso Sol, que para eles seria mais uma “estrelinha” perdida na imensidão do céu, mas quiçá com planetas e um deles habitado, no caso a nossa Terra...

Não há a mínima certeza de que uma daquelas “estrelinhas” que meu pai me mostrou, poderia abrigar planetas e quem sabe vida, mas uma coisa é certa: a partir daquela noite não fui mais o mesmo. Na minha pré-adolescência, “devorava” livros de ciência, mas devido ao vestibular, pouco mais tarde, fiz uma pausa, para depois retomar “ a todo vapor”, em outra noite memorável, quando já fazia o primeiro ano de faculdade, a Astronomia, indo até a biblioteca e emprestando um livro fantástico de Astronomia. Aí, “não de outra”: logo após o jantar (às 23 horas), simplsmente passei a noite iteira, lendo avidamente aquele livro.

Bem, esses foram os “detonadores” do meu interesee por ciência, especialmente Astronomia.

Porém, há outro fato motivante - a descoberta da Geologia, a Meteorologia e a Climatologia, as ciências do nosso planeta, correlatas, pu na lingguagem popular, “primas” da Astronomia – estava aí o fecho para a meu modo, ligar o céu e a Terra...

E nesses pouco mais de vinte anos dedicados ao tempo e ao clima, sem dúvida (numa espécie de retroalimentação), a Astronomia, despertou-me para esses estudos, pois como se pode desfrutar de uma noite memorável de observação astronômica, sem minimamente conhecer-se o básico da atmosfera, pois dela depende uma noite de céu de “brigadeiro” ou uma noite frustantemente nublada...

Quantas vezes, viajei a observatórios astronômiocos no interior de São Paulo (Campinas e região) e no meio de algumas dessas viagens, apesar do céu aparentemente limpo, me deparei para minha surpresa (e bem desagradável), com clarões e relâmpagos no céu, disparados por nuvens um tanto “discretas”. Lá chegando ao observatório, relâmpagos se intensificavam, estragando os antigos filmes fotográficos, devido aos longos tempos de exposição requeridos ao registro de estrelas e nebulosas...

Com uma “estrada” até um pouco mais longa do que a Climatologia (vinte anos), acredito que possa contribuir com algumas dicas para aqueles que querem ou já estão se iniciando na Astronomia...

Bem, a atmosfera da Terra contém entre zero e 4% de vapor de água por volume e esse vapor concentra-se nas proximidades da superfície terrestre, pois o peso da atmosfera, mais conhecido por pressão barométrica, é maior ao nível do mar. É simples: quanto mais próximo estivermos da superfície, maior a coluna de ar (compare as camadas da atmosfera com um oceano de água, desde a superfície livre da água até o fundo, porém, no caso da atmosfera é o inverso: a superfície da Terra, equivaleria ao fundo do mar, onde reinam altíssimas pressões), então, maior a pressão exercida...

Como nós habitamos a superfície, o vapor está entre nós e o céu que queremos contemplar à noite.... Já que a maior parte das pessoas não mora nos desertos ou topos de montanhas, o ideal é observar numa noite mais fria, pois à baixa temperatura, a atmosfera retém menor quantidade de vapor de água.

Ah, não se preocupe com a umidade relativa do ar, que é a relação da quantidade de vapor de água real no ar e a quantidade de vapor de água no ar que pode manter à determinada temperatura e pressão...

Mas, a quantidade de vapor é relativa à temperatura do ar. Por exemplo, se seu sítio de observação está à 15ºC, digamos, e a umidade relativa é de 30%, o ar contém mais vapor do que num sítio à 5ºC com umidade relativa de 100% ! Pode parecer estranho, mas o sítio mais frio, o ar, obviamente, está saturado (100%), entretanto, contém menos vapor de água que possa interferir na observação astronômica do que o sítio menos frio, pois a atmosfera à 15ºC tem capacidade para manter maior volume de vapor do que a atmosfera à 5ºC. Então, o conhecimento da umidade relativa nesse caso, não é tão importante!

Outro ponto importante, é se, no dia da observação, de repente, você avista um avião jato que deixa uma espécie de esteira no céu: esta esteira é um bom indicador do nível de umidade no ar, de fato, relevante para observação. Ela é criada pela exaustão do jato viajando pela sua área. È comum a temperatura a temperatura do ar acima de 9000 metros estar à uns – 50ºC. Os motores do jato operando àquela altitude estão produzindo a descarga muito mais quente do que o ar ao redor. Sendo assim, a umidade na descarga resfria-se rapidamente e se condensa, resultando numa fina nuvem de cristais de gelo, semelhante a uma nuvem natural de elevada altitude chamada cirros. No caso da nuvem artificial, é conhecida como trilha de condensação... Uma rilha muito longa, indica umidade alta no ar, o que pode prenunciar uma frente fria ou quente se aproximando e que pode estragar a sua noitada de observação....

Outro ponto é relativo ao nível de transparência da atmosfera. Na minha iniciação, sob noites de céu límpido, tinha certa decepção ao observar com grande ampliação pelo telescópio, os planetas como Júpiter e Saturno. As imagens simplesmente pareciam se contorcer, a exemplo de uma ameba vista numa lâmina de telescópio. Mas, como isso podia acontecer? É que numa noite céu transparente, se os ventos, por exemplo, no litoral soprarem dos quadrantes nordeste ou noroeste, a atmosfera estará turbulenta. Quanto à observação de objetos difusos tais como nebulosas ou cometas, aí a turbulência não é tão importante. Basta nessas noites de ventos de noroeste, observar luzes do sistema de iluminação pública ao longe: as luzes parecem tremeluzir, indicando turbulência.

Por outro lado, noites de baixa turbulência e atmosfera com baixa transparência (aquelas noites em que você observa certa bruma ou névoa), são até razoáveis para objetos brilhantes, como a Lua e os planetas, mas ruins para objetos difusos, como nebulosas, galáxias e cometas.

Finalmente, a noite “perfeita”, é aquela que reúne boas condições de transparência e baixa turbulência, aquilo que os americanos definem como “good seeing”.

Bem, nem preciso dizer que com o avanço da internet e o sensoreamento remoto por parte dos satélites artificiais, uma boa consulta aos mapas sinóticos meteorológicos e às imagens de satélites, se faz necessária a todo aquele qur se inicia ou até mesmo já é veterano na observação celeste. Procuremos visualizar as imagens no canal do infravermelho, além do canal de luz visível, pois topos de nuvens altas, tipos cirros, só são detectáveis em imagens infravermelhas, e os cirros, apesar de altas, são nuvens que podem literalmente “embaçar” sua noitada de observação...

Em anexo, fotos de uma trilha de condensação.

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