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Primavera e desenvolvimento do mosquito da dengue

Notícia enviada em 05/10/2014
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Uma das grandes ameaças à biossegurança das populações em nível mundial, quanto ao aquecimento global, é sem dúvidas, o aumento do número de insetos transmissores de doenças, devido à elevação da temperatura média. Os ovos dos insetos se proliferam com mais chances e em maior velocidade, sob temperaturas elevadas e altos índices de umidade relativa, objetos de estudo da Climatologia.... Mesmo assim, existem os limites inferior e superior desses fatores climáticos, par que os ovos passem a eclodir com ",sucesso",.

Tipos climáticos de risco

A dengue é uma doença que prevalece em lugares de clima tropical e subtropical, o que abrange praticamente todo o território brasileiro. Apesar de que nos lugares de clima subtropical, possa soar estranho a existência dessa moléstia, devido às temperaturas médias anuais - há uma estação que é o verão, até ligeiramente mais quente do que lugares de clima tropical. Se bem que esta classificação climática em dividir clima tropical de subtropical, é um tanto quanto muito simplista, haja vista a enorme diversidade de subdivisões desses climas.

Por exemplo, no litoral da Região Sudeste, pode ser melhor do ponto de vista prático (Geografia Humana e Ecologia), classificar o clima deste litoral nas classes de Subtropical Superúmido (entre Ilha Comprida, no extremo sul do litoral paulista e Praia Grande na Baixada Santista), Tropical de Transição Superúmido (entre São Vicente, na Baixada Santista e Ilhabela no litoral norte, abrangendo Santos, Cubatão, Guarujá, Bertioga e São Sebastião), Tropical Superúmido (entre Caraguatatuba no litoral norte paulista e Angra dos Reis, no litoral sul fluminense) e Tropical Úmido (entre Mangaratiba, e Niterói, passando pela cidade do Rio de Janeiro) e finalmente Tropical Subúmido, com clima mais seco, e, portanto, menos chuvas (entre Saquarema e São Francisco de Itabapoana, passando por Cabo Frio e Rio das Ostras). Saliento, que, mesmo em locais de clima subtropical, caso do sul do litoral sul (entre Ilha Comprida e Praia Grande), sob o regime de mudanças climáticas, existe certo prolongamento das condições de calor e umidade pelo menos do início até meados do outono, o que certamente, é um modo de aumentar o risco dessa doença considerada, tropical.

Fatores climáticos de risco (limites de temperatura do ar e da umidade relativa do ar)

O principal habitat do mosquito Aedes argypti (que deve ter alcançado terras brasileiras dentro de navios de tráfico de escravos da África) é o meio urbano, pois se prolifera com facilidade em ambiente doméstico pela falta de predadores e grande disponibilidade de criadouros.

A faixa de temperaturas do ar ",ótimas", para reprodução e permanência do vetor está entre 25ºC e 27ºC, sob umidade relativa do ar de 70% ou mais, ou seja, acima da zona de conforto climatológico para o ser humano.

Mas, numa primeira análise, todas as fases de desenvolvimento do Aedes Aegypti (ovo, larva, pupa e adulto) encontraram grande viabilidade, quando a temperatura média do ar está entre 21ºC e 29ºC e umidade relativa também de 70% par mais.

E numa segunda análise, o tempo de desenvolvimento do vetor reduz-se drasticamente (condições de maior viabilidade ainda), quando a temperatura do ar se encontra entre 29ºC e 32ºC!

Conclusão: de acordo com revisões literárias, com relação ao desenvolvimento do mosquito da dengue, temperaturas médias do ar entre 21ºC e 29ºC, apresentam-se favoráveis ao desenvolvimento do vetor (entenda-se desenvolvimento pelas fases ovo, larva, pupa e adulto). E entre 29ºC e 32ºC, há potencialidade máxima para seu desenvolvimento, ou em outras palavras, tempo mínimo de desenvolvimento. Quanto à umidade relativa do ar, existe grande potencialidade de desenvolvimento entre os 70% e 100%, faixa de umidade comum para as duas faixas de temperaturas descritas acima.

Por que a Baixada Santista é tão vulnerável à infestação do vetor da dengue?

Bem, antes de mais nada, como já havia comentado, a dengue é um doença que atinge regiões de clima subtropical e tropica, de um modo bem geral (sem adentrar as classificações minuciosas dos climas) , sendo que sua área de atuação nessas regiões, é o meio urbano. Sendo assim, podemos dizer que as cidades mais urbanizadas, com maior população e densidade demográfica (número de habitantes por quilômetro quadrado), são, enfatizo, DO PONTO DE VISTA CLIMATOLÓGICO E GEOGRÁFICO (não levando em conta outros fatores, como por exemplo, o fato de que a cidade de Santos, recebe casos de pessoas infectadas de outros municípios da Baixada Santista, litoral sul e Vale do Ribeira, região do sul do estado e adjacente ao litoral sul e o fator educação ambiental), são as mais afligidas pelo mal.

Em Santos, a área urbana pequena e ",apertada",, onde vivem quase todos os seus 433 565 habitantes (estimativas realizadas em julho de 2014) é de 39,4 quilômetros quadrados, confere uma densidade demográfica de 11004 habitantes por quilômetro quadrado, aproximadamente, valor muito elevado!!

Sem dúvidas, esta condicionante, propicia complicações para as tentativas de controle do vetor.

E é, claro, Santos, São Vicente e Guarujá, três das cidades mais populosas da Baixada, não precisam esperar pelo início do verão para o desenvolvimento do mosquito em todas as suas fases (da larva ao adulto), pois já desde o início da primavera, incluindo esta de 2014, as temperaturas mínimas entre os 21ºC e os 23ºC dos últimos dias - em Santos, o dados são obtidos da estação meteorológica Amigos da Água, mantida por mim (à exceção de sexta-feira, sábado e hoje, 05 de outubro) registradas, já conferem potencial de desenvolvimento, mesmo que as temperaturas máximas não tenham ultrapassado a casa dos 29ºC nestas três cidades, como ocorreu ainda de certa forma na capital e interior paulistas, quando máximas atingiram no início desta semana, a casa dos 38ºC em Barretos e Igarapava, por exemplo. O Vale do Paraíba, guardadas as devidas proporções não está fora do calor intenso. Existe um mito, no entanto, de que quanto maior temperatura, melhor para o desenvolvimento do mosquito, pois temperaturas acima dos 35ºC e sobretudo, àquelas entre 38ºC e 40ºC, são nocivas ao desenvolvimento do vetor, bem como, no limite inferior, abaixo dos 20ºC, também, o são nocivas.... Portanto, as temperaturas mínimas do ar diurnas, obtidas geralmente no início das manhãs, tanto no litoral, quanto na capital e interior, são decisivas para o desenvolvimento favorável do inseto. E no interior, as mínimas têm sido, especialmente no norte (Ribeirão Preto e região), noroeste (São José do Rio Preto) e oeste (Presidente Prudente), semelhantes ou mesmo superiores àquelas registradas n Baixada Santista, o que é favorável ao mosquito, embora, no interior, a faixa de umidade relativa do ar não seja tão favorável, quanto no litoral, devido à seca... Então, diante desse quadro (E SALIENTO, DENTRO DOS FATORES CLIMATOLÓGICOS, NÃO CONSIDERANDO OUTROS FATORES URBANÍSTICOS), o interior teria um retardo no desenvolvimento do mosquito (somente possuindo desenvolvimento a partir da chegada da temporada chuvosa, que eleva a umidade relativa do ar), enquanto a Baixada Santista já teria desde o início dessa primavera 2014, as condições propícias para proliferação do vetor no próximo verão.....

Vamos aguardar.

Rodolfo Bonafim

Diretor Científico da ONG Amigos da Água

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