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Raios: adensamento urbano com muitos edifícios altos pode ser um fator!

Notícia enviada em 23/12/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
A cidade Santos, sede da Região Metroplitana da Costa da Mata Atlântica (mais conhecida por Baixada Santista), segundo dados oficiais (censo de 2010), a população fixa da cidade está em 419.400 habitantes. A área insular tem 39,4 quilômetros quadrados e a área continental,

231,6 quilômetros quadrados. Por esses dados, nota-se facilmente a grande diferença entre a área insular e a continental. A densidade demográfica da cidade é muito alta: cerca de 1064 habitantes por quilômetro quadrado, considerando-se a parte insular. Considerando-se que a média de veículos por habitante é de 0,59, a mais elevada do país e mais alta do que a capital paulista, mais a densidade demográfica, mais a pequena área urbana insular, mais o boom imobiliário com mais e mais edifícios sendo construídos e a previsão da chegada no futuro próximo de cerca de 50 mil novos habitantes, especialmente técnicos por conta da indústria do pré-sal - pergunto: Santos é ou será sustentável???

Nós da ONG Amigos da Água somos a favor do progresso econômico-tecnológico, porém alinhamo-nos com o ideal e a prática da sustentabilidade, pois o excesso de carros além de causar o colapso do trânsito, produz mais poluentes, mais “ilhas de calor”, comprometendo mais a circulação de ar e da brisa marinha e podendo favorecer à formação de temporais repentinos e violentos, com ventanias e chuvas que causam transtornos à população santista...

É fato comprovado que os raios caem nos pontos mais altos porque eles sempre procuram o menor caminho entre a nuvem e a terra. Árvores altas, torres, antenas de televisão, torres de igreja e EDIFÍCIOS comerciais ou residenciais, são os pontos preferidos pelas descargas atmosféricas.

Mesmo com todo o aparato de SPDA (sistema de proteção contra descargas atmosféricas), instalado no topo de espigões, o sistema não os protege totalmente, devido à própria natureza dos raios.

Também, evidencia-se (e isto já comentei em diversos outros reportes), que locais adjacentes ao mar, contam com o privilégio da brisa marinha, que pode dissipar células de trovoadas, caso de Santos. Porém, o fator umidade atmosférica muito alta do litoral paulista (comparável no verão à região amazônica), à chegada de sistemas frontais mesmo no verão que entrechocam-se com ar convectivo quente, à própria geografia e topografia local, constituída de morros e serras abruptas e à altíssima densidade de esopigões construídos ou em processo de construção, fazem de Santos, uma cidade com muitas ilhas de calor, sobretudo pelo alto índice de impermeabilização do solo e pelo bloqueio da já inconstante característica brisa marinha, notadamente realizada pelos espigões da orla santista!

Portanto, assim está armado o palco para maior incidência de raios e as consequentes chuvas que podem causar transtornos (alagamentos - veja meu reporte anterior sobre ",Para mitigar enchentes", em: https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Para_mitigar_enchentes&posic=dat_20121223-033236.inc.

Agora, publico dados de densidade de raios por quilômetro quadrado entre os anos de 1998 e 2011, do ELAT - Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE - Instituto de Pesquisas Espaciais, de cidades da Baixada Santista:

Santos: densidade de raios: 9,29 por Km2 - uma morte

São Vicente: densidade de raios: 8,84 por Km2 - uma morte

Guarujá: densidade de raios: 9,76 por Km2 - uma morte

Cubatão: densidade de raios: 9,76 por km2 - duas mortes

Praia Grande: densidade de raios: 8,84 por Km2 - duas mortes

Bertioga: densidade de raios: 9,34 por Km2 - duas mortes.

Comparando estes dados com a capital paulista e São Caetano do Sul, vizinha à capital, temos:

São Paulo: densidade de raios: 10,32 e 14 mortes

São Caetano do Sul: densidade de raios: 11,41 e nenhuma morte.

Veja-se que dado que a cidade de Santos tem área urbana praticamente toda concentrada na parte insular do município (apenas 39,4 Km2) em relação à capital muito mais extensa, a densidade de raios em Santos (9,29 por km2) é pouco menor do que a capital (10,32), o que faz da sede da Baixada Santista, uma cidade muito perigosa à incidência de raios que podem probabilisticamente causar sérios danos à população!

Vou comentar também sobre o chamado ìndice Ceraúnico, que consiste na quantidade de raios em uma determinada região, o qual determina o número de dias de trovoadas por ano em uma região. Em Santa Catarina e Paraná este índice está entre 40 a 60 dias de tempestade por ano.

Vejamos uma tabela do Índice Ceráunico para algumas cidades:

Curitiba: 53 Londrina-PR 84

Rio de Janeiro 24 São Paulo-SP 38

Porto Alegre 20 Florianópolis 54

Joinville 76 Xanxerê-SC 88

Passo Fundo-RS 74 Tubarão-SC 68

Com base nos dados, nota-se a alta incidência de raios em cidades sulistas do Brasil, provavelmente pela grande quantidade de frentes frias entrechocando-se com massas de ar aquecidas e secas. Alíás, a região sul do Brasil só perde em quantidade de tormentas locais para a região das planícies americanas, onde os tornados são o centro das atenções.

Ainda, para a capital paulista, segundo o ELAT, como é uma cidade de território urbano extremamamente extenso, a incidência de raios não é bem distribuída ao longo da cidade.

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