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SISMOS INDUZIDOS: UM SINGULAR TIPO DE IMPACTO AMBIENTAL!!!

Notícia enviada em 20/01/2010
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Aparentemente no Brasil, o que espera-se de riscos e impactos ambientais geológicos, são os deslizamentos de terra ocasionados pela ação conjunta - mudanças climáticas (chuvas acima da média), uso irregular do solo e ocupação irregular de moradias. Por outro lado, com o advento de forte terremoto que abalou o Haiti e os tremores em João Câmara no Rio Grande do Norte, volta-se a atenção da mídia e da opinião pública para esse tipo de evento, que para nós, soa de certa forma, incomum. Embora o Brasil já tenha nascido geograficamente “abençoado” por se situar praticamente no centro da placa tectônica da América do Sul e não nas tensas fronteiras interplacas, caso do Japão, Califórnia, Indonésia, Santorini na Grécia, etc, não estamos isentos de tremores (ainda que com freqüência menor) moderados, com magnitudes acima de 5 graus na Escala Richter. Um tipo de abalo “à brasileira”, causado por reativação de falhas geológicas, como por exemplo em João Câmara no Rio Grande do Norte, além de assustar a população, provoca rachaduras nas residências, devido à magnitude de 4,3. O nordeste é segundo especialistas, a região do Brasil de maior atividade sísmica. Falando em falhas geológicas, podemos citar um notável tremor ocorrido no leito submarino ao longo da costa sul da região sudeste, à 215Km de São Vicente – SP. Magnitude: impressionantes 5,2 graus na Escala Richter. A profundidade foi de 10Km e foi sentido em diversas cidades entre os litorais do Rio de Janeiro a Santa Catarina, bem como na capital paulista e cidades da região de Campinas, no interior. Com esta magnitude de 5,2 se tivesse o sismo ocorrido mais próximo do continente, poderia ter causado danos materiais nas cidades próximas, sem dúvidas. Oceanógrafos ao discutirem o evento, chegaram à conclusão que um maremoto por sua vez, não teria tido chance de se formar, devido à relativa limitada coluna de água do mar na região do sismo. Causas para este abalo: possivelmente outra falha geológica que teria acumulado muita tensão rochosa por um longo tempo, mas curiosamente, ninguém até agora soube dizer que falha era essa, sinal do parco ou de nenhum estudo de zoneamento ou demarcação sísmica naquela região da crosta terrestre. Alguns especialistas, até arriscam dizer que a litosfera ali seria mais fina do que a litosfera do interior do continente... A profundidade do sismo é função da maior ou menor destruição: abalos profundos, menos sentidos, abalos rasos, efeitos muito mais problemáticos.

Até o momento, falamos de sismos nas fronteiras ou longe das fronteiras das placas tectônicas, porém, naturais. Além destes, há uma outra classe de terremotos, os artificiais ou induzidos pela atividade humana. Tremores de terra ocasionados em conseqüência do preenchimento e operação de reservatórios, um problema de segurança das barragens.A construção da barragem cria um novo lago, que irá alterar as condições estáticas das formações rochosas do ponto de vista mecânico (em virtude do próprio peso da massa de água) e do ponto de vista hidráulico (em consequência da infiltração do fluido no subsolo, que causa pressões internas nas camadas rochosas profundas). A combinação das duas ações pode desencadear distúrbios tectônicos (na estrutura geológica) e, eventualmente, gerar sismos, caso as condições locais sejam propícias. No nosso país, a preocupação com este tipo de fenômeno surgiu após a ocorrência em 24/02/1974 do maior sismo (magnitude 4,2) de provável origem induzida, na região dos reservatórios vizinhos de Volta Grande e Porto Colômbia, entre Planura – MG e Guairá, norte paulista. Aqui no interior de São Paulo, destaque-se o Reservatório de Paraibuna-Paraitinga, no Vale do Paraíba, formado pelo represamento dos rios de mesmo nome, por meio de barragens de 96 e 105 metros, respectivamente.

Sendo assim, a atividade sísmica local começou em novembro de 1977, sete meses após o enchimento do lago. O maior tremor com magnitude de 3,4 foi registrado na fase mais crítica da atividade sísmica observada no final de 1977. No entorno da barragem, três falhas: Cubatão, Taxaquara e Natividade. Esse é um caso de S.I.R, simicidade induzida por reservatórios.Até hoje, esse e outros reservatórios do interior são monitorados, pois além de prováveis danos estruturais por sismos induzidos, existem cidades povoadas nas redondezas.

Mas, há um outro tipo de risco sísmico no interior paulista, principalmente nas localidades que já se servem das águas do Aqüífero Guarany, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo. Em Ribeirão Preto e região, através de poços tubulares, a fim de prospectar a água do aqüífero em locais mais profundos, técnicos por vezes perfuram rochas basálticas e nos seus interstícios, a água se acumula, fazendo pressão, que ao longo do tempo, aculumam tensões que no ápice, podem gerar sismos, como foi o caso do distrito de Andes, pertencente à cidade de Bebedouro, no norte do estado, que em 2004, chamou a atenção da comunidade local, que ficou muito assustada. Em virtude deste tipo de ocorrência, pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e da UNESP de Presidente Prudente, montaram uma rede de sismógrafos para monitorar os poços do local. Nesse Distrito de Andes em Bebedouro, os sismos ocorrem durante o período do ano quando o índice de chuvas é mais alto e, portanto, o bombeamento dos poços em geral é menor. Deste modo, principalmente, com a proximidade de vários poços da área do epicentro, pode-se dizer que há fortes indícios de que a sismicidade local possa estar igualmente relacionada com a movimentação de água subterrânea através de fraturas nas rochas. Possivelmente, essa movimentação de água não existia antes da perfuração de alguns dos poços tubulares, especialmente os que exploram água de fraturas. Já em Nuporanga, também na região de Ribeirão Preto, a solução para este problema, a partir dos estudos geofísicos, foi aplicada naturalmente com a exploração contínua de água dos poços tubulares evitando a fuga de água em fraturas de basalto, e assim não têm ocorrido mais tremores naquela localidade. Em Presidente Prudente, no oeste do estado, o fechamento de uma cavidade detectada onde havia uma camada de 20 metros de espessura de arenito, não vedada na época da perfuração do poço, diminuiu o número de tremores registrados pela estação sismográfica local. Desde então os sismos sentidos na região também diminuíram em número e magnitude. Pois é, com a água de superfície extensivamente explorada e em vias de acabar, vai se ganhando esperança na exploração da água do subsolo... O problema é que nessa tentativa de sobrevivência, também para o caso das barragens, o homem acaba por vezes, encontrando outro problema, que é o impacto ambiental, no caso, o geológico. É o preço do desenvolvimento, procurando caminhos que visam à segurança e ao conforto. O caminho mais seguro aqui a ser trilhado, é o tão sonhado e propagado aos quatro ventos – o desenvolvimento sustentável, ainda muito pouco praticado... Por fim, houve quem aventasse a possibilidade do tremor da costa paulista em 2008, ter tido causa pela ação das primeiras perfurações da Petrobrás na plataforma continental com vistas à "corrida" pré-sal. Ainda assim, neste caso, o risco geológico comparado ao das barragens e poços, é menor. Será mesmo???

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