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Sandy x Katrina: qual foi o mais poderoso???

Notícia enviada em 15/11/2012
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
À primeira impressão, parece difícil fazer um ranking sobre os dois furacões. Porém, um exame mais detalhado a partir dos estragos e devastações tanto humanas quanto ambientais e econômicas e é claro, sobretudo por estudos analíticos a partir de imagens de satélites, parece haver um melhor delineamento sobre este "duelo de Titãs"

Pelo quesito devastação, os efeitos dos dois sistemas (Sandy em 2012 e Katrina em 2005) foram semelhantes. Ambas as tempestades inundaram grandes cidades, deixaram milhões de pessoas sem fornecimento de energia elétrica, etc, etc, etc.

Agora, no quesito meteorológico/climatológico, não foram tão semelhantes quanto parecem ser, mesmo sendo classificadas como furacões.

Katrina foi um ciclone tropical típico, com um campo de ventos compacto e simétrico que virou um centro de baixa pressão circular. Assim como outros ciclones tropicais na região caribenha/Golfo do México, Katrina foi uma tempestade de aquecimento central cuja fonte de energia (a exemplo de qualquer furacão típico) foram as águas aquecidas do Oceano Atlântico tropical. Sandy, por sua vez, também possuía características semelhantes, porém como rumou a nordeste, acabou se juntando com um sistema frontal a partir do oeste, do interior do continente norte-americano. Há evidências de que esta movimentação tenha a ver com a anomalia positiva da temperatura superficial marinha no Atlântico temperado, pois pelas imagens de sondagens de temperaturas superficiais do mar nesta região, há bolsões em média com temperaturas de 3ºC acima da normal climatológica para a época do ano!

Bem, a partir desta junção de Sandy com o sistema frontal e mais a ação de bloqueio atmosférico exercida por um sistema de alta pressão a partir da Groenlândia, houve a transição da condição inicial de Sandy como um ciclone tropical (furacão) para a condição de ciclone extratropical – sim, como estes ciclones típicos dos litorais do sul e sudeste brasileiros, típicos na transição outono-inverno, mas que por vezes reservam surpresas, pois há ciclogêneses até em meses de verão ou até mesmo formação de ondas frontais subtropicais, que mostraram evidências de um vórtice que chegou a transitar ao largo da costa fluminense em Março de 2011, configurando-se nesse local como tempestade tropical chamada Arani, que em tupi-guarani, significa "cheio de energia" mas que não afetou nosso litoral por ter estado distante da costa. No entanto, foi um fenômeno totalmente atípico para a costa brasileira.

As diferenças básicas entre ciclones tropicais e extratropicais residem no fato de que os primeiros, como já havia relatado acima, recebem a sua energia a partir de águas quentes do oceano, enquanto os ciclones extratropicais são alimentados por variações bruscas de temperatura entre massas de ar quente e frio. Ciclones extratropicais também tendem a ser assimétricos, com ventos agindo em faixas mais largas e nuvens em formatos mais parecidos com vírgulas do que círculos.

Então, quando um ciclone tropical se torna um ciclone extratropical, seus ventos e suas nuvens se expandem dramaticamente. Seus ventos mais fortes geralmente podem se enfraquecer durante este processo mas, ocasionalmente, uma tempestade mantém os ventos de furacão, como foi o caso de Sandy.

Para ser sucinto, há uma diferença gritante: o campo de ventos mais fortes do Katrina estendeu-se por cerca de 500 quilômetros de uma extremidade a outra. Já Sandy, a área dos seus ventos mais intensos estendeu-se por 1.500 km!

Sandy foi o segundo grande furacão a atingir os estados do nordeste americano em dois anos e ainda mais: adentrou bem o continente norte-americano, não se limitando somente ao litoral, como geralmente o fazem furacões típicos

Por fim, mais um fato para sinergizar os efeitos devastadores do Furacão Sandy: a Lua cheia, que significa a potencialização de marés mais altas!

Sem dúvidas, uma conjunção de fatores climáticos e astronômicos adversos, que até lembra a tese de dois astrônomos do Texas sobre a possível influência de raro aspecto posicional da Lua, Terra e Sol causando marés mais altas capazes de deslocar grandes icebergs para mais ao sul, em águas relativamente mais aquecidas, na região do naufrágio do célebre transatlântico Titanic (ver meu reporte sobre essa tese em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Astronomia_ou_Astrologia_E_a_Climatologia_onde_fica&posic=dat_20121107-032607.inc).

Ressalto que segundo Brian McNoldy da Universidade de Miami, os ventos do Katrina foram mais intensos, mas agiram sobre uma área menor, concentrando aí os maiores estragos. Com Sandy, a área atingida foi consideravelmente maior..

Finalmente, especulando sobre as causas mais ostensivas que fizeram do Sandy um furacão de fato assustador, estão o aquecimento global, conforme informei acima sobre a anomalia de temperatura superficial do Atlântico temperado.

Segundo artigo publicado pela famosa Revista acadêmica Nature, alguns cientistas apontam que podemos esperar por mais eventos climáticos severos desse tipo em um mundo mais quente – mesmo se nenhuma tempestade puder ser diretamente atribuída ao aquecimento global. Uma equipe da Universidade de Pequim, descobriu que grandes ciclos de tempestade aumentam em frequência desde 1923, e que eventos de grande escala são aproximadamente duas vezes mais prováveis em anos mais quentes do que em anos mais frios. Outros falam sobre a possibilidade de que o derretimento do gelo marítimo do verão e o número cada vez maior de águas abertas no Oceano Ártico possam estar alterando o fluxo da corrente que circunda o Hemisfério Norte, levando aos furacões e às grandes tempestades de inverno que têm castigado o nordeste americano em anos recentes.

Apesar dessas evidências, segundo esses acadêmicos, o fator mudança climática não é a única causa desses eventos severos. Por exemplo, enquanto as temperaturas da superfície do mar atualmente estão 3°C acima da média ao longo da costa do Atlântico, o aumento esperado devido ao aquecimento global é de apenas 0,6°C, de acordo com Kevin Trenberth, cientista climático do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas em Boulder, no Colorado. Então, ainda que a mudança climática sem dúvida tenha um papel nisso, explica Trenberth, há muito espaço para a variabilidade natural. Será mesmo??? Tirem suas conclusões.

Na imagem, anexa, nota-se as anomalias de temperatura superficial no Atlântico norte.

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