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Turbulência aérea aumentará por conta das mudanças do clima!

Notícia enviada em 15/04/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Quando se fala algo sobre mudanças climáticas, é preciso cautela - pois é muito comum confundir-se mudanças climáticas causadas pela ação do homem sobre a Terra e variabilidade climática, esta sazonal e geralmente de origens naturais. Afinal, para se caracterizar um clima, é necessário aquisição e acumulação de dados meteorológicos por pelo menos 30 anos e a variabilidade sazonal está inserida nesse contexto de tempo. Por isso, toda cautela é necessária nestas conceituações, pois não é nada fácil reconhecer e distinguir a parcela de contribuição humana de impacto climático das naturais sazonais. Ao que tudo indica, evidências apontam o fator antropogênico por trás das mudanças climáticas ao lado dos fatores sazonais naturais, porém, se o fator de conceituação ou de qualificação já é complicado, imagine-se o quantitativo: qual a parcela da contribuição humana?

É com este sentido crítico, que trago este tema da ampliação da turbulência com as mudanças climáticas. Mas, antes de tudo, podemos dizer que turbulência é a movimentação do ar que faz com que o avião tenha trepidação. Geralmente no interior de nuvens, encontram-se sucessivas correntes de ar ascendentes e descendentes. Como o avião se apóia no ar, quando passa de uma corrente ascendente para uma descendente (ou vice-versa) ele sofre uma sacudida.

Tais correntes podem ser detectadas pelos radares meteorológicos que ",sentem", variações na densidade do ar, pois é pela densidade que distingui-se o ar mais aquecido do mais frio. Dessa forma o piloto pode ter o conhecimento da turbulência que há na rota e evitá-la sem colocar

o vôo em risco.

Há basicamente 4 (quatro tipos) de turbulências:

- Turbulência Convectiva ou Térmica: correntes convectivas alternadas fazem com que a aeronave suba e desça. Pode ser facilmente observada através da formação de nuvens cumuliformes. No inverno ela é geralmente mais suave e no verão mais severa (no período da tarde),

- Turbulência Mecânica

A) De solo: forma-se devido aos fluxos de ventos sobre superfícies irregulares. Ocorre geralmente entre cerca de 610 metros e 1830 metros de altitude,

B) Orográfica: forma-se a sotavento das montanhas (lado protegido ou à sombra, no caso, dos ventos), devido à formação de ondas orográficas estacionárias (ondas de montanha). Pode ser facilmente identificada pela presença de nuvens lenticulares (geralmente nas latitudes médias temperadas) que se formam no topo destas mesmas ondas, possibilitando a sua identificação também pela presença de nuvens rolo (em forma de espiral) na base das montanhas,

3.Turbulência Dinâmica

A) Frontal: forma-sese devido ao deslocamento de massas de ar quente (Frentes Quentes)

B) Devido ao gradiente ou cisalhamento do vento: forma se em nível que separa ventos com velocidades e direções diferentes, conhecida como “Tesoura de Vento” ou no inglês - “Windshear”. É causadora de vários acidentes aeronáuticos e pode ser facilmente encontrada próximo às temíveis nuvens de temporais - as cumulonimbos (Cb’s). Windshear, também vento, pode ser definida como uma variação na direção e/ou na velocidade do vento em uma dada

distância.

4.Turbulência de ponta de asa: forma se no bordo de fuga das asas, onde são formados pequenos vórtices giratórios. Geralmente pode durar de 2 a 3 minutos.

,Windshear, também denominado cortante do vento, gradiente de vento ou cisalhamento do

vento, pode ser definida como uma variação na direção e/ou na velocidade do vento em uma dada

distância,

5.CAT (Clear Air Turbulence, ou Turbulência de ar claro): turbulência proveniente de um gradiente de vento provocada por corrente de jato* (jetstream) e não pode ser identificada por nenhum tipo de nuvem. Ela se apresenta mais forte sobre os continentes.

As turbulências de ar claro são especialmente difíceis de evitar porque os pilotos não as conseguem detectar, visto que nem os satélites nem os radares que levam a bordo podem-nas localizar. É este tipo de turbulência que aumentará devido às mudanças climáticas.

Em 1996, um comitê internacional para estudo de turbulência de ar claro definiu a CAT, como toda a turbulência na área da atmosfera de interesse das operações aeroespaciais que estão fora ou adjacentes à atividade convectiva visível, incluindo a turbulência não observada em nuvens dentro ou adjacente à atividade convectiva visível. Com o passar do tempo, definições menos formais de CAT evoluíram e o Airman Information Manual (AIM) amplia a definição de CAT básica como turbulência encontrada em ar claro onde nenhuma nuvem está presente.

No entanto, a definição mais abrangente de CAT é apresentada como a turbulência encontrada fora de nuvens convectivas e em alguns casos em ar claro na redondeza de temporais. Os relatórios do FAA (Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos), contabilizam quase 60 acidentes com passageiros e tripulantes a cada ano devido a encontros com CAT e desde 1990 houve um total de 15 mortes atribuídas a encontros de turbulência em céu claro.

No Brasil, a CAT está relacionada à uma corrente de jato subtropical e normalmente sua área de formação estende-se nos níveis de vôo mais altos da Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e eventualmente o sul do Paraná, embora áreas de baixa pressão em outros pontos do país também apresentem as condições para a formação de CAT em regiões de forte transferência de calor horizontal (advecção) de temperatura. Esta corrente de jato subtropical no Brasil é bastante ativa durante os meses de inverno e com sua área central geralmente ao redor de 9100 metros de altitude aproximadamente.

A intensidade da CAT por influência de mudanças climáticas, poderá aumentar entre 10 e 40 por cento. O espaço aéreo onde será provável que os pilotos encontrem turbulência significativa aumentará entre 40 a 70 por cento. A frequência com que se produz a turbulência pode aumentar 100 por cento, ou seja, o dobro do que existe atualmente. Este cenário pode ser realidade em 2050.

O estudo, assinado por pesquisadores do Centro Nacional para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading (Reino Unido) foi apresentado durante a Assembléia Geral da União Européia de Geociências em Viena na Áustria.

Liderados por Paul D. Williams, os cientistas elaboraram um modelo matemático para simular as alterações que se produzirão nas correntes de jato que mostram simulações nas quais a turbulência de ar claro (CAT) varia de forma significativa dentro do corredor de vôos transatlânticos quando a concentração de dióxido de carbono na atmosfera é dobrada.

Na verdade, na própria atividade de aviação evidencia-se impactos no clima, tais como as trilhas de condensação dos jatos (ver meu reporte com o título

Trilhas de condensação: mais um fator para aquecer o planeta???? em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Trilhas_de_condensacao_mais_um_fator_para_aquecer_o_planeta&posic=dat_20120506-190842.inc).

*Contrastes de temperatura na superfície produzirão maiores gradientes de pressão em altitude e consequentemente ventos mais rápidos em ar superior. Como no inverno os contrastes de temperatura são grandes principalmente em latitudes médias, podem se ventos de oeste mais fortes no inverno, o que é confirmado pelas observações. Acima de grandes contrastes de temperatura existem correntes muito fortes, denominadas correntes de jato. As velocidades do vento são bem altas, pois!

A título de ilustração, há também um tipo de rio voador amazônico: a corrente a jato de baixa altitude.

Ele tem de 200 a 300 quilômetros de largura, milhares de quilômetros de extensão, carrega um volume de água que chega a ser equivalente ao do Rio Amazonas, mas ninguém vê. Isso porque trata-se de um dos maiores “rios voadores ou aéreos” do mundo, uma corrente de vento, conhecida como jato de baixa altitude. como já foi citado, que sopra entre um e três mil metros de altitude e traz umidade da Amazônia até a região centro-sul do Brasil, inclusive, induzindo as famosas trovoadas e até temporais convectivos de varão na Região Sudeste....

Fonte principal: Nature Climate Change, pioneira na publicação deste tema.

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