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Voyager 1 ouve a música celestial

Notícia enviada em 14/11/2013
por Rodolfo Bonafim - São Paulo/SP
Enquanto, muitos de nós se emociona com o poder da imagens espaciais, a idéia da chamada ",música das esferas", pode não ser de fato um mito ou uma simples abstração...

De acordo com artigo de Marcelo Gleiser, físico teórico brasileiro na Dartmouth College, nos Estados unidos, tudo começou em torno de 520 a.C., quando o pensador grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.

Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.

Então, não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podiam ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números. Extrapolando esses conceitos matemáticos para o cosmos, na época de Pitágoras, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmos. Os planetas eram movidos através dos céus incrustados nas esferas celestes. Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas....

O som das batalhas espaciais nos filmes de ficção científica

Muitos criticam os sons estridentes e apelativos às emoções de platéias de aficionados pelo gênero ficção científica, como em Guerra nas Estrelas ou Jornada nas Estrelas...

Mas, para Don Gurnett, físico na Universidade de Iowa, principal pesquisador do Instrumento Plasma Wave Science (Ciência de Ondas de Plasma) localizado a bordo da sonda Voyager 1, o espaço em si pode gerar música, basta ",saber ouvir",....

A sonda Voyager lançada pela NASA em 05 de setembro de 1977, há 36 anos no espaço, pesquisando o meio interplanetário, está prestes a abandonar a ",casa da família", (o sistema solar) e finalmente alcançar o misterioso e mais obscuro meio interestelar, quando não estará mais sujeita às influências magnéticas do Sol... (ver meu reporte sobre o tema ",Nave espacial Voyager 1 às portas do espaço interestelar!", em https://apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Nave_espacial_Voyager_1_as_portas_do_espaco_interestelar&posic=dat_20130628-141610.inc.)

Em resumo, à medida que esta sonda espacial vai saindo da fronteira sistema solar-espaço interestelar, muitas novas descobertas e muitos outros mistérios vão se agigantar, face à situações que mesmo o mais visionário autor de ficção ou o mais arguto cientista teórico poderia se espantar!!

Durante a conferência de imprensa da NASA, Gurnett, reproduziu dados sobre ",sons", de ondas de plasma para a audiência. Segundo o mesmo, estes sons constituem uma real evidência de que a Voyager 1 já abandonou a heliosfera (região de influência do Sol e do ",vento solar",, que é composto de partículas carregadas que viajam continuamente a partir do Sol em todas as direções - esse ",vento", infla uma espécie de bolha gigantesca no espaço que é arrastada pelo Sol ao se movimentar criando ",ondas de choque",).

",Voyager 1 cruzou a fronteira",

Ainda de acordo com Gurnett, quando os dados compilados com o instrumento Ondas de Plasma finalmente chegaram a sua mesa de trabalho durante o verão de 2013, as notas distantes foram certeiras: ",Voyager 1 tinha cruzado a fronteira.",

Na verdade, o instrumento de ondas de plasma não detecta nenhum som. No entanto, detecta sim as ondas de elétrons no gás ionizado ou ",plasma",, no qual ",navega", a Voyager, à semelhança de um barco cruzando o oceano. Como essas ondas ocorrem em frequências de áudio entre algumas centenas a alguns milhares de hertz ",, pode-se reproduzir os dados por meio de um alto-falante diz Gurnett. ",O tom e a frequência fornecem informações sobre a densidade do gás ao redor da nave.",

Quando a Voyager 1 se localizava no interior da heliosfera, os tons eram de baixa frequência ou graves, cerca de 300 Hertz, frequência típica de ondas de plasma que se acham viajando pelo rarefeito vento solar nestas remotas distâncias. Entretanto, a frequência saltou para tons mais altos (agudos), mais precisamente entre 2 e 3 quilohertz, que corresponde a um gás mais denso já no meio interestelar. Então, poderia ser uma ",melodia", de transição, segundo Gurnett....

Mas, falando de modo contundente, a Voyager tem se limitado até agora a gravar explosões de ",música interestelar",, causadas na verdade, por explosões da atividade solar (ejeções de massa coronal - sigla CME em inglês). Quando uma CME atravessa o plasma, provoca oscilações semelhantes ao som ",rasgado", que os dedos de um guitarrista provocam nas cordas da guitarra (eu particularmente, ao ouvir esses sons, me remeteu ao som de dois metais rangendo, como aquele ruído causado pelas rodas de vagões de trem nos trilhos...).

O futuro próximo

Don Gurnett, por fim, já pensa em ondas de plasma que não sejam causadas por tempestades solares. Aí sim, segundo o mesmo, conforme a Voyager 1 vai adentrando ao meio interestelar, novas frentes de ondas de choque, estas do meio entre as estrelas, propiciariam verdadeiras surpresas para o meio acadêmico, pois estaríamos genuinamente ",ouvindo sons", de lugares onde nenhum homem jamais imaginou, ou a verdadeira ",música das esferas",....

Bem, no momento, só nos resta ",curtir", a ",música espacial", (veja, ou melhor ouça em http://www.youtube.com/watch?v=jgQ9THRckJ0, e tirem suas conclusões)

Rodolfo Bonafim

Diretor científico da ONG Amigos da Água (especialista em Climatologia, Astronomia e Geologia Ambiental).

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