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Editoria: Espaço - Brasil no Espaço
Quinta-feira, 16 mar 2006 - 06h54

Experimentos brasileiros prontos para ir ao espaço

A partir do dia 29 de março, oito experimentos científicos brasileiros serão lançados ao espaço, em direção da Estação Espacial Internacional ou ISS. Os experimentos já se encontram nos preparativos finais para o embarque e farão parte da carga a ser levada pelo primeiro astronauta brasileiro ao espaço.

Esta será a primeira vez que a comunidade científica brasileira poderá cruzar a fronteira do espaço de forma autônoma, sem depender de parceria com cientistas ou instituições estrangeiros.

O país têm um histórico bastante limitado de pesquisas em ambiente de microgravidade. Até agora, as únicas oportunidades mais importantes de experimentação ocorreram em 1997 e 1998, quando algumas experiências brasileiras foram embaracadas em dois vôos dos ônibus espaciais da Nasa, em conjunto com instituições estrangeiras. Após isso foram realizados alguns vôos com foguetes de sondagem lançados da base de Alcântara, no Maranhão, que permanecem em ambiente de microgravidade somente por poucos minutos.

A ausência de gravidade faz do ambiente espacial um ambiente extremamente almejado por cientistas de outros paíese, já que permite a observação de fenômenos que não são visíveis ou não podem ser reproduzidos em terra. De acordo o cientista Irajá Bandeira, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, todo experimento tende a eliminar variáveis, como temperatura e pressão. No entanto, a gravidade é quase impossível de eliminar.

Nem todos os experimentos que são enviados ao espaço têm alguma aplicação prática. Muitos deles pretendem explicar alguns conceitos elementares de química, física ou biologia. Da mesma forma como os pesquisadoresquerem saber como uma planta se comporta em diferentes temperaturas, por exemplo, também querem saber como ela se comporta na presença ou na ausência de gravidade.

De acordo com Bandeira, cerca de 95% da experiências levadas ao espaço não visam o lucro, mas o conhecimento. "A longo prazo, muitas coisas podem reverter para alguma nova tecnologia, mas a idéia inicialmente não é necessariamente essa."

Os oito experimentos que foram selecionados para o vôo do astronauta Marcos Pontes incluem projetos de biotecnologia, engenharia mecânica, microeletrônica, biologia e engenharia genética.Um desses exemplos é uma reprodução do famoso "experimento" escolar do brotamento de sementes de feijão, que será monitorado na presença e na ausência de luminosidade e que será conduzido por estudantes do ensino médio, mostrado na foto ao lado.

Todos os experimentos são acondicionados em caixas metálicas fechadas, e serão acoplados ao interior da ISS durante os oito dias da missão. Tudo que o astronauta terá de fazer no espaço é comandar botões e fazer anotações de acordo com as orientações dos pesquisadores.

Entre os experimentos brasileiros que já voaram nos ônibus espaciais da Nasa estavam estudos de proteínas, enzimas e planárias (um tipo de verme com fantástica capacidade de regeneração). Em 1997, o cientista Glaucius Oliva, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, aproveitou a vaga no shuttle para produzir cristais de proteínas envolvidas no mal de Chagas e no reconhecimento de células tumorais. Os cristais são essenciais para a elucidação da estrutura molecular das proteínas, e podem ser produzidos com uma qualidade muito maior em microgravidade.

Segundo Oliva, o conhecimento obtido a partir dos experimentos serviu de base para uma série de teses e trabalhos científicos publicados nos últimos anos. "Ainda estamos trabalhando com eles", disse. Segundo ele, o processo de cristalização pode levar dias - justamente o exemplo de experimento que não pode ser realizado em vôos suborbitais de curta duração, como os dos foguetes de sondagem. Oliva, assim como todos os cientistas que estão enviando experimentos à ISS, espera que a Missão Centenário não seja uma oportunidade isolada. "Seria muito importante que tivéssemos um programa sustentado nessa direção", disse.

A partir da próxima semana, o Apolo11 publicará fará uma cobertura especial e diariamente mostraremos um resumo de todas as experiências que serão levadas à bordo da ISS, como a "Nuvens de interação protéica", mostrada na foto superior.







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